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Um atentado terrorista na sede do jornal Charlie Hebdo matou 12 pessoas e feriu 10. Entre os mortos, além de uma psicanalista, um economista, um revisor e dois policiais, os cartunistas Charb, Cabu, Wolinski, Tignous e Honoré. O atentado foi em represália às frequentes charges satirizando o profeta Mohamed e a religião islâmica, na linha extremamente mordaz que caracteriza o semanário.

Os cartunistas do Charlie, assim como aquele dinamarquês que também fez desenho semelhante há alguns anos, tinham uma estranha crença: a de que desenhos satíricos não desencadeiam efeitos concretos no mundo real - como se as críticas desenhadas circulassem apenas no plano das ideias ou do discurso.

Há anos, no programa "Saca-Rolha", entrevistado por Marcelo Tas, Mariana Weickert e Lobão, fui confrontado com a questão que opõe binariamente dois lados irredutíveis: o humor deve ter limites? a religião deve ser respeitada? Respondi que uma charge ofensiva aos radicais islâmicos não seria respondida com outra charge, mas da forma terrorista: explodindo uma estação do metrô e matando pessoas a esmo. Vale a pena praticar o humor sem limites e lavar as mãos, se o atingido revidar de forma violenta e indiscriminada? Cabe ao artista, e ao jornalista, avaliar os efeitos possíveis da publicação no mundo real. Errei o foco da vingança, que foi mais preciso.

"A tolerância é uma virtude burguesa", dizia um amigo publicitário, ex-militante comunista. Enquanto o ofendido pertencer ao mesmo mundo das liberdades democráticas, típico da época histórica em que a classe dominante é a econômica, a pior represália que pode receber um cartum é um processo judicial e uma multa. O Charlie Hebdo vive num mundo iluminista, burguês e racionalista, ainda que animado por uma iconoclastia revolucionária. Não teria sido possível fazer charge com Robespierre no tempo do Terror, mas o ambiente legal e cultural disto que chamam "civilização do Ocidente" permite críticas extremamente violentas à própria estrutura da civilização ocidental, sem que ela se abale muito com isso e até as transforme em negócio rentável e expressão cultural absolutamente aceita.

Como lembra Walter Benjamin: "o aparelho burguês de produção e publicação é capaz de assimilar uma quantidade surpreendente de temas revolucionários e, inclusive, de propagá-los, sem pôr em risco sua própria permanência e a classe que o controla" (citado por Heloísa Buarque de Holanda, "Impressões de Viagem", Editora Brasiliense, pag. 31).

Graças à essa "tolerância burguesa", ativistas do grupo Femen puderam exercer a liberdade de pensamento comemorando a renúncia de Bento XVI de topless na Catedral de Notre Dame de Paris; as militantes foram processadas, mas absolvidas.

Porém, quando o atingido é o radicalismo islâmico, abre-se um fosso civilizacional entre o chargista e seu alvo. Não existe, envolvendo ambos, ambiente legal e cultural que estabeleça as normas polidas que obrigam a responder uma ofensa midiática com outra ofensa midiática. Os cartunistas do Charlie não possuíam poder algum para estabelecer limites à resposta dos ofendidos, moderar sua intensidade, foco e natureza. Não apenas a cultura e a religião são outras; além disso, entre os ofendidos – todos os muçulmanos – havia terroristas.

O terrorismo do radicalismo islâmico não é, como costuma ser interpretado no Ocidente, a expressão exagerada da religião islâmica, mas uma criação do século XX, do pensador Said Kutb, uma das principais influências do Al-Qaeda.

Said Kutb estudou em universidades nos Estados Unidos por dois anos, o que lhe deu subsídios para criar uma obra deplorando a decadência ocidental nos aspectos que lhe pareceram mais repulsivos, como a violência do boxe, o mau gosto nas artes, o apelo sexual no jazz etc. Para tanto, colaboraram intelectuais críticos do Ocidente da esquerda e da direita, como Marx, Nietzsche, Heidegger e o eugenista Alexis Carrel, defensor da pureza racial.

( https://listenandobey.wordpress.com/category/refutations/sayyid-qutb/ )

Muitos muçulmanos não hesitariam em qualificar a doutrina da Fraternidade Muçulmana como herética, um desvio do islamismo. Porém, é a forma que se tornou politicamente dominante, tanto nos governos teocráticos quanto nos grupos terroristas. Por ter como alvo preferencial os Estados Unidos, é a face do Islã que conta com mais admiradores nos meios progressistas ocidentais (o que é bastante bizarro e contraditório, considerando suas leis repressivas contra as mulheres e homossexuais).

O Terrorismo, ensina Lênin, é a "propaganda armada". Não visa derrotar o inimigo militarmente, mas provocar o caos, intimidar a população, manter as forças do inimigo dispersas e ocupadas e utilizar a ação como manifesto ideológico, ou para desviar a atenção do público em determinado momento.

Assim, é ilegítimo atribuir tanto a motivação quanto os meios de ação ao "fundamentalismo religioso". Explodir, metralhar e cortar cabeças não são ações de proselitismo evangelizador, mas a forma de comunicação essencial dos terroristas.

Por isso, interpretar, generalizando, o ataque de cunho nitidamente terrorista, praticado por radicais islâmicos, de modo a abranger as religiões ocidentais devido à irracionalidade que aparenta unir os dois fenômenos, é a utilização desonesta e maniqueísta que busca a todo custo tirar proveito político de uma tragédia, que se inicia com a ingenuidade de artistas que acreditavam estar protegidos pela civilização ocidental (que lhes serve tanto de alvo como de abrigo) para exercitarem a crítica franco-atiradora e anárquica do cartum - e debitar uma chacina de cunho ideológico anti-ocidental, na conta das religiões ocidentais há muito pacificadas e até, em grande parte, parceiras na tarefa demolidora de abalar os pilares do Ocidente.

A inibição de criticar especificamente os radicais islâmicos se deve ao ódio aos Estados Unidos, considerado a quinta-essência da Civilização Ocidental e da Nova Ordem Mundial, que une progressistas e radicais islâmicos. Isto leva a nossa mídia e intelectualidade a procurar bodes expiatórios menos vingativos, do tipo que oferece a outra face e se deixa sacrificar de forma mais cordata.

