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O artista francês Blexbolex, autor de Cantiga, cedeu uma entrevista exclusiva ao ilustrador e associado da SIB Daniel Bueno, aqui parcialmente reproduzida a partir do blog da Cosac Naify.

Em Cantiga, chama a atenção o modo como você consegue efeitos gráficos belíssimos através da sobreposição de retículas estilizadas e sintéticas manchas de cor. O livro, em seu conjunto, é também muito bonito: o formato, tipografia, a lombada etc. Gostaria de saber um pouco sobre o planejamento e processo de criação desse livro. Você fez muitos esboços? Prevaleceu o trabalho manual ou você recorre bastante ao computador?

Geralmente não faço esboços, prefiro começar a trabalhar minhas imagens imediatamente no computador. Para esse livro, levando em consideração a complexidade do conteúdo narrativo das imagens, tive que fazer alguns esboços (parecidos com desenhos de storyboard) para assegurar que as imagens funcionariam bem nas ideias e composição geral. Neste caso, são desenhos bem pequenos, de alguns centímetros quadrados. Às vezes, a composição desse tipo de desenho é muito complicada, por isso escaneei alguns deles para servir de base às imagens finalizadas. Caso contrário, absolutamente tudo que faço é no computador.

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Cantiga apresenta uma narrativa interessantíssima com palavras soltas que se somam para contar uma história. No livro Saisons (Albin Michel Jeunesse, 2008) a abordagem é outra mas você também explora a relação entre uma imagem e uma palavra por página. De onde vem o interesse por esse tipo de solução e quando começou?

É difícil de responder. Pelo o que eu me lembro, as palavras, a linguagem são coisas que sempre me interessaram, na mesma medida que as imagens. As palavras são ideias (e ainda, isso não é completamente verdade) quando as dizemos, mais quando as escrevemos; são também imagens, por sua grafia, seu tamanho e eventualmente suas cores. E as imagens também são ideias porque elas evocam, mostram, contam. Sem dúvida, isso que estou dizendo é muito pouco e confuso. É uma coisa complexa. Para mim, as imagens são uma maneira de colocar em jogo todas essas coisas, com o objetivo de me surpreender, e aos outros também, caso queiram se prestar ao jogo pelo qual eu os convido a participar.

Você estudou serigrafia na Escola de Belas Artes de Angoulême. Seus primeiros trabalhos para o mercado editorial já exploravam a serigrafia ou houve um processo inicial com tentativas em variadas técnicas?

Eu fiz quadrinhos, um pouco de pintura; também me interessei pelo teatro, pela edição; tentei escrever, fiz um pouco de gravura no metal etc. Enfim, tentei todos os tipos de coisas, principalmente porque não sabia o que eu tinha vontade de fazer, o que pode ser às vezes uma vantagem ou um inconveniente. Em seguida, a oportunidade de trabalhar como tipógrafo em um escritório certamente foi decisiva.

Você apresenta soluções diversas nos trabalhos que faz: em alguns casos há a exploração de retículas e em outros, por exemplo, vemos manchas de cor homogênea, muitas vezes com paleta reduzida. Gostaria que falasse um pouco sobre essas experimentações da técnica de serigrafia: as descobertas, eventuais “erros” aproveitados de modo interessante etc.

Isto pode nos levar muito longe! Digamos simplesmente que a experimentação, o imprevisto (desejado ou não) fazem parte do meu trabalho. Sempre procuro atalhos, formas de sintetizar o que eu sei, o que me leva às vezes a fazer grandes desvios. Os processos que me levam à imagem me fazem sonhar, simplesmente.

* Para conhecer a entrevista na íntegra acesse o blog da CosacNaify. Para conhecer o livro clique aqui.

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Blexbolex (Bernard Granger) nasceu em 1966, em Douai (França). Estudou no Instituto Nacional de Arte Dramática de Paris e prestou um no de serviço militar em Berlim. Formou-se em serigrafia na Escola de Belas Artes de Angoulême. Em 1992, começou a trabalhar como tipógrafo, o que lhe permitiu imprimir seus primeiros trabalhos e publicálos de maneira independente. O autor recebeu muitos prêmios e distinções, entre eles o de Livro Mais Bonito do Mundo por L'imagier des gens (Pessoas, 2008) na Feira do Livro de Leipzig, na Alemanha, onde vive atualmente.

