SIBSIB

WP_Query Object ( [query_vars] => Array ( [tag] => mariana-massarani [error] => [m] => [p] => 0 [post_parent] => [subpost] => [subpost_id] => [attachment] => [attachment_id] => 0 [name] => [pagename] => [page_id] => 0 [second] => [minute] => [hour] => [day] => 0 [monthnum] => 0 [year] => 0 [w] => 0 [category_name] => [cat] => [tag_id] => 69 [author] => [author_name] => [feed] => [tb] => [paged] => 0 [comments_popup] => [meta_key] => [meta_value] => [preview] => [s] => [sentence] => [fields] => [menu_order] => [category__in] => Array ( ) [category__not_in] => Array ( ) [category__and] => Array ( ) [post__in] => Array ( ) [post__not_in] => Array ( ) [tag__in] => Array ( ) [tag__not_in] => Array ( ) [tag__and] => Array ( ) [tag_slug__in] => Array ( [0] => mariana-massarani ) [tag_slug__and] => Array ( ) [post_parent__in] => Array ( ) [post_parent__not_in] => Array ( ) [author__in] => Array ( ) [author__not_in] => Array ( ) [ignore_sticky_posts] => [suppress_filters] => [cache_results] => 1 [update_post_term_cache] => 1 [update_post_meta_cache] => 1 [post_type] => [posts_per_page] => 6 [nopaging] => [comments_per_page] => 50 [no_found_rows] => [order] => DESC ) [tax_query] => WP_Tax_Query Object ( [queries] => Array ( [0] => Array ( [taxonomy] => post_tag [terms] => Array ( [0] => mariana-massarani ) [include_children] => 1 [field] => slug [operator] => IN ) ) [relation] => AND ) [meta_query] => WP_Meta_Query Object ( [queries] => Array ( ) [relation] => ) [date_query] => [post_count] => 1 [current_post] => -1 [in_the_loop] => [comment_count] => 0 [current_comment] => -1 [found_posts] => 1 [max_num_pages] => 1 [max_num_comment_pages] => 0 [is_single] => [is_preview] => [is_page] => [is_archive] => 1 [is_date] => [is_year] => [is_month] => [is_day] => [is_time] => [is_author] => [is_category] => [is_tag] => 1 [is_tax] => [is_search] => [is_feed] => [is_comment_feed] => [is_trackback] => [is_home] => [is_404] => [is_comments_popup] => [is_paged] => [is_admin] => [is_attachment] => [is_singular] => [is_robots] => [is_posts_page] => [is_post_type_archive] => [query_vars_hash] => 3879c7550c3c0830868314a12efd5999 [query_vars_changed] => [thumbnails_cached] => [stopwords:private] => [query] => Array ( [tag] => mariana-massarani ) [queried_object] => stdClass Object ( [term_id] => 69 [name] => Mariana Massarani [slug] => mariana-massarani [term_group] => 0 [term_taxonomy_id] => 72 [taxonomy] => post_tag [description] => [parent] => 0 [count] => 1 [filter] => raw ) [queried_object_id] => 69 [request] => SELECT SQL_CALC_FOUND_ROWS sib_posts.ID FROM sib_posts INNER JOIN sib_term_relationships ON (sib_posts.ID = sib_term_relationships.object_id) WHERE 1=1 AND ( sib_term_relationships.term_taxonomy_id IN (72) ) AND sib_posts.post_type = 'post' AND (sib_posts.post_status = 'publish') GROUP BY sib_posts.ID ORDER BY sib_posts.post_date DESC LIMIT 0, 6 [posts] => Array ( [0] => WP_Post Object ( [ID] => 1198 [post_author] => 4 [post_date] => 2013-10-11 14:06:33 [post_date_gmt] => 2013-10-11 17:06:33 [post_content] =>

O que eu mais gosto de observar nos livros ilustrados, além, é claro, da ilustração e do texto ­— sendo ilustrador, sou obrigado a admitir que quando pego um livro é nessa ordem mesmo que eu olho —, é a maneira como ambas as linguagens, textual e visual, podem se articular para, juntas, contar a história.

No que diz respeito à ilustração, às vezes, essa articulação com o texto que constrói a narrativa não acontece apenas na escolha de ângulos para retratar uma cena, a decisão do que ilustrar ou a mera representação de elementos concretos como personagens, objetos, ambientes, etc. Essa articulação também pode envolver o estilo de desenho do ilustrador.

Um dos meus xodós aqui da estante do meu estúdio é o livro Vizinho, vizinha (Companhia das letrinhas, 2002) que tem não um, mas três ilustradores! São eles: Graça Lima, Mariana Massarani e Roger Mello, sendo que o último também escreveu o texto.

Como o próprio nome sugere, o livro narra a história de um vizinho e uma vizinha, que moram em apartamentos de frente um para o outro, separados por um corredor. A história não possui um enredo mirabolante; na verdade, é bastante simples, basicamente uma descrição do que cada um faz durante um dia qualquer. A genialidade está na maneira como o texto e a imagem se juntam para mostrar esse cotidiano e o universo particular de cada um deles.

fsgroi-001-a

Não vou me propor aqui a listar todas as maneiras pelas quais texto e imagem podem se articular, principalmente porque não as conheço em sua totalidade e, também, porque correria o risco de cair em um academicismo desnecessário para este espaço.