Quando o cartunista Glauco e seu filho Raoni foram estupidamente assassinados por um frequentador da seita do Santo Daime, ninguém acusou o "fundamentalismo religioso" de ser o mandante do crime. Foi obra de um louco ou de alguém que se fez de louco (para depois racionalmente fugir em direção à fronteira, como faria qualquer assassino são). De fato, o assassino foi preso novamente ano passado, envolvido em roubo de carro e latrocínio. Dizer que Glauco foi morto pelo "fundamentalismo religioso" seria mentira ou estupidez.

Da mesma forma, quem matou Charb, Cabu, Wolinski, Tignous, Honoré e as outras sete pessoas não foi "a fé", mas um enxerto ideológico na fé  – do qual tomou parte a tradição anti-ocidental que o próprio Ocidente ajudou a criar. E não foi uma ideia, foram pessoas e armas, que decidiram materializar sua "crítica radical" não com um lápis, mas da forma como se viu. Execrável e brutal.

Os radicais islâmicos aprenderam a lição que o "Ocidente anti-Ocidental" lhes ensinou; esperar que eles tivessem respondido apenas com as "armas da crítica" é esquecer que a Fraternidade Islâmica não inclui a "Fraternité" gaulesa, apesar do radicalismo que os aproxima em torno do inimigo comum:

"As armas da crítica não podem, de fato, substituir a crítica das armas; a força material tem de ser deposta por força material, mas a teoria também se converte em força material uma vez que se apossa dos homens. A teoria é capaz de prender os homens desde que demonstre sua verdade face ao homem, desde que se torne radical. Ser radical é atacar o problema em suas raízes. Para o homem, porém, a raiz é o próprio homem. A prova evidente do radicalismo da teoria alemã e, portanto, de sua energia prática, consiste em saber partir decididamente da superação positiva da religião."

(Karl Marx, "Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel")

[caption id="attachment_6684" align="alignnone" width="287"]"Eu só penso..." "Naquilo!" "Eu só penso..."
"Naquilo!"[/caption] ________________________________________________________________________________________________________________________________

SPACCA é cartunista e ilustrador, autor dos livros em HQ Santô e os Pais da Aviação, Debret, As Barbas do Imperador e D.João Carioca (ambos em parceria com Lília Schwarcz) e Jubiabá, adaptação da obra de Jorge. Também faz ilustrações publicitárias, editoriais e personagens. http://jubiaba.blogspot.com

[post_title] => Não foi a fé, foi o terror que matou Wolinski [post_excerpt] => É ingenuidade acreditar que o ofendido de uma charge, se pertencer a um grupo terrorista, irá responder dentro das normas polidas do debate cultural vigente na Civilização Ocidental que desejam destruir. O assassinato brutal dos cartunistas franceses mostra que as idéias circulam e desencadeiam efeitos muito concretos no mundo real. [post_status] => publish [comment_status] => closed [ping_status] => open [post_password] => [post_name] => nao-foi-a-fe-foi-o-terror-que-matou-wolinski [to_ping] => [pinged] => [post_modified] => 2015-01-13 17:57:48 [post_modified_gmt] => 2015-01-13 19:57:48 [post_content_filtered] => [post_parent] => 0 [guid] => http://sib.org.br/?p=6683 [menu_order] => 0 [post_type] => post [post_mime_type] => [comment_count] => 0 [filter] => raw ) [1] => WP_Post Object ( [ID] => 5628 [post_author] => 2 [post_date] => 2014-09-30 17:18:36 [post_date_gmt] => 2014-09-30 20:18:36 [post_content] => [caption id="attachment_5631" align="alignnone" width="441"]pintura de Giotto Pintura de Giotto[/caption]

Ajoelhado, o monge ergue mãos e contempla o céu: uma figura celeste com três pares de asas paira sobre a paisagem montanhosa.  Das mãos, pés e flanco do personagem voador, partem raios que atingem as mãos, pés e flanco do monge, que não parece assustado: antes, parece colocar-se em posição receptiva, disposto a sofrer o impacto dos raios.

Raios? Foi a primeira coisa em que pensei, mas agora me dou conta de que não podem ser raios. Não são relâmpagos como os disparados por Zeus, e não havia raio laser na baixa Idade Média... Talvez sejam fios de ouro, ou simples linhas de correspondência entre as feridas do monge e as chagas de Cristo.

A pintura é do florentino  Giotto di Bondone (1267-1337), foi pintada por volta de 1295 com óleo e ouro sobre madeira, está no Louvre e pretende retratar um acontecimento real da vida de S. Francisco de Assis – um fenômeno místico, na interface do plano temporal com a eternidade, conhecido como "estigmatização".

Em 14 de setembro de 1224, Francisco meditava no monte Alverno e teve a visão de um serafim de seis asas, e no centro a figura de Cristo; ao final da meditação, as marcas da crucificação haviam ficado impressas em seu corpo, o que lhe causava muita vergonha e sofrimento físico. Segundo a “Legenda Dourada” de Jacopo de Varazze, o santo procurou ocultar de todos esses estigmas, cuja existência real, vista por poucos durante sua vida, foi testemunhada por muitos após sua morte (este mesmo fenômeno ocorreu com outros santos, sendo o mais recente o santo Padre Pio de Pietrelcina, em 1918, cujas chagas se mantiveram frescas e sem corrupção por 50 anos).

[caption id="attachment_5634" align="alignnone" width="600"]Padre Pio recebe a Transverberação Padre Pio recebe a Transverberação[/caption]

Padre Pio, assim como Santa Teresa d’Ávila (1515-1582), relataram que um anjo lhes atirou algo parecido com um finíssimo dardo de ouro com fogo na ponta. A ferida não fechava, não infeccionava e exalava cheiro de flores. Assim, talvez com S. Francisco também fosse algo que se arremessasse.

[caption id="attachment_5635" align="alignnone" width="480"]Êxtase de Santa Teresa, escultura de Bernini Êxtase de Santa Teresa, escultura de Bernini[/caption]

Giotto posicionou de forma didática seus personagens, de forma que todos os pontos de emissão e recepção dos raios ficassem visíveis. Porém, nenhum “efeito especial” indica que o serafim está sendo visto apenas pelos “olhos da inteligência” ou que é uma realidade espiritual; o anjo parece tão corpóreo quanto uma águia; o único elemento que evoca transcendência é a aura dourada, presente tanto no anjo como no monge.

Contudo, na parte de baixo do painel vemos uma série de três quadros. O primeiro representa um sonho: o papa Inocêncio III sonha com Francisco escorando a igreja de Latrão que ameaça desmoronar. Os outros são o papa autorizando a criação da ordem, e Francisco pregando aos pássaros.