Daniel Bueno (1974) é ilustrador e colaborou com mais de cinquenta revistas e jornais no Brasil e no exterior. Ilustrou três livros premiados com o Jabuti: Um garoto chamado Rorbeto, de Gabriel o Pensador, O melhor time do mundo, de Jorge Viveiros de Castro, e A janela da esquina do meu primo, de E. T. A. Hoffmann.

 
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Três furos circulares no papel foram o ponto de partida para os inúmeros rostos que o designer Bruno Munari elaborou na publicação Guardiamoci negli occhi (Olhe nos meus olhos), cuja primeira edição data de 1970. Dois furinhos no alto e outro maior centralizado mais abaixo - os olhos e uma boca – sugerem uma face, como aquelas que vemos, inesperadamente, em tomadas elétricas e outros objetos do cotidiano. Uma vez estabelecida essa sutil interferência no suporte, e Munari teve à disposição um campo aberto para inúmeras experimentações e possibilidades gráficas. Ao redor dessas referências circulares, demarcadas sempre na mesma posição em uma série de papéis soltos de mesmo formato – deixando claro o gesto inaugural da empreitada –, o designer italiano desenhou finas linhas circulares, manchas, blocos retangulares, caminhos feitos de pontinhos, sucessões de traços paralelos, pontos agrupados em áreas, etc. O resultado são desenhos, por vezes quase abstratos, que logo remetem a um rosto por estarem relacionados às peculiaridades do contexto.

[caption id="attachment_2463" align="alignnone" width="300"]Bruno Munari: os diferentes tamanhos de furo geram olhos multicoloridos quando sobrepomos as folhas Bruno Munari: os diferentes tamanhos de furo geram olhos multicoloridos quando sobrepomos as folhas[/caption]

Conhecedor dos recursos de ilusão, Munari evidencia nesse trabalho como é possível mudar o significado dos elementos gráficos a partir de mínimas interferências no desenho. Num papel sem perfurações, por exemplo, retângulos pretos sobre fundo verde poderiam aludir a uma composição abstrata de formas geométricas, ou a edificações, se quisermos usar a imaginação; o artista, no entanto, conduz essas manchas à condição de sobrancelhas, nariz e cabelo, relacionando-as aos três buracos. Alguns desenhos, é verdade, parecem rostos sem a necessidade dos furos, mas tal variedade de soluções é parte da graça da experimentação. Há também dois casos de rostos com olhos sem furos, cuja cor ou pupilas desenhadas podem aparecer no fundo do túnel de olhos das folhas sobrepostas. Com praticamente uma mesma situação inicial para todos os desenho, o conjunto dos trabalhos reforçam a inspiradora sensação de infinitas soluções gráficas para um único tema, por mais trivial que ele seja.

[caption id="attachment_2465" align="alignnone" width="300"]Os grafismos de "Guardiamoci negli occhi" / "Olhe nos meus olhos" Os grafismos de "Guardiamoci negli occhi" / "Olhe nos meus olhos"[/caption]

Ao empilhar e sobrepor todos os papéis, Bruno Munari incita comparações entre os desenhos, não mais vistos isoladamente. E no manuseio aparecem surpresas, como os olhos de duas ou mais cores, resultantes das diferenças de tamanho dos furos.

[caption id="attachment_2466" align="alignnone" width="300"]Munari: papel sobre uma folhas sem furos, de cor laranja Munari: papel sobre uma folhas sem furos, de cor laranja[/caption]

No dia em que terminava esse texto visitei na Funarte a exposição Rostos à procura de um rosto, do ilustrador brasileiro Marcelo Cipis. Foi uma feliz coincidência poder apreciar uma variação dessa investigação gráfica de representações do rosto. No caso da mostra, fica evidente que o tema serviu para amarrar diversos trabalhos criados ao longo da carreira pelo artista, feitos nos mais diversos suportes e técnicas. Um dos atrativos da obra de Cipis é o modo como ela não fica restrita ao papel, passeando por outras abordagens – por vezes tridimensionais e inseridas num determinado espaço. A mostra inclui trabalhos em tinta a óleo, acrílica sobre tela, impressão digital sobre metacrilato, fibra de vidro pintada e até bordado sobre tecido. São vários os veículos, de cadernos a transmissões televisivas. Também chama a atenção seu estilo marcante a serviço de idéias resolvidas de modo “gráfico”, com exploração dos recursos de ilusão e ambigüidade do desenho.

