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Entrevista com Blexbolex

O artista francês Blexbolex, autor de Cantiga, cedeu uma entrevista exclusiva ao ilustrador e associado da SIB Daniel Bueno, aqui parcialmente reproduzida a partir do blog da Cosac Naify.

Em Cantiga, chama a atenção o modo como você consegue efeitos gráficos belíssimos através da sobreposição de retículas estilizadas e sintéticas manchas de cor. O livro, em seu conjunto, é também muito bonito: o formato, tipografia, a lombada etc. Gostaria de saber um pouco sobre o planejamento e processo de criação desse livro. Você fez muitos esboços? Prevaleceu o trabalho manual ou você recorre bastante ao computador?

Geralmente não faço esboços, prefiro começar a trabalhar minhas imagens imediatamente no computador. Para esse livro, levando em consideração a complexidade do conteúdo narrativo das imagens, tive que fazer alguns esboços (parecidos com desenhos de storyboard) para assegurar que as imagens funcionariam bem nas ideias e composição geral. Neste caso, são desenhos bem pequenos, de alguns centímetros quadrados. Às vezes, a composição desse tipo de desenho é muito complicada, por isso escaneei alguns deles para servir de base às imagens finalizadas. Caso contrário, absolutamente tudo que faço é no computador.

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Cantiga apresenta uma narrativa interessantíssima com palavras soltas que se somam para contar uma história. No livro Saisons (Albin Michel Jeunesse, 2008) a abordagem é outra mas você também explora a relação entre uma imagem e uma palavra por página. De onde vem o interesse por esse tipo de solução e quando começou?

É difícil de responder. Pelo o que eu me lembro, as palavras, a linguagem são coisas que sempre me interessaram, na mesma medida que as imagens. As palavras são ideias (e ainda, isso não é completamente verdade) quando as dizemos, mais quando as escrevemos; são também imagens, por sua grafia, seu tamanho e eventualmente suas cores. E as imagens também são ideias porque elas evocam, mostram, contam. Sem dúvida, isso que estou dizendo é muito pouco e confuso. É uma coisa complexa. Para mim, as imagens são uma maneira de colocar em jogo todas essas coisas, com o objetivo de me surpreender, e aos outros também, caso queiram se prestar ao jogo pelo qual eu os convido a participar.

Você estudou serigrafia na Escola de Belas Artes de Angoulême. Seus primeiros trabalhos para o mercado editorial já exploravam a serigrafia ou houve um processo inicial com tentativas em variadas técnicas?

Eu fiz quadrinhos, um pouco de pintura; também me interessei pelo teatro, pela edição; tentei escrever, fiz um pouco de gravura no metal etc. Enfim, tentei todos os tipos de coisas, principalmente porque não sabia o que eu tinha vontade de fazer, o que pode ser às vezes uma vantagem ou um inconveniente. Em seguida, a oportunidade de trabalhar como tipógrafo em um escritório certamente foi decisiva.

Você apresenta soluções diversas nos trabalhos que faz: em alguns casos há a exploração de retículas e em outros, por exemplo, vemos manchas de cor homogênea, muitas vezes com paleta reduzida. Gostaria que falasse um pouco sobre essas experimentações da técnica de serigrafia: as descobertas, eventuais “erros” aproveitados de modo interessante etc.

Isto pode nos levar muito longe! Digamos simplesmente que a experimentação, o imprevisto (desejado ou não) fazem parte do meu trabalho. Sempre procuro atalhos, formas de sintetizar o que eu sei, o que me leva às vezes a fazer grandes desvios. Os processos que me levam à imagem me fazem sonhar, simplesmente.

* Para conhecer a entrevista na íntegra acesse o blog da CosacNaify. Para conhecer o livro clique aqui.

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Blexbolex (Bernard Granger) nasceu em 1966, em Douai (França). Estudou no Instituto Nacional de Arte Dramática de Paris e prestou um no de serviço militar em Berlim. Formou-se em serigrafia na Escola de Belas Artes de Angoulême. Em 1992, começou a trabalhar como tipógrafo, o que lhe permitiu imprimir seus primeiros trabalhos e publicálos de maneira independente. O autor recebeu muitos prêmios e distinções, entre eles o de Livro Mais Bonito do Mundo por L’imagier des gens (Pessoas, 2008) na Feira do Livro de Leipzig, na Alemanha, onde vive atualmente.

Daniel Bueno (1974) é ilustrador e colaborou com mais de cinquenta revistas e jornais no Brasil e no exterior. Ilustrou três livros premiados com o Jabuti: Um garoto chamado Rorbeto, de Gabriel o Pensador, O melhor time do mundo, de Jorge Viveiros de Castro, e A janela da esquina do meu primo, de E. T. A. Hoffmann.

 

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