[caption id="attachment_5630" align="alignnone" width="788"]painel de São Francisco, Giotto (detalhe) Painel de São Francisco, Giotto (detalhe)[/caption]

Tanto a visão mística como o sonho são desenhados com o mesmo naturalismo; não temos “nuvens de pensamento” ou qualquer recurso gráfico que indique sua natureza onírica ou transcendente. Enquanto o papa dorme, o que ele sonha aparece do lado de fora do quarto, como num teatrinho; e a experiência mística, por definição apenas perceptível nos derradeiros graus da contemplação religiosa, parece flutuar na paisagem como um OVNI.

Figuras celestes emitindo raios se tornaram figuras populares nos comics do século XX. Remetem, porém, a utopias científicas: são raios de energia, às vezes acionados por aparelhos nos punhos.

[caption id="attachment_5632" align="alignnone" width="395"]Space Ghost Space Ghost[/caption] [caption id="attachment_5629" align="alignnone" width="908"]HQ heróis HQ heróis[/caption]

É curioso ver as reminiscências religiosas que acompanham os super-heróis e seus poderes. Seria interminável listar as inspirações ou coincidências desses mitos modernos com os ícones religiosos de todos os tempos. Vejamos apenas um caso: o Homem de Ferro, talvez uma atualização do Homem de Lata do Mágico de Oz, com seu coração ameaçado por estilhaços de bomba e mantido vivo por um reator, e o Sagrado Coração de Jesus, envolto por espinhos e soltando labaredas. Desde os egípcios, que representavam o coração como um vaso contendo energia vital, este órgão é visto como o "sol do corpo", sede da vitalidade, da energia criadora e do amor, significado não inteiramente apagado da imaginação coletiva e da linguagem, por mais que se implantem pontes de safena para prolongar sua existência.

É a persistência do sagrado nos mitos modernos? Ou a aspiração da ciência a se tornar a próxima religião?

[caption id="attachment_5636" align="alignnone" width="600"]o simbolismo solar do coração, no Homem de Ferro e no Sagrado Coração de Jesus: centro de energia irradiante, centro do ser O simbolismo solar do coração, no Homem de Ferro e no Sagrado Coração de Jesus: centro de energia irradiante, centro do ser[/caption]   ________________________________________________________________________________________________________________________________ SPACCA é cartunista e ilustrador, autor dos livros em HQ Santô e os Pais da Aviação, Debret, As Barbas do Imperador e D.João Carioca (ambos em parceria com Lília Schwarcz) e Jubiabá, adaptação da obra de Jorge. Também faz ilustrações publicitárias, editoriais e personagens. http://jubiaba.blogspot.com [post_title] => Raios do Céu: dos santos medievais aos heróis do gibi [post_excerpt] => [post_status] => publish [comment_status] => closed [ping_status] => open [post_password] => [post_name] => raios-do-ceu-dos-santos-medievais-aos-herois-do-gibi [to_ping] => [pinged] => [post_modified] => 2014-09-30 19:34:29 [post_modified_gmt] => 2014-09-30 22:34:29 [post_content_filtered] => [post_parent] => 0 [guid] => http://sib.org.br/?p=5628 [menu_order] => 0 [post_type] => post [post_mime_type] => [comment_count] => 0 [filter] => raw ) [2] => WP_Post Object ( [ID] => 5381 [post_author] => 20 [post_date] => 2014-09-11 20:33:31 [post_date_gmt] => 2014-09-11 23:33:31 [post_content] =>

Idealizado e organizado pelo ilustrador e cartunista Rice Araújo, o Ilustracon tem como proposta apresentar a carreira, o olhar e a experiência de alguns dos mais destacados ilustradores profissionais brasileiros, atuantes em diversos segmentos e mercados. O 1º Congresso Online de Ilustração apresentará uma série de palestras online e gratuitas a partir do dia 22 de setembro. Para conferir os bastidores da ilustração publicitária, científica, didática, editorial, cartum, caricatura, 3D e outras expressões, basta se inscrever no Ilustracon. Entre os diversos palestrantes convidados estão alguns associados da SIB: Ricardo Soares, Gilberto Lefevre, Mônica Fuchshuber, Spacca, Mauro Souza e Orlando Pedroso.

> + informações:

Rice Araujo [Ilustracon] <contato@ilustracon.com.br> fanpage. [caption id="attachment_5388" align="aligncenter" width="720"]Ilustração de Gilberto Lefrevre Ilustração de Gilberto Lefrevre[/caption]   PALESTRANTES & TEMAS CONFIRMADOS KAKO – A ilustração made in Brazil – Participação especial de sua agente internacional Sari Levy-Schorr (Levy Creative Management) ORLANDO PEDROSO – O ilustrador como autor MARCIO GUERRA / MAURO SOUZA – A ilustração como arte MIKE AZEVEDO – Ilustração para games SPACCA – Adaptação de literatura para quadrinhos MARCOS SAMPAIO / EDUARDO BARONI – Os bastidores da Ilustração 3D – Estúdio Notan MARCATTI – HQ independente: controlando 100% do processo LAUDO FERREIRA – HQ – fazendo arte em parceria MANOHEAD – Caricatura – trabalhando arte e humor de forma séria FERNANDA GUEDES – Ilustração editorial JOÃO CARLOS MATTIAS – Cenografia: a arte saindo do papel FABIO COALA – Segredos do webcomics KLEBS JUNIOR – HQ – Brasileiros no mercado internacional FERNANDES / GILMAR / SERI – Ilustração de humor na imprensa MONICA FUCHSHUBER – O design de superfície MONTALVO MACHADO – A ilustração como profissão NEWTON VERLANGIERI – Os bastidores da ilustração publicitária PAULO BORGES – Didáticos e Literatura: a ilustração a serviço da educação BIRA DANTAS – Ilustração sindical: arte a serviço do trabalhador MARCOS VENCESLAU – HQs, fanzines e oficinas: a arte nas mãos do público GILBERTO LEFEVRE – Os segredos do Storyboard IRIAM STARLING – A ilustração científica no Brasil IVAN QUERINO – Turbinando seu portifólio THAIS LINHARES – O direito autoral na ilustração ALEX CÓI – Dicas de desenho de observação RICARDO SOARES – Dicas de ilustração Digital LUÍS GUSTAVO BARBOSA – Dicas de ilustração Digital   Ricardo   [post_title] => Ilustracon [post_excerpt] => 1º Congresso Online de Ilustração. Palestras online gratuitas, de 22 a 28/09. Confira a programação e inscreva-se! [post_status] => publish [comment_status] => closed [ping_status] => open [post_password] => [post_name] => ilustracon [to_ping] => [pinged] => [post_modified] => 2014-09-12 15:05:08 [post_modified_gmt] => 2014-09-12 18:05:08 [post_content_filtered] => [post_parent] => 0 [guid] => http://sib.org.br/?p=5381 [menu_order] => 0 [post_type] => post [post_mime_type] => [comment_count] => 0 [filter] => raw ) [3] => WP_Post Object ( [ID] => 4159 [post_author] => 2 [post_date] => 2014-05-27 11:44:29 [post_date_gmt] => 2014-05-27 14:44:29 [post_content] => [caption id="attachment_4160" align="alignnone" width="1200"]ilustração para a revista Cultura Inglesa Magazine, provavelmente de 1994. ilustração para a revista Cultura Inglesa Magazine, provavelmente de 1994.[/caption]