[caption id="attachment_2468" align="alignnone" width="300"]"Guardiamo negli occhi": folha sem furo nos olhos "Guardiamo negli occhi": folha sem furo nos olhos[/caption]

Nesses trabalhos, muitas vezes, é uma silhueta, um contorno, que aparece como primeira sugestão de rosto. De modo sintético, alguns se insinuam como uma face misteriosa, sem precisar de olhos e bocas. Mas um agrupamento dessas silhuetas pode constituir um verdadeiro “exército de rostos à procura de rostos”, que aceita inusitados grafismos e garatujas: de olhos oblíquos posicionados na altura adequada a formas amebóides soltas e dispostas a esmo, é bonito constatar como enxergamos, em todos os casos, rostos.

[caption id="attachment_2470" align="alignnone" width="300"]Munari: folha de "Olhe nos meus olhos" (vista sem sobreposições) Munari: folha de "Olhe nos meus olhos" (vista sem sobreposições)[/caption]

A variedade de soluções sobre essa série de faces depuradas também nos leva a entender tais intervenções como máscaras, “como expressões e caretas que vestimos em nossos encontros do dia-a-dia, às vezes sem querer”, como observa o crítico Tobi Maier num dos textos do catálogo. Máscaras de estilos que nos remetem aos desenhos e vestimentas de papelão criadas por Saul Steinberg e, novamente, às peças de Munari, que com seus furinhos calculadamente dispostos na posição real dos olhos humanos podem ser efetivamente usadas como tal.

[caption id="attachment_2471" align="alignnone" width="248"]Marcelo Cipis: "Exército de rostos à procura de um rosto" (fragmento), 2013 Marcelo Cipis: "Exército de rostos à procura de um rosto" (fragmento), 2013[/caption]

Olhe nos meus olhos. Nós somos todos diferentes”, disse o designer italiano. Cada grafismo é também diferente um do outro, cada rosto desenhado ilustra uma pessoa imaginária com especificidades. Ao serem observadas, comparadas umas às outras, vestidas, as máscaras de Munari nos fazem brincar de enxergar com os olhos dos outros. São peças que nos estimulam, também, a sermos mais abertos às possibilidades do desenho, de modo a mergulhar num jogo de formas onde as mais diversas informações gráficas são bem-vindas.

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Daniel Bueno (1974) é ilustrador, artista gráfico e quadrinista, formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo. Recebeu vários prêmios como a Menção Honrosa na Feira do Livro Infantil de Bolonha (Itália, 2011) e o Prêmio Jabuti. Em 2007 concluiu sua dissertação de mestrado sobre Saul Steinberg na Universidade de São Paulo. http://www.buenozine.com.br

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Era noite em Santiago, capital do Chile, e lá estávamos eu e mais um grupo de amigos abandonando um táxi que havia acabado de pifar. Logo conseguimos entrar em um novo carro e seguir para nosso destino, a casa do cartunista chileno Renato Andrade, mais conhecido como Nato (1921-2006). Não tinha ido ao Chile fazer contatos com artistas gráficos, mas os acasos da vida me levaram àquele inusitado encontro. Na verdade, a finalidade oficial da viagem era participar da quinta edição do ELEA, Encontro Latino Americano de Estudantes de Arquitetura, que naquele ano de 1995 conclamava os futuros arquitetos latino-americanos a se encontrarem na cidade litorânea de Valparaíso para ajudar a “revelar virtudes e construir a América”. Estava no terceiro ano de faculdade e, apesar de gostar de desenhar e participar eventualmente de salões de humor, não acreditava que viria a ser ilustrador. Encontrar pessoalmente um profissional do traço não era, portanto, algo habitual: havia a expectativa e a emoção de conhecer de perto um cartunista estrangeiro.

[caption id="attachment_1789" align="alignnone" width="282"]Transparência com desenho de Nato. Transparência com desenho de Nato.[/caption] [caption id="attachment_1777" align="alignnone" width="279"]Original de Nato, criado para a El Pingüino. Original de Nato, criado para a El Pingüino.[/caption]

