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Conheci o trabalho do mexicano Miguel Covarrubias e do paraguaio Andrés Guevara por volta de 2007, quando minhas ilustrações já tinham um estilo definido, caracterizado pelas formas geométricas, colagem e texturas. Foi durante a pesquisa da minha dissertação de mestrado sobre o trabalho de Saul Steinberg que encontrei os desenhos de Covarrubias nas páginas das primeiras edições da revista The New Yorker, e as caricaturas de Guevara em alguns livros sobre o assunto, como o “História da Caricatura no Brasil” de Herman Lima. Ambas obras – assim como a do italiano Paolo Garretto – chamaram minha atenção pelo impacto e força das formas depuradas. O acabamento, com sombreamento de modo a realçar a volumetria dos elementos sintéticos, lembrava até certo ponto minhas colagens, em que peças soltas eram pintadas com tinta acrílica.

[caption id="attachment_4369" align="alignnone" width="212"]Caricatura de Covarrubias para a edição de estréia da The New Yorker, 1925. Caricatura de Covarrubias para a edição de estréia da The New Yorker, 1925.[/caption] [caption id="attachment_4374" align="alignnone" width="209"]Desenho do livro “Método de dibujo. Tradición, resurgimiento y evolución del arte mexicano”, com ilustrações que podem ser de Covarrubias ou de Adolfo Best Maugard, 1923. Desenho do livro “Método de dibujo. Tradición, resurgimiento y evolución del arte mexicano”, com ilustrações que podem ser de Covarrubias ou de Adolfo Best Maugard, 1923.[/caption] 5b

Passei a investigar cada vez mais a produção desses artistas, impressionado pela mestria com que resolviam a composição, e por suas escolhas na hora de trabalhar as formas. Além disso, era interessante observar como esse estilo era atual: as capas do artista mexicano, por exemplo, poderiam ser impressas hoje numa revista sem causar qualquer estranhamento.

[caption id="attachment_4371" align="alignnone" width="231"]Miguel Covarrubias: caricatura de Paul Whiteman, 1924. Miguel Covarrubias: caricatura de Paul Whiteman, 1924.[/caption]

Foi curioso vislumbrar pela primeira vez esses desenhos com contornos geométricos, pois parecia que esses artistas tinham sido muito importantes na formação do meu estilo, quando na verdade só chegaram ao meu conhecimento tardiamente. Imagino que isso ocorra com alguma freqüência com outros ilustradores também. Não deixa de ser um prazer especial encontrar referências tão significativas no meio do caminho. Surge uma certa sensação de cumplicidade, através da percepção de tantas afinidades, de interesses e buscas comuns.

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Como se não bastasse a qualidade e expressividade dos desenhos de Covarrubias e Guevara, com o tempo percebi que ambos haviam sido também pioneiros em dois grandes países do continente americano. Estados Unidos e Brasil receberam, curiosamente no mesmo ano de 1923, artistas importantes por disseminar a caricatura e ilustração com influência cubista nos seus novos mercados editoriais: enquanto o mexicano Covarrubias foi para Nova York, o caricaturista paraguaio Guevara, com 19 anos, chegou ao Rio de Janeiro. Miguel foi importante para o estilo de Al Hirschfeld, Jim Flora e outros; e Andrés influenciou Théo, Nássara, Augusto Rodrigues, Alvarus, e até J. Carlos.

[caption id="attachment_4382" align="alignnone" width="394"]Andrés Guevara: caricatura de Prado Júnior para a capa Andrés Guevara: caricatura de Prado Júnior para a capa[/caption]

Há tempos que queria escrever algo sobre os dois desenhistas. Foi muito oportuno, portanto, o convite feito pela tradutora Maria Aparecida Barbosa, professora doutora de Literatura na Universidade Federal de Santa Catarina, para escrever para a seção temática sobre imagens do Anuário de Literatura da UFSC. Além do artigo, fiz também a capa dessa edição da publicação científica lançada no começo de julho. Os interessados no assunto podem conferir o texto “Miguel Covarrubias e Andrés Guevara: a influência do Cubismo na ilustração editorial do início do século XX” aqui.

[caption id="attachment_4385" align="alignnone" width="354"]Andrés Guevara: caricatura de Sergei Voronov, 1928. Andrés Guevara: caricatura de Sergei Voronov, 1928.[/caption] ________________________________________________________________________________________________________________________________

Daniel Bueno (1974) é ilustrador, artista gráfico e quadrinista, formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo. Recebeu vários prêmios como a Menção Honrosa na Feira do Livro Infantil de Bolonha (Itália, 2011) e o Prêmio Jabuti. Em 2007 concluiu sua dissertação de mestrado sobre Saul Steinberg na Universidade de São Paulo. http://www.buenozine.com.br