Além de notório perna-de-pau, sou profundo desconhecedor de futebol, o que é quase um pecado cívico no País do Futebol. Não tenho time, não torço, não discuto, porém, não obstante, basta lembrar do hino "Noventa Milhões em Ação" para que entrem na tela Cinemascope da minha imaginação jogadores gigantes driblando em câmera lenta, com a inconfundível narração do speaker do Canal Cem (documentário famoso dos cinemas de outrora).

Talvez por isso, e intuindo que, por mais que eu me esforçasse, não consegui crescer no País do Futebol sem que a cultura futebolística me impregnasse a alma, vez por outra fui escalado para compor o time de chargistas e ilustradores que, a cada quatro anos, ilustram na grande imprensa a festa desportiva e cosmopolita da Copa do Mundo.

Cresci sob a égide do Tri, a conquista definitiva da taça Jules Rimet, a consagração do Brasil como País do Futebol e a confirmação da herética doutrina acerca da brasilidade de Deus. Nesse assunto, o mundo inteiro se derrete pelo Brasil - como a Jules Rimet, depois de ter sido roubada da sede da CBF em 1983. Brasil, il, il...

Mas cresci, tentando passar ao largo do futebol em todas as suas formas: a pelada na rua em que morava, os jogos obrigatórios nas aulas de educação física.

Um dia, porém, o futebol me pegou, aproveitando uma das fraquezas do meu caráter: o humor.

Um amigo da escola, o Cláudio, apelidado "Vitasay" por causa de uma propaganda de fortificante na TV, me divertia com suas imitações de um programa chamado "Show de Rádio", que era transmitido pela Jovem Pan em São Paulo. Stevan Sangirardi, Odayr Baptista, Nelson Tatá Alexandre, Carlos Roberto Escova, Serginho Leite e outros humoristas satirizavam jogadores, cartolas, locutores esportivos e astros da MPB. Todos os domingos, passei a escutar pelo menos metade do jogo para assistir às duas seções do programa, no intervalo e no final dos jogos. Ouvia, gravava e depois na escola ficava imitando as imitações, no ginásio com o Cláudio, e depois no segundo grau com outro amigo, o Celso. Com este, a mania foi mais longe: fizemos dezenas de sátiras de música popular satirizando professores, e até arrastei meu amigo a uma visita à Jovem Pan para mostrar nossas músicas ao nosso ídolo Sangirardi - bem mal sucedida, por sinal.

Mas alimentei por muito tempo o sonho de fazer um desenho animado com os personagens do Show de Rádio. Havia um núcleo de personagens para cada time: o corintiano macumbeiro, a italianada do Parmera, o aristocrático torcedor do São Paulo e outros. Eis aqui como eu imaginava esses tipos.

[caption id="attachment_4163" align="alignnone" width="1200"]estudos para os personagens do "Show de Rádio", aproximadamente 1979. estudos para os personagens do "Show de Rádio", aproximadamente 1979.[/caption]

Anos depois, já chargista na Folha de S. Paulo, fui designado para criar charges para a página Gol, ao lado das feras Fernando Gonzales, Glauco e Emílio, para cobrir a Copa de 1986. Nitidamente um peixe fora d'água, fiz o que pude. Além disso, como o Brasil parava para ver a Seleção, no espaço da charge o assunto também era Copa, e meu desenho sobre a derrota brasileira mostrou os empresários Nabi Abi Chedid e Marin, cujos planos também se desvaneceram naquelas fatídicas quartas-de-final.

[caption id="attachment_4162" align="alignnone" width="1200"]página GOL da Folha de S. Paulo, 1986. página GOL da Folha de S. Paulo, 1986.[/caption]   [caption id="attachment_4161" align="alignnone" width="1107"]charge na Folha de S.Paulo, 22 de junho de 1986. charge na Folha de S.Paulo, 22 de junho de 1986.[/caption]

A ilustração que abre este artigo deve ter sido feita em 1994; não é a seleção que efetivamente entrou em campo, mas a que os meus clientes da Cultura Inglesa Magazine queriam que tivesse sido. Por isso vemos o goleiro Zetti, em vez de Taffarel. Como a edição demorava para ficar pronta, esse exercício de premonição era necessário. Contudo, aí estão Romário e Bebeto, naquele característico gesto de embalar um bebê (deixo aos experts a tarefa de precisar o ano, achei mais provável 1994 que 1998).

E assim segui minha carreira, às vezes torcendo a cada quatro anos, mas sempre torcendo para não se lembrarem de mim para desenhar o que não sei.

Mesmo assim, amigos queridos me escalaram para alguns projetos enaltecendo o esporte brasílico-bretão, na certa para compensar o trauma das escalações na escola, em que sempre ficava por último.... No famigerado álbum "Dez na Área" lá estou eu, tentando justificar minha presença misturando futebol com uma esotérica geometria astrológica. E no enciclopédico painel de Jal e Gualberto, "A História do Futebol no Brasil através do Cartum", colaborei com dois desenhos retratando jogadores de 1920.

Não foi difícil que minha inaptidão e desinteresse pelo futebol adotasse, em alguns momentos, a desculpa ideológica de que o futebol era um mal, um fator de alienação, mais um "ópio do povo" (melhor que isso, no chiste do humorista Jorge Nagao no Folhetim dos anos 80, é dizer que o futebol é o Pio do Povo - trocadilho genial que pode evocar muitas coisas: o Canarinho, o pio como manifestação discreta do povo reprimido, etc; era comum ouvir do pai ou mãe bravos: "não quero ouvir nem um pio!").