Entusiasmado que estava com o Chile e os amigos que conheci em Santiago antes do evento, acabei deixando um pouco de lado o encontro de estudantes. Uma dessas novas amizades era a Claudia Valeria, filha de Nato. Foi dela a idéia de nos levar – eu, meu amigo de faculdade PC, o Marcio Motokane e seu colega de trabalho (faziam a edição de um programa de TV no Chile) - para um jantar na casa do pai. Foi de fato um encontro muito agradável e animado, com o inevitável assunto do cartum e do desenho permeando as conversas, enriquecidas pelas lembranças daquele simpático senhor de 74 anos. Ele me mostrou originais e muitas publicações, colocando-me a par de sua produção, que eu até então desconhecia. Disse que para sobreviver também trabalhou como diretor de arte de revistas. Logo fui apresentado a vários de seus personagens, como Ponchito, Insolencio, Pelusita, Cachupín e muitos outros. Alguns não haviam sido criados por ele, como o náufrago Toribio, cujas inúmeras tirinhas publicadas na revista Can Can, no entanto, tentavam me convencer de que era Nato seu inventor.

[caption id="attachment_1782" align="alignnone" width="424"]Ponchito, original de Nato. Ponchito, original de Nato.[/caption]

Não demorei para perceber que seu desenho seguia um padrão definido, sem grandes variações, expressionismos e arroubos experimentais: o traço era comportado, calculadamente finalizado sobre o rascunho, e estava a serviço das piadas. Achei interessante o cartunista comentar que havia ingressado na profissão por acaso e aprendido a desenhar através de um curso por correspondência, pois antes disso “desenhava muito mal”. Notei também que ele colaborou, ao longo da carreira, para muitas revistas de humor chilenas como a Barrabases, El Peneca, Simbad, Estadio e El Pingüino. Algumas dessas publicações traziam trabalhos de Pepo, o criador do Condorito, e constatei a admiração de Nato por seu famoso amigo. Na ocasião, o cartunista ainda me presenteou com algumas revistas e livros de sua autoria, cuidadosamente autografados por uma mão fragilizada pelo tempo.

[caption id="attachment_1764" align="alignnone" width="441"]Toribio: tira de Nato publicada na Can Can n.64, 1966. Toribio: tira de Nato publicada na Can Can n.64, 1966.[/caption] [caption id="attachment_1773" align="alignnone" width="220"]Tira de Toríbio criada por Nato para a Can Can n. 80, 1966. Tira de Toríbio criada por Nato para a Can Can n. 80, 1966.[/caption]

Não perdi o contato com a Claudia Valeria (hoje em dia uma escritora) e comecei a receber esporadicamente, ao longo do tempo, material sobre o Nato. Eram presentes generosos: livros e revistas com autógrafos e dedicatórias, fotos e originais do artista. Mesmo após sua morte, em setembro de 2006, continuei a receber pacotes da Valeria. Há, por exemplo, um livro e originais de Ponchito, personagem autobiográfico, um típico garotinho do campo chileno. Assim como seu personagem, o cartunista nasceu e viveu até os doze anos no campo, na pequena San Javier, situada na região do Maule e conhecida por sua produção vinícula.

[caption id="attachment_1781" align="alignnone" width="403"]Pituto, original de Nato. Pituto, original de Nato.[/caption]

Alguns dos originais enviados apresentam uma página com o desenho a traço, e sobre ele um vegetal com indicações das cores, que acabam, sem querer, gerando um belo efeito gráfico. Dentre as relíquias recebidas está uma edição da revista El Cabrito lançada em 1944. Logo na primeira página há uma tirinha do artista, ainda assinada “Renato”, um exemplo de seu início de carreira. A El Cabrito é justamente a primeira revista de humor a publicar os trabalhos do cartunista após sua contratação pelo diário La Hora, no início daquela década.

[caption id="attachment_1770" align="alignnone" width="409"]Original de Nato. Original de Nato.[/caption] [caption id="attachment_1788" align="alignnone" width="228"]Tira de Nato na primeira página de El Cabrito n.153,  1944. Tira de Nato na primeira página de El Cabrito n.153, 1944.[/caption]

Nem todas as revistas enviadas incluem trabalhos de Nato, sendo algumas apenas exemplares de coleção. Em seu conjunto, de qualquer modo, expõem uma rica amostragem da produção de humor da época. São também muito pertinentes pela edição e projeto gráfico que apresentam. Muitas trazem páginas em tons monocromáticos ou com poucas e inusitadas cores. Além de divertidas propagandas, da visualidade retrô típica dos anos 50 e 60 permeando todas as publicações, chama a atenção os ensaios com mulheres de biquíni das páginas da revista chilena Can Can e El Pingüino.