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Saul Steinberg sempre foi um observador da cidade e da arquitetura. Cartuns sobre arte, a cidade e suas construções aparecem desde cedo em  publicações italianas como a Bertoldo, e tais temas passaram a ser foco de maior atenção em fases posteriores. Seus desenhos, como notou o crítico de arte Robert Hughes, começaram a apresentar a partir de determinado momento “uma percepção extremamente refinada da convenção arquitetural: as sombras pontiagudas e as complexas e irracionais fachadas de seus edifícios de sonhos no horizonte americano só poderiam ter sido desenhadas por um ex-estudante de arquitetura olhando fixamente com ironia para seu passado.” Esse olhar atento de Steinberg à arquitetura e à cidade levou o crítico de arquitetura Peter Blake a dizer, em seu texto Cartoon Critic - para uma matéria de capa da revista americana Architecture -, que “quase tudo o que já foi dito e escrito sobre arquitetura durante os últimos quarenta anos foi expresso de forma muito melhor, mais clara, de modo mais divertido e incisivo, e muito antes, por este extraordinário artista... e sem o uso de uma só palavra” – as palavras, na verdade, aparecem eventualmente, mas materializadas de modo metalinguístico no desenho. O entusiasmo de Blake foi ainda mais longe, ao afirmar que Saul era, “sem dúvida, o mais brilhante crítico de arquitetura nos Estados Unidos na última metade do século”. Segundo ele, os trabalhos de Steinberg anteciparam, em várias ocasiões por décadas, muito daquilo que mais tarde se traduziria em edifícios e construções reais. Sendo assim, seus desenhos teriam previsto o minimalismo, e os prédios altos totalmente recobertos de vidro, por vinte anos; assim como teriam antecipado os falsos frontões e as coberturas decoradas muito antes que Robert Venturi aparecesse; dentre vários outros exemplos.

[caption id="attachment_1149" align="alignnone" width="400"]Graph Paper Building (1950) Graph Paper Buildings (1950)[/caption]

É difícil precisar até que ponto as  afirmações de Blake são corretas quando ele se refere ao poder premonitório de Steinberg. Quando menciona os “prédios altos totalmente cobertos de vidro” e o “minimalismo”, não há maiores especificidades para  saber ao certo se Blake se refere aos prédios minimalistas de Mies van der Rohe ou aos “cristais” de vidro espelhado de edificações posteriores. “Graph Paper Buildings”, uma importante referência, foi feito em 1950, sendo contemporâneo do edifício de apartamentos de Chicago “Lake Shore Drive” de Mies, construído entre 1948 e 1951. O Lever Brithers Company, projeto pelo escritório Skidmore, Owings & Merril foi levantado em Nova York também naquela época, entre 1951 e 1952. A construção do Seagram de Mies van der Rohe e Philip Johnson data de 1954 e 1956. Se há premonição, ela seria de um ano ao invés de duas décadas. Mas os prédios altos, a idéia da fachada limpa de vidro e de estrutura independente, já eram fatores discutidos há tempos pelos arquitetos. Muitos anos antes, em 1922, os desenhos dos planos visionários de Le Corbusier para uma “cidades de três milhões de habitantes” cobriam o centro da “Cité” com altos prédios minimalistas. Steinberg, formado em arquitetura, teve acesso ao ideário moderno em ebulição, numa faculdade em que, segundo ele, “o trabalho de Le Corbusier era o que mais interessava os estudantes”.

[caption id="attachment_1150" align="alignnone" width="400"]Graph Paper Architecture -(1954) Graph Paper Architecture (1954)[/caption]

De qualquer modo, Blake talvez se refira aos prédios de vidro espelhado, “edifícios de cristal” com superficies minimalistas – muitas vezes azuladas - que de fato despontaram depois na obra de arquitetos como Kevin Roche e Cesar Pelli, no final dos anos 1960. Neste caso, o exagero das cores da cidade refletidas na moderna edificação da capa de 1960 da New Yorker, fruto da capacidade de Steinberg de realçar graficamente o que pretende comentar, realmente parece uma visão do futuro, mesmo que as fachadas de prédios como o Seagram já fossem suficientemente envidraçadas para proporcionar a idéia de reflexo da paisagem exterior.

[caption id="attachment_1151" align="alignnone" width="400"]Capa New Yorker (1960) Capa New Yorker (1960)[/caption]

Trata-se, de fato, de um cronista de olhar aguçado e grande inventividade gráfica, capaz de gerar por vezes no exagero das formas e em mergulhos imaginativos eventuais conexões com o futuro. No entanto, mais pertinente do que o caráter premonitório do artista – e as semelhanças de seus desenhos com prédios construídos posteriormente - parece ser a interpretação gráfica própria e original das transformações urbanas de seu tempo. O desenho “Graph Paper Buildings”, por exemplo, evidencia um Steinberg atento à sua época, às mudanças da sociedade, novos costumes e estilos. E que traduziu suas impressões de modo inteligente, sabendo escolher elementos e recursos gráficos adequados para compor uma caricatura dessas edificações sintéticas de superfície homogênea, de modo a intensificar as suas particularidades mais significativas com humor, numa inovadora metalinguagem como crítica de costumes e de arquitetura.

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Daniel Bueno (1974) é ilustrador, artista gráfico e quadrinista, formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo. Recebeu vários prêmios como a Menção Honrosa na Feira do Livro Infantil de Bolonha (Itália, 2011) e o Prêmio Jabuti. Em 2007 concluiu sua dissertação de mestrado sobre Saul Steinberg na Universidade de São Paulo. http://www.buenozine.com.br

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Miguel Covarrubias e Andrés Guevara: o cubismo na ilustração

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Steinberg: Crítico de arquitetura e urbanismo

Saul Steinberg sempre foi um observador da cidade e da arquitetura. Cartuns sobre arte, a cidade e suas construções aparecem desde cedo em publicações italianas como a Bertoldo, e tais temas passaram a ser foco de maior atenção em fases posteriores.