Hoje, 2014, ano de Copa e segunda Copa no Mundo no Brasil, há um forte movimento nas ruas com o caráter de "anti-Copa", aparentemente reivindicando um melhor destino das verbas públicas. Lembremos, porém, que também é ano de eleições; e não podemos ser ingênuos ao supor que, atendendo ao clamor de uma população que de uma hora para outra "acordou", a presidenta chame a Fifa e diga "não vai ter mais Copa". É portanto, um movimento não reivindicatório (não espera ser de fato atendido), mas sobretudo político, um jogo de pressão para marcar território, criar o caos, manifestar-se ante um público mundial ou sei lá o quê.

Ora, a utilização do esporte pela política é velha como ambos - desde pelo menos o Panis et Circenses dos gladiadores romanos. Sim, o poder costuma pegar carona na glória da Copa - assim fizeram Juscelino, Médici, Lula e Dilma. Mas tanto a Copa (como projeto governamental) como o seu antípoda (como movimento organizado disfarçado de popular), não passam, ambos, de tentativas parasitárias de manipular a opinião pública para propósitos muito distantes de saúde, educação etc. Quem ganhará este jogo de poder, saberemos pelos eventos futuros.

A poucos dias da Copa, diante desse panorama sombrio em que mais uma tradição popular está sendo maculada pela grotesca lógica binária da luta ideológica, eu, o notório perna-de-pau, torço para que a ideia básica de todo esporte - uma guerra apenas virtual - prevaleça.

E adoto, perante os partidos da Copa e da Anticopa, a prudente atitude da Zebrinha da Globo, que desenhei nos idos de 1971:

[caption id="attachment_4164" align="alignnone" width="700"]Zebrinha da Loteria Esportiva, 1971. Zebrinha da Loteria Esportiva, 1971.[/caption]  

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SPACCA é cartunista e ilustrador, autor dos livros em HQ Santô e os Pais da Aviação, Debret, As Barbas do Imperador e D.João Carioca (ambos em parceria com Lília Schwarcz) e Jubiabá, adaptação da obra de Jorge. Também faz ilustrações publicitárias, editoriais e personagens. http://jubiaba.blogspot.com

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É mais um lançamento da Companhia das Letras (Quadrinhos na Cia). Misto de ensaio interpretativo e biografia de d. Pedro II, As barbas do imperador, de Lilia Moritz Schwarcz, foi um marco na historiografia brasileira, apresentando uma visão nova e reveladora de nosso passado. O livro materializava o mito monárquico ao descrever, por exemplo, a construção dos palácios, a mistura de ritos franceses com costumes brasileiros, a maneira como a boa sociedade praticava a arte de bem civilizar-se, a criação de medalhas, emblemas, dísticos e brasões, a participação do monarca e o uso de sua imagem em festas populares. Promovendo um diálogo fértil entre sua argumentação e a riquíssima iconografia da época, a autora mostrava de que maneira a monarquia brasileira se tornou um mito não apenas vigoroso, mas extremamente singular.

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Nesta edição em quadrinhos de As barbas do imperador, Schwarcz volta à parceria com o premiado ilustrador Spacca, na dobradinha que já rendeu o best-seller D. João Carioca. Agora, o ilustrador e associado da SIB Spacca conduz o leitor a um verdadeiro passeio pelos temas do livro, transpondo a linguagem do ensaio e da biografia ao universo das HQs de forma vibrante e esclarecedora. Dezenas de personagens da nossa história circulam pelos desenhos de Spacca, que recriou com fidelidade toda uma época, convertendo documentos, retratos, pinturas e obras arquitetônicas numa narrativa de tirar o fôlego. Ao fim, uma seção de extras amplia a discussão do livro, com textos sobre a Guerra do Paraguai, a escravidão e a fotografia no império, além de uma galeria de personagens do livro e uma alentada cronologia. Confira um excerto da HQ em PDF. Ou confira a entrevista de Spacca no blog do Orlando.

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Sempre tive fascínio por histórias com personagens de países e origens diferentes.

Parece que, quando temos um grupo de estrangeiros interagindo, cada personagem atua como um “embaixador” ou representante caricatural de sua cultura, com suas especialidades e defeitos típicos. Uma caricultura...

Talvez esta predileção seja reflexo da minha família materna. São Paulo acolheu muitos imigrantes: meu avô italiano, administrador de fazenda no Oeste paulista, casou-se com uma russa e, dentre meus nove tios, um é espanhol e o outro suíço. Na família da minha esposa tem português, italiano, espanhol, sírio e japonês. Na origem dessa alegre Babel de sotaques e pratos típicos, sempre se insinua o espectro da pobreza e da guerra, motor de todos os êxodos.

Na HQ, a série de Asterix faz dos tipos nacionais seu assunto principal. Além das viagens que os heróis gauleses fazem para as terras vizinhas, encontrando ou enfrentando Bretões (ingleses), Helvéticos (suíços), Godos (alemães), Hispânicos (espanhóis), Normandos, Belgas, Corsos, Gregos e especialmente Romanos. No álbum “Asterix Legionário” temos um regimento com godo, grego, egípcio, bretão, belga e os nossos dois conhecidos gauleses.

[caption id="attachment_3344" align="alignnone" width="565"]asterix legionario cena de "Asterix Legionário"[/caption]

Eu poderia fazer uma extensa lista de livros, filmes e quadrinhos que exploram esse nicho. Mas como desejo ir o quanto antes para o foco principal deste artigo, vou citar apenas um filme bastante marcante: “Esses homens maravilhosos e suas máquinas voadoras”, comédia britânica de 1966, influência direta sobre o meu “Santô e os pais da Aviação” – aliás, o personagem francês pilota justamente uma “Demoiselle”.

[caption id="attachment_3353" align="alignnone" width="508"]those wonderful 2 cena do filme "Esses Homens Maravilhosos e suas Máquinas Voadoras", o escroque Terry Thomas e seu fiel assecla, do qual não lembro o nome[/caption] [caption id="attachment_3352" align="alignnone" width="864"]ilustração de capa da HQ "Santô" ilustração de capa da HQ "Santô"[/caption]

Tudo isto falei – e disse pouco, perto do que poderia – foi para contar sobre um livro que ainda estou lendo: “Análise Espectral da Europa”, do conde Hermann Keyserling. Achei num sebo a edição em espanhol (“Europa, análisis espectral de um continente”, editora Espasa-Calpe, Madri, 1929). Seu livro mais conhecido pode ser baixado da internet (“Diário de Viagem de um Filósofo”, de 1918, abordando a Ásia, o Mediterrâneo e América do Norte).