[caption id="attachment_1774" align="alignnone" width="600"]À esquerda, tira de Toribio feita por Nato. Revista Can Can n. 85, 1966. À esquerda, tira de Toribio feita por Nato. Revista Can Can n. 85, 1966.[/caption] [caption id="attachment_1775" align="alignnone" width="600"]Página dupla com desenhos de Nato, Can Can n. 80, 1966. Página dupla com desenhos de Nato, Can Can n. 80, 1966.[/caption]

Com todo esse material em mãos, resolvi mostrar não apenas as informações e o trabalho desse cartunista chileno que tive a honra de conhecer, como também um pouco da cultura visual dessas revistas. Uma retribuição à generosidade de Nato e sua filha, e um modo de colocar em circulação ricas informações que correram o risco de ficar relegadas às minhas lembranças e estantes.

[caption id="attachment_1776" align="alignnone" width="441"]Tira de Insolencio criada por Nato para Nato a El Pingüino n. 262, 1962. Tira de Insolencio criada por Nato para Nato a El Pingüino n. 262, 1962.[/caption]   PÁGINAS SELECIONADAS [caption id="attachment_1769" align="alignnone" width="600"]Página dupla da Can Can n. 80, 1966. Página dupla da Can Can n. 80, 1966.[/caption] [caption id="attachment_1765" align="alignnone" width="457"]Capa de Odduard para a El Cabrito n.153 ,1944. Capa de Odduard para a El Cabrito n.153 ,1944.[/caption] [caption id="attachment_1780" align="alignnone" width="444"]Capa de Pepo para a El Pingüino n. 262, 1962. Capa de Pepo para a El Pingüino n. 262, 1962.[/caption] [caption id="attachment_1787" align="alignnone" width="455"]Terceira capa Rico Tipo n.34, 1945. Terceira capa Rico Tipo n.34, 1945.[/caption] [caption id="attachment_1786" align="alignnone" width="453"]Terceira capa El Cabrito n. 153, 1944. Autor não identificado. Terceira capa El Cabrito n. 153, 1944. Autor não identificado.[/caption] [caption id="attachment_1785" align="alignnone" width="439"]Terceira capa de Rico Tipo n. 320, 1951. Autor não identificado. Terceira capa de Rico Tipo n. 320, 1951. Autor não identificado.[/caption] [caption id="attachment_1784" align="alignnone" width="457"]Quarta capa de El Cabrito n.153, 1944. Autor não identificado. Quarta capa de El Cabrito n.153, 1944. Autor não identificado.[/caption] [caption id="attachment_1783" align="alignnone" width="454"]Quarta capa da Rico Tipo n.34 julho de 1945. Desenho de Juan Dell Acqua. Quarta capa da Rico Tipo n.34 julho de 1945. Desenho de Juan Dell Acqua.[/caption] [caption id="attachment_1779" align="alignnone" width="443"]Capa de Pepo para a Can Can n. 64, 1966. Capa de Pepo para a Can Can n. 64, 1966.[/caption] [caption id="attachment_1778" align="alignnone" width="441"]Página com cartuns de Oski,  Rico Tipo n. 320, 1951. Página com cartuns de Oski, Rico Tipo n. 320, 1951.[/caption] [caption id="attachment_1768" align="alignnone" width="460"]Contracapa da revista El Cabrito n. 153, 1944. Contracapa da revista El Cabrito n. 153, 1944.[/caption] [caption id="attachment_1767" align="alignnone" width="445"]Capa de Divito para a Rico Tipo n. 320, 1951. Capa de Divito para a Rico Tipo n. 320, 1951.[/caption] [caption id="attachment_1766" align="alignnone" width="458"]Capa de Divito para a Rico Tipo n. 34, 1945. Capa de Divito para a Rico Tipo n. 34, 1945.[/caption]

PS – Foi lançado em 2012 o livro “Nato, La sonrisa imborrable”, escrito pela Claudia Valeria e por Jorge Montealegre, jornalista e pesquisador do humor gráfico chileno.