“Espectral” aqui não tem o mesmo significado de “espectro” que usei no terceiro parágrafo (aparição, fantasma). A análise é espectral porque mostra o “arco-íris” dos povos europeus, como o prisma na experiência de Newton divide a luz solar numa escala cromática de sete cores.

Não é apenas o livro de um filósofo curioso em férias, um “aristocrata olhando o mundo por um monóculo”, como disse um crítico. “Europa” foi escrito no tenso período entre as duas Grandes Guerras, durante a ascensão do Nazismo e do Fascismo italiano que “declarou sagrado o egoísmo nacional”. Portanto, este livro sobre as diferenças nacionais era um estudo sobre a dificuldade de um povo entender o outro, e procurava mostrar a contribuição específica que cada país poderia dar para a construção de uma Europa pacífica. Comenta o psicanalista suíço Carl Jung (nos ensaios reunidos em “Civilização em Transição”) que “Keyserling defende um retorno a uma visão psicológica do mundo, na qual as nações são vistas como funções, como as variadas atividades e expressões de um só, grande e invisível ser humano.”

A seguir, alguns exemplos de como Keyserling via seus vizinhos e sua própria nação germânica:

O INGLÊS

[caption id="attachment_3345" align="alignnone" width="686"]cena de "Asterix entre os Bretões", desenho de Uderzo e texto de Goscinny cena de "Asterix entre os Bretões", desenho de Uderzo e texto de Goscinny[/caption]

O inglês não perde tempo para agir: age instintivamente, infalivelmente, como um “homem-animal” guiado pelos objetivos práticos. só necessita do intelecto para achar o caminho e ganhar tempo.” Não perde tempo pensando, age sem pensar muito. Em questões políticas é tão seguro “quanto um cão de caça no que se refere às perdizes”. Muitos, até as misses mais lindas, têm “cara de cavalo”.

Por outro lado, a vida social inglesa é a mais comedida da Europa, a conversa mais indireta e impessoal: “Umas tantas frases estereotipadas. Infinitivos. Interjeições animadoras. Desculpas. (...) de maneira alguma devem conter algo pessoalmente ofensivo a alguém. (...) Estar em boas relações com os outros é para o inglês mais importante que todo o resto.” Disto resulta que a vida pessoal fica apartada da vida pública, e “cada um pode pensar como quer, Ninguém se atreve a criticar o outro por seu modo de ser. Pode inclusive ser excêntrico”. Porém, “o hábito de guardar a maior distância possível dos outros degenera involuntariamente na distância perante si mesmo”.

Exemplo de inglês (polido, como naquela escola metida do Harry Potter) falando do tempo:

- “I think I may say without fear of contradiction – at least it seems to me so and I should not wish for anything to hurt anybody’s feelings – that the weather of today may perhaps be safety called not really bad, that would perhaps be saying too much, but somewhat less satisfactory than the weather of yesterday. Don’t you think so too?” (Penso que eu poderia dizer, sem medo de contradição – pelo menos é o que me parece, e eu não desejaria por nada ferir o sentimento de alguém – que o tempo, hoje, talvez possa com segurança ser chamado de não verdadeiramente ruim, o que seria talvez demasiado afirmar, porém, de algum modo, menos satisfatório que o tempo de ontem. Não lhe parece o mesmo?).

O FRANCÊS

[caption id="attachment_3350" align="alignnone" width="644"]desenho de Pat Mallet desenho de Pat Mallet[/caption]

“A França é, em todos os sentidos, essencialmente natureza cultivada, que é justamente o que constitui o jardim.” (...) “A maestria nas artes culinárias, o embelezamento da mulher por meio da moda, a arte da vida social, a linguagem bem cuidada, o cultivo do amor, o imperativo da medida em tudo e a consideração da vaidade alheia, não são senão diversas manifestações de jardinismo”. O francês, como idioma, é uma língua tão clara e transmissível, que “até um francês tonto parece mais inteligente do que é.”

Usando uma fórmula junguiana, Keyserling classifica o francês de “extrovertido intelectual e introvertido emocional”. Traduzindo, isto quer dizer que, apesar de sua linguagem clara e lógica, “sua consciência é mais emocional que intelectual e, como tal, se excita com facilidade e violentamente... (...) Só é possível discutir com um francês compartilhando com ele sua convicção fundamental. (...) É incapaz de neutralidade. (...) Possui a linguagem mais diferenciada do nosso continente e tem extraordinários dotes lógicos. Porém, o fundo inconsciente do seu espírito se acha em um estado de preconceito igualmente extraordinário.

Este amor à forma, à perfeição estável, à beleza racional, faz do francês “o povo mais conservador da Europa”. Por mais revoluções que faça, é o que menos se modifica. “Para ele regem em todos os sentidos o equilíbrio existente, os costumes existentes, o Direito existente, as fronteiras existentes. Toda modificação é perigosa para sua substância... (...) ...sempre viu seu adversário como inimigo da civilização... (...) Como um jardim, a França é um lugar fechado.”

O ESPANHOL

[caption id="attachment_3348" align="alignnone" width="660"]quadrinho de "Asterix na Hispânia" quadrinho de "Asterix na Hispânia"[/caption]

“Quem da França atravessa os Pirineus, passa do jardim ao deserto. (...) Todo morador do deserto é por natureza quixotesco. Quer dizer, sua vida é a imposição do mínimo em sua pequenez obstinada, e portanto, ridícula, frente à imensidão cósmica. (...) Como todo homem que só confia em si mesmo, o espanhol não tem nem pede compaixão. (...) nada foi tão popular na Espanha como a Inquisição; todo movimento de justiça acaba ali inquisitorialmente.”

“O habitante do deserto é duro e ao mesmo tempo fantástico. Porém, antes de tudo tem ânsia de vida, pois o deserto morto grita por vida. Só que este sentimento de vida é totalmente realista. Não sonha com nenhuma alma etérea, sabe que é de carne e sangue. (...) Assim os melhores Cristos espanhóis representam o Salvador agonizando. Junto com a vida afirma o espanhol a morte, junto com a vida ama o sangue, seu símbolo mais imediato. (...) Todo espanhol é ao mesmo tempo dom Quixote e Sancho Pança. Irrealismo extremo e realismo extremo são os dois polos em que se movem sempre sua vida e seu sentimento. (...) Do ponto de vista alemão, Sancho Pança, mais que um aldeão, é um irônico.”