________________________________________________________________________________________________________________________________ Daniel Bueno (1974) é ilustrador, artista gráfico e quadrinista, formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo. Recebeu vários prêmios como a Menção Honrosa na Feira do Livro Infantil de Bolonha (Itália, 2011) e o Prêmio Jabuti. Em 2007 concluiu sua dissertação de mestrado sobre Saul Steinberg na Universidade de São Paulo. http://www.buenozine.com.br [post_title] => Documento: Nato, um cartunista chileno [post_excerpt] => Daniel Bueno narra uma visita emblemática à casa do cartunista chileno Renato Andrade, mais conhecido como Nato (1921-2006). [post_status] => publish [comment_status] => closed [ping_status] => open [post_password] => [post_name] => documento-nato-um-cartunista-chileno-2 [to_ping] => [pinged] => [post_modified] => 2013-12-23 17:54:01 [post_modified_gmt] => 2013-12-23 19:54:01 [post_content_filtered] => [post_parent] => 0 [guid] => http://sib.org.br/?p=1793 [menu_order] => 0 [post_type] => post [post_mime_type] => [comment_count] => 0 [filter] => raw ) [3] => WP_Post Object ( [ID] => 1410 [post_author] => 20 [post_date] => 2013-11-05 15:39:07 [post_date_gmt] => 2013-11-05 17:39:07 [post_content] => AF_PostFacebook_TresCoisasQueEuGosto [post_title] => Três coisas que eu gosto, de Tony Monti, ilustrado por Daniel Bueno [post_excerpt] => Lançamento nesta quarta-feira (06/11), a partir das 18h30, na Livraria da Vila Pinheiros (SP) [post_status] => publish [comment_status] => closed [ping_status] => open [post_password] => [post_name] => lancamento-tres-coisas-que-eu-gosto [to_ping] => [pinged] => [post_modified] => 2013-11-06 09:15:37 [post_modified_gmt] => 2013-11-06 11:15:37 [post_content_filtered] => [post_parent] => 0 [guid] => http://sib.org.br/?p=1410 [menu_order] => 0 [post_type] => post [post_mime_type] => [comment_count] => 0 [filter] => raw ) [4] => WP_Post Object ( [ID] => 1148 [post_author] => 3 [post_date] => 2013-10-08 14:39:49 [post_date_gmt] => 2013-10-08 17:39:49 [post_content] =>

Saul Steinberg sempre foi um observador da cidade e da arquitetura. Cartuns sobre arte, a cidade e suas construções aparecem desde cedo em  publicações italianas como a Bertoldo, e tais temas passaram a ser foco de maior atenção em fases posteriores. Seus desenhos, como notou o crítico de arte Robert Hughes, começaram a apresentar a partir de determinado momento “uma percepção extremamente refinada da convenção arquitetural: as sombras pontiagudas e as complexas e irracionais fachadas de seus edifícios de sonhos no horizonte americano só poderiam ter sido desenhadas por um ex-estudante de arquitetura olhando fixamente com ironia para seu passado.” Esse olhar atento de Steinberg à arquitetura e à cidade levou o crítico de arquitetura Peter Blake a dizer, em seu texto Cartoon Critic - para uma matéria de capa da revista americana Architecture -, que “quase tudo o que já foi dito e escrito sobre arquitetura durante os últimos quarenta anos foi expresso de forma muito melhor, mais clara, de modo mais divertido e incisivo, e muito antes, por este extraordinário artista... e sem o uso de uma só palavra” – as palavras, na verdade, aparecem eventualmente, mas materializadas de modo metalinguístico no desenho. O entusiasmo de Blake foi ainda mais longe, ao afirmar que Saul era, “sem dúvida, o mais brilhante crítico de arquitetura nos Estados Unidos na última metade do século”. Segundo ele, os trabalhos de Steinberg anteciparam, em várias ocasiões por décadas, muito daquilo que mais tarde se traduziria em edifícios e construções reais. Sendo assim, seus desenhos teriam previsto o minimalismo, e os prédios altos totalmente recobertos de vidro, por vinte anos; assim como teriam antecipado os falsos frontões e as coberturas decoradas muito antes que Robert Venturi aparecesse; dentre vários outros exemplos.

[caption id="attachment_1149" align="alignnone" width="400"]Graph Paper Building (1950) Graph Paper Buildings (1950)[/caption]

É difícil precisar até que ponto as  afirmações de Blake são corretas quando ele se refere ao poder premonitório de Steinberg. Quando menciona os “prédios altos totalmente cobertos de vidro” e o “minimalismo”, não há maiores especificidades para  saber ao certo se Blake se refere aos prédios minimalistas de Mies van der Rohe ou aos “cristais” de vidro espelhado de edificações posteriores. “Graph Paper Buildings”, uma importante referência, foi feito em 1950, sendo contemporâneo do edifício de apartamentos de Chicago “Lake Shore Drive” de Mies, construído entre 1948 e 1951. O Lever Brithers Company, projeto pelo escritório Skidmore, Owings & Merril foi levantado em Nova York também naquela época, entre 1951 e 1952. A construção do Seagram de Mies van der Rohe e Philip Johnson data de 1954 e 1956. Se há premonição, ela seria de um ano ao invés de duas décadas. Mas os prédios altos, a idéia da fachada limpa de vidro e de estrutura independente, já eram fatores discutidos há tempos pelos arquitetos. Muitos anos antes, em 1922, os desenhos dos planos visionários de Le Corbusier para uma “cidades de três milhões de habitantes” cobriam o centro da “Cité” com altos prédios minimalistas. Steinberg, formado em arquitetura, teve acesso ao ideário moderno em ebulição, numa faculdade em que, segundo ele, “o trabalho de Le Corbusier era o que mais interessava os estudantes”.

[caption id="attachment_1150" align="alignnone" width="400"]Graph Paper Architecture -(1954) Graph Paper Architecture (1954)[/caption]

De qualquer modo, Blake talvez se refira aos prédios de vidro espelhado, “edifícios de cristal” com superficies minimalistas – muitas vezes azuladas - que de fato despontaram depois na obra de arquitetos como Kevin Roche e Cesar Pelli, no final dos anos 1960. Neste caso, o exagero das cores da cidade refletidas na moderna edificação da capa de 1960 da New Yorker, fruto da capacidade de Steinberg de realçar graficamente o que pretende comentar, realmente parece uma visão do futuro, mesmo que as fachadas de prédios como o Seagram já fossem suficientemente envidraçadas para proporcionar a idéia de reflexo da paisagem exterior.

[caption id="attachment_1151" align="alignnone" width="400"]Capa New Yorker (1960) Capa New Yorker (1960)[/caption]

Trata-se, de fato, de um cronista de olhar aguçado e grande inventividade gráfica, capaz de gerar por vezes no exagero das formas e em mergulhos imaginativos eventuais conexões com o futuro. No entanto, mais pertinente do que o caráter premonitório do artista – e as semelhanças de seus desenhos com prédios construídos posteriormente - parece ser a interpretação gráfica própria e original das transformações urbanas de seu tempo. O desenho “Graph Paper Buildings”, por exemplo, evidencia um Steinberg atento à sua época, às mudanças da sociedade, novos costumes e estilos. E que traduziu suas impressões de modo inteligente, sabendo escolher elementos e recursos gráficos adequados para compor uma caricatura dessas edificações sintéticas de superfície homogênea, de modo a intensificar as suas particularidades mais significativas com humor, numa inovadora metalinguagem como crítica de costumes e de arquitetura.

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Daniel Bueno (1974) é ilustrador, artista gráfico e quadrinista, formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo. Recebeu vários prêmios como a Menção Honrosa na Feira do Livro Infantil de Bolonha (Itália, 2011) e o Prêmio Jabuti. Em 2007 concluiu sua dissertação de mestrado sobre Saul Steinberg na Universidade de São Paulo. http://www.buenozine.com.br

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O artista francês Blexbolex, autor de Cantiga, cedeu uma entrevista exclusiva ao ilustrador e associado da SIB Daniel Bueno, aqui parcialmente reproduzida a partir do blog da Cosac Naify.

Em Cantiga, chama a atenção o modo como você consegue efeitos gráficos belíssimos através da sobreposição de retículas estilizadas e sintéticas manchas de cor. O livro, em seu conjunto, é também muito bonito: o formato, tipografia, a lombada etc. Gostaria de saber um pouco sobre o planejamento e processo de criação desse livro. Você fez muitos esboços? Prevaleceu o trabalho manual ou você recorre bastante ao computador?

Geralmente não faço esboços, prefiro começar a trabalhar minhas imagens imediatamente no computador. Para esse livro, levando em consideração a complexidade do conteúdo narrativo das imagens, tive que fazer alguns esboços (parecidos com desenhos de storyboard) para assegurar que as imagens funcionariam bem nas ideias e composição geral. Neste caso, são desenhos bem pequenos, de alguns centímetros quadrados. Às vezes, a composição desse tipo de desenho é muito complicada, por isso escaneei alguns deles para servir de base às imagens finalizadas. Caso contrário, absolutamente tudo que faço é no computador.