O ALEMÃO

[caption id="attachment_3346" align="alignnone" width="582"]desenho de Wilhelm Busch desenho de Wilhelm Busch[/caption]

Seguindo a tipologia de Jung, Keyserling diz que o alemão é um “pensador introvertido”: por dentro, um poeta, um idealista; por fora, organizado e eficaz como um funcionário do correio.

“O alemão oferece o espetáculo incrível em que cada qual é uma mônada (unidade) sem janelas e a totalidade funciona como uma máquina. (...) O que o caracteriza é a necessidade de segurança exterior própria do introvertido, cuja verdadeira vida se desenvolve no mundo interior.” E ainda: “o alemão tem mais memória que os demais e mais fantasia”, mas na vida social tudo deve funcionar “tão natural e rapidamente como o correio, e, caso se queira personalizar, com o guarda que controla o tráfego num cruzamento.” Daí vêm tanto o Romantismo, como o famoso controle de qualidade alemão.

Assim como aceita a autoridade, o alemão valoriza os professores: “Os alemães não são de forma alguma o povo mais inteligente da Europa; longe disso, seu modelo típico é o camponês sentimental. Mas para nenhum povo da terra significa tanto o intelectual quanto o alemão.” A grande quantidade de filósofos não garante a qualidade: “seguramente a Alemanha produz mais filósofos ruins do que qualquer outro país.”

O experimentador ideal: “todo mundo na Alemanha experimenta de alguma maneira (a Reforma, o Marxismo). No fundo, lhe interessa mais o experimento em si do que o resultado prático. (...) Nenhum laboratório é um lugar agradável.” O perigo do nacional-socialismo emergente: “Nenhum outro povo se deixa conduzir tão sem crítica como ele.”

Mas, por outro lado, é na introversão que florescem os talentos filosóficos e artísticos: “desde sempre, o alemão que se sobressai tem preferido emigrar (...) O alemão de gênio sempre parecerá anti-alemão."

O ITALIANO

[caption id="attachment_3349" align="alignnone" width="678"]cena de "Amarcord", de Fellini cena de "Amarcord", de Fellini[/caption]

Toda casa italiana é uma ilha: “Em toda parte encontramos o isolamento incomparável da casa. Até o hóspede sente que vive nela como uma ostra (...) A Itália é hoje o país europeu em que mais descaradamente dominam as mães e as sogras. Só ali, como na China, as mulheres jovens têm pressa de se tornar sessentonas, para governar por sua vez.” (...) Quem se casa em uma família italiana, se casa, por assim dizer, com todos os seus membros.”

“Falta aos italianos a necessidade de solidão exterior. Todos eles, como os antigos gregos, nasceram para o mercado.”

amarcord-poster

________________________________________________________________________________________________________________________________ SPACCA é cartunista e ilustrador, autor dos livros em HQ Santô e os Pais da Aviação, Debret, D. João Carioca (em parceria com Lília Schwarcz) e Jubiabá, adaptação da obra de Jorge. Também faz ilustrações publicitárias, editoriais e personagens. [post_title] => A Caricatura dos Povos [post_excerpt] => Spacca comenta um livro que traça retratos bastante acurados dos "gringos". [post_status] => publish [comment_status] => closed [ping_status] => open [post_password] => [post_name] => a-caricatura-dos-povos [to_ping] => [pinged] => [post_modified] => 2014-04-02 01:00:33 [post_modified_gmt] => 2014-04-02 04:00:33 [post_content_filtered] => [post_parent] => 0 [guid] => http://sib.org.br/?p=3342 [menu_order] => 0 [post_type] => post [post_mime_type] => [comment_count] => 0 [filter] => raw ) ) [post] => WP_Post Object ( [ID] => 6683 [post_author] => 2 [post_date] => 2015-01-08 07:50:34 [post_date_gmt] => 2015-01-08 09:50:34 [post_content] => "Não se pode fazer a crítica das armas com as armas da crítica" Karl Marx

Um atentado terrorista na sede do jornal Charlie Hebdo matou 12 pessoas e feriu 10. Entre os mortos, além de uma psicanalista, um economista, um revisor e dois policiais, os cartunistas Charb, Cabu, Wolinski, Tignous e Honoré. O atentado foi em represália às frequentes charges satirizando o profeta Mohamed e a religião islâmica, na linha extremamente mordaz que caracteriza o semanário.

Os cartunistas do Charlie, assim como aquele dinamarquês que também fez desenho semelhante há alguns anos, tinham uma estranha crença: a de que desenhos satíricos não desencadeiam efeitos concretos no mundo real - como se as críticas desenhadas circulassem apenas no plano das ideias ou do discurso.

Há anos, no programa "Saca-Rolha", entrevistado por Marcelo Tas, Mariana Weickert e Lobão, fui confrontado com a questão que opõe binariamente dois lados irredutíveis: o humor deve ter limites? a religião deve ser respeitada? Respondi que uma charge ofensiva aos radicais islâmicos não seria respondida com outra charge, mas da forma terrorista: explodindo uma estação do metrô e matando pessoas a esmo. Vale a pena praticar o humor sem limites e lavar as mãos, se o atingido revidar de forma violenta e indiscriminada? Cabe ao artista, e ao jornalista, avaliar os efeitos possíveis da publicação no mundo real. Errei o foco da vingança, que foi mais preciso.

"A tolerância é uma virtude burguesa", dizia um amigo publicitário, ex-militante comunista. Enquanto o ofendido pertencer ao mesmo mundo das liberdades democráticas, típico da época histórica em que a classe dominante é a econômica, a pior represália que pode receber um cartum é um processo judicial e uma multa. O Charlie Hebdo vive num mundo iluminista, burguês e racionalista, ainda que animado por uma iconoclastia revolucionária. Não teria sido possível fazer charge com Robespierre no tempo do Terror, mas o ambiente legal e cultural disto que chamam "civilização do Ocidente" permite críticas extremamente violentas à própria estrutura da civilização ocidental, sem que ela se abale muito com isso e até as transforme em negócio rentável e expressão cultural absolutamente aceita.

Como lembra Walter Benjamin: "o aparelho burguês de produção e publicação é capaz de assimilar uma quantidade surpreendente de temas revolucionários e, inclusive, de propagá-los, sem pôr em risco sua própria permanência e a classe que o controla" (citado por Heloísa Buarque de Holanda, "Impressões de Viagem", Editora Brasiliense, pag. 31).

Graças à essa "tolerância burguesa", ativistas do grupo Femen puderam exercer a liberdade de pensamento comemorando a renúncia de Bento XVI de topless na Catedral de Notre Dame de Paris; as militantes foram processadas, mas absolvidas.

Porém, quando o atingido é o radicalismo islâmico, abre-se um fosso civilizacional entre o chargista e seu alvo. Não existe, envolvendo ambos, ambiente legal e cultural que estabeleça as normas polidas que obrigam a responder uma ofensa midiática com outra ofensa midiática. Os cartunistas do Charlie não possuíam poder algum para estabelecer limites à resposta dos ofendidos, moderar sua intensidade, foco e natureza. Não apenas a cultura e a religião são outras; além disso, entre os ofendidos – todos os muçulmanos – havia terroristas.

O terrorismo do radicalismo islâmico não é, como costuma ser interpretado no Ocidente, a expressão exagerada da religião islâmica, mas uma criação do século XX, do pensador Said Kutb, uma das principais influências do Al-Qaeda.

Said Kutb estudou em universidades nos Estados Unidos por dois anos, o que lhe deu subsídios para criar uma obra deplorando a decadência ocidental nos aspectos que lhe pareceram mais repulsivos, como a violência do boxe, o mau gosto nas artes, o apelo sexual no jazz etc. Para tanto, colaboraram intelectuais críticos do Ocidente da esquerda e da direita, como Marx, Nietzsche, Heidegger e o eugenista Alexis Carrel, defensor da pureza racial.

( https://listenandobey.wordpress.com/category/refutations/sayyid-qutb/ )

Muitos muçulmanos não hesitariam em qualificar a doutrina da Fraternidade Muçulmana como herética, um desvio do islamismo. Porém, é a forma que se tornou politicamente dominante, tanto nos governos teocráticos quanto nos grupos terroristas. Por ter como alvo preferencial os Estados Unidos, é a face do Islã que conta com mais admiradores nos meios progressistas ocidentais (o que é bastante bizarro e contraditório, considerando suas leis repressivas contra as mulheres e homossexuais).

O Terrorismo, ensina Lênin, é a "propaganda armada". Não visa derrotar o inimigo militarmente, mas provocar o caos, intimidar a população, manter as forças do inimigo dispersas e ocupadas e utilizar a ação como manifesto ideológico, ou para desviar a atenção do público em determinado momento.

Assim, é ilegítimo atribuir tanto a motivação quanto os meios de ação ao "fundamentalismo religioso". Explodir, metralhar e cortar cabeças não são ações de proselitismo evangelizador, mas a forma de comunicação essencial dos terroristas.

Por isso, interpretar, generalizando, o ataque de cunho nitidamente terrorista, praticado por radicais islâmicos, de modo a abranger as religiões ocidentais devido à irracionalidade que aparenta unir os dois fenômenos, é a utilização desonesta e maniqueísta que busca a todo custo tirar proveito político de uma tragédia, que se inicia com a ingenuidade de artistas que acreditavam estar protegidos pela civilização ocidental (que lhes serve tanto de alvo como de abrigo) para exercitarem a crítica franco-atiradora e anárquica do cartum - e debitar uma chacina de cunho ideológico anti-ocidental, na conta das religiões ocidentais há muito pacificadas e até, em grande parte, parceiras na tarefa demolidora de abalar os pilares do Ocidente.

A inibição de criticar especificamente os radicais islâmicos se deve ao ódio aos Estados Unidos, considerado a quinta-essência da Civilização Ocidental e da Nova Ordem Mundial, que une progressistas e radicais islâmicos. Isto leva a nossa mídia e intelectualidade a procurar bodes expiatórios menos vingativos, do tipo que oferece a outra face e se deixa sacrificar de forma mais cordata.

Quando o cartunista Glauco e seu filho Raoni foram estupidamente assassinados por um frequentador da seita do Santo Daime, ninguém acusou o "fundamentalismo religioso" de ser o mandante do crime. Foi obra de um louco ou de alguém que se fez de louco (para depois racionalmente fugir em direção à fronteira, como faria qualquer assassino são). De fato, o assassino foi preso novamente ano passado, envolvido em roubo de carro e latrocínio. Dizer que Glauco foi morto pelo "fundamentalismo religioso" seria mentira ou estupidez.

Da mesma forma, quem matou Charb, Cabu, Wolinski, Tignous, Honoré e as outras sete pessoas não foi "a fé", mas um enxerto ideológico na fé  – do qual tomou parte a tradição anti-ocidental que o próprio Ocidente ajudou a criar. E não foi uma ideia, foram pessoas e armas, que decidiram materializar sua "crítica radical" não com um lápis, mas da forma como se viu. Execrável e brutal.

Os radicais islâmicos aprenderam a lição que o "Ocidente anti-Ocidental" lhes ensinou; esperar que eles tivessem respondido apenas com as "armas da crítica" é esquecer que a Fraternidade Islâmica não inclui a "Fraternité" gaulesa, apesar do radicalismo que os aproxima em torno do inimigo comum:

"As armas da crítica não podem, de fato, substituir a crítica das armas; a força material tem de ser deposta por força material, mas a teoria também se converte em força material uma vez que se apossa dos homens. A teoria é capaz de prender os homens desde que demonstre sua verdade face ao homem, desde que se torne radical. Ser radical é atacar o problema em suas raízes. Para o homem, porém, a raiz é o próprio homem. A prova evidente do radicalismo da teoria alemã e, portanto, de sua energia prática, consiste em saber partir decididamente da superação positiva da religião."

(Karl Marx, "Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel")

[caption id="attachment_6684" align="alignnone" width="287"]"Eu só penso..." "Naquilo!" "Eu só penso..."
"Naquilo!"[/caption] ________________________________________________________________________________________________________________________________

SPACCA é cartunista e ilustrador, autor dos livros em HQ Santô e os Pais da Aviação, Debret, As Barbas do Imperador e D.João Carioca (ambos em parceria com Lília Schwarcz) e Jubiabá, adaptação da obra de Jorge. Também faz ilustrações publicitárias, editoriais e personagens. http://jubiaba.blogspot.com

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Não foi a fé, foi o terror que matou Wolinski

É ingenuidade acreditar que o ofendido de uma charge, se pertencer a um grupo terrorista, irá responder dentro das normas polidas do debate cultural vigente na Civilização Ocidental que desejam destruir. O assassinato brutal dos cartunistas franceses mostra que as idéias circulam e desencadeiam efeitos muito concretos no mundo real.

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