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Cantiga apresenta uma narrativa interessantíssima com palavras soltas que se somam para contar uma história. No livro Saisons (Albin Michel Jeunesse, 2008) a abordagem é outra mas você também explora a relação entre uma imagem e uma palavra por página. De onde vem o interesse por esse tipo de solução e quando começou?

É difícil de responder. Pelo o que eu me lembro, as palavras, a linguagem são coisas que sempre me interessaram, na mesma medida que as imagens. As palavras são ideias (e ainda, isso não é completamente verdade) quando as dizemos, mais quando as escrevemos; são também imagens, por sua grafia, seu tamanho e eventualmente suas cores. E as imagens também são ideias porque elas evocam, mostram, contam. Sem dúvida, isso que estou dizendo é muito pouco e confuso. É uma coisa complexa. Para mim, as imagens são uma maneira de colocar em jogo todas essas coisas, com o objetivo de me surpreender, e aos outros também, caso queiram se prestar ao jogo pelo qual eu os convido a participar.

Você estudou serigrafia na Escola de Belas Artes de Angoulême. Seus primeiros trabalhos para o mercado editorial já exploravam a serigrafia ou houve um processo inicial com tentativas em variadas técnicas?

Eu fiz quadrinhos, um pouco de pintura; também me interessei pelo teatro, pela edição; tentei escrever, fiz um pouco de gravura no metal etc. Enfim, tentei todos os tipos de coisas, principalmente porque não sabia o que eu tinha vontade de fazer, o que pode ser às vezes uma vantagem ou um inconveniente. Em seguida, a oportunidade de trabalhar como tipógrafo em um escritório certamente foi decisiva.

Você apresenta soluções diversas nos trabalhos que faz: em alguns casos há a exploração de retículas e em outros, por exemplo, vemos manchas de cor homogênea, muitas vezes com paleta reduzida. Gostaria que falasse um pouco sobre essas experimentações da técnica de serigrafia: as descobertas, eventuais “erros” aproveitados de modo interessante etc.

Isto pode nos levar muito longe! Digamos simplesmente que a experimentação, o imprevisto (desejado ou não) fazem parte do meu trabalho. Sempre procuro atalhos, formas de sintetizar o que eu sei, o que me leva às vezes a fazer grandes desvios. Os processos que me levam à imagem me fazem sonhar, simplesmente.

* Para conhecer a entrevista na íntegra acesse o blog da CosacNaify. Para conhecer o livro clique aqui.

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Blexbolex (Bernard Granger) nasceu em 1966, em Douai (França). Estudou no Instituto Nacional de Arte Dramática de Paris e prestou um no de serviço militar em Berlim. Formou-se em serigrafia na Escola de Belas Artes de Angoulême. Em 1992, começou a trabalhar como tipógrafo, o que lhe permitiu imprimir seus primeiros trabalhos e publicálos de maneira independente. O autor recebeu muitos prêmios e distinções, entre eles o de Livro Mais Bonito do Mundo por L'imagier des gens (Pessoas, 2008) na Feira do Livro de Leipzig, na Alemanha, onde vive atualmente.

Daniel Bueno (1974) é ilustrador e colaborou com mais de cinquenta revistas e jornais no Brasil e no exterior. Ilustrou três livros premiados com o Jabuti: Um garoto chamado Rorbeto, de Gabriel o Pensador, O melhor time do mundo, de Jorge Viveiros de Castro, e A janela da esquina do meu primo, de E. T. A. Hoffmann.

 
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Entrevista com Blexbolex

O associado da SIB Daniel Bueno entrevista o francês Bernard Granger, autor de “Cantiga”, lançamento da Cosac Naify.

Máscaras: olhe e vista

Daniel Bueno lê os rostos de Bruno Munari e Marcelo Cipis.

Documento: Nato, um cartunista chileno

Daniel Bueno narra uma visita emblemática à casa do cartunista chileno Renato Andrade, mais conhecido como Nato (1921-2006).

Três coisas que eu gosto, de Tony Monti, ilustrado por Daniel Bueno

Lançamento nesta quarta-feira (06/11), a partir das 18h30, na Livraria da Vila Pinheiros (SP)

Steinberg: Crítico de arquitetura e urbanismo

Saul Steinberg sempre foi um observador da cidade e da arquitetura. Cartuns sobre arte, a cidade e suas construções aparecem desde cedo em publicações italianas como a Bertoldo, e tais temas passaram a ser foco de maior atenção em fases posteriores.