Apenas para exemplificar a que estou me referindo, recorro a Maria Alice Faria, professora de pós-graduação na Unesp, que em seu livro Como usar a literatura infantil na sala de aula (Editora Contexto, 2004) sugere uma interessante divisão de articulações entre o texto e a imagem, baseada no volume e complexidade do texto.

Segundo a professora Maria Alice, quando o livro não possui claramente uma função pedagógica (o que justificaria, por exemplo, a imagem repetir o que o texto está dizendo, com a finalidade de auxiliar na alfabetização e que ela denomina  "relação de repetição"), a articulação da imagem com o texto se dá por meio de diferentes relações de complementariedade, isto é, uma linguagem complementa o que a outra não diz ou não quer dizer, de modo a construir a mensagem.

Esta relação de complementariedade varia conforme a extensão do texto.

Por esse princípio, surgem três divisões distintas, pautadas por textos de extensão curta, média e longa, onde a relação de complementariedade é mais intensa no primeiro caso e menos intensa no segundo e no terceiro, admitindo neste último, inclusive, que a imagem possa se restringir a exemplificar, resumir momentos-chaves da história ou mesmo assumir um viés decorativo, por meio de vinhetas e cercaduras.

Para a professora, no texto de extensão curta, voltado para crianças bem pequenas, a imagem tem grande importância na estruturação da narrativa, representando os personagens e suas expressões, assim como ações e detalhes do tempo e espaço em que se desenvolve o enredo, construindo com riqueza a história.

Como esse tipo de texto raramente ultrapassa o número de duas ou três linhas por página dupla, e não pode contar com um volume grande de informações, a imagem é muito importante para contar o que o texto não diz. Por exemplo: o texto pode dizer que o Joãozinho atravessou uma rua; omitindo se o Joãozinho é branco, negro, japonês, qual a roupa que ele está vestindo, se é um dia de frio ou de calor ou se a rua está numa grande capital ou em uma cidade do interior. Nesse caso, a imagem assume a narrativa e se encarrega de passar essas informações.

Mas a ilustração, é claro, não está ali somente para complementar o texto de modo obediente. Quando isso ocorre, o resultado é simplesmente uma imagem utilitária, que cumpre uma função e não acrescenta nada, desperdiçando seu potencial enquanto arte.

Não por acaso, o ilustrador Rui de Oliveira em seu livro Pelos jardins Boboli (Editora Nova Fronteira, 2008), informa que a ilustração não se origina diretamente do texto, mas de sua aura, e que a leitura de uma obra de arte se dá por camadas, níveis, filtros esclarecedores.

Assim, a ilustração permite ir além do texto, acrescentando camadas de leituras que antes poderiam nem existir.

É exatamente dessas camadas de leituras, em especial daquelas que se originam do estilo particular de cada ilustrador, que Vizinho, vizinha se vale para traduzir em imagens um conceito tão complexo como a individualidade.

Dizer graficamente que todas as pessoas são iguais e ao mesmo tempo únicas, por possuírem infinitas particularidades não só físicas mas, principalmente, psicológicas e culturais, não é tarefa fácil.

A solução para tal desafio apresentada no livro é a de cada vizinho ser representado por um ilustrador. No caso, Mariana Massarani se encarregou de dar vida ao vizinho e Graça Lima, à vizinha. Assim, cada personagem, com seu respectivo apartamento, ganhou uma representação única dentro da narrativa, refletindo personalidades diversas. Inclusive, sinal de muita coerência para com o conceito proposto, o corredor é ilustrado por Roger Mello, já que, no entendimento da história, trata-se de um terceiro universo. O estilo característico e plenamente identificável de cada ilustrador emprestou a cada personagem uma personalidade própria.

fsgroi-002-a

Assim, a marca pessoal de cada um dos três ilustradores foi incorporada como parte essencial da narrativa, propondo ao leitor uma via lúdica e subjetiva de apreensão do conceito de individualidade.

O estilo, mais do que simplesmente tornar identificável o desenho de um ilustrador, como visto em Vizinho, vizinha, também pode  contar a história.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Fábio Sgroi é ilustrador, escritor e designer gráfico. Formado em Desenho Industrial, atua na área de livros infantis e juvenis, tendo mais de 100 obras ilustradas publicadas. Contato: fsgroi@terra.com.br. http://www.fabiosgroi.blogspot.com [post_title] => Estilos de desenho também contam história [post_excerpt] => O que eu mais gosto de observar nos livros ilustrados, além, é claro, da ilustração e do texto — sendo ilustrador, sou obrigado a admitir que quando pego um livro é nessa ordem mesmo que eu olho —, é a maneira como ambas as linguagens, textual e visual, podem se articular para, juntas, contar a história. [post_status] => publish [comment_status] => closed [ping_status] => open [post_password] => [post_name] => estilos-de-desenho-tambem-contam-historia [to_ping] => [pinged] => [post_modified] => 2013-11-14 00:01:09 [post_modified_gmt] => 2013-11-14 02:01:09 [post_content_filtered] => [post_parent] => 0 [guid] => http://sib.org.br/?p=1198 [menu_order] => 0 [post_type] => post [post_mime_type] => [comment_count] => 0 [filter] => raw ) ) [post] => WP_Post Object ( [ID] => 1198 [post_author] => 4 [post_date] => 2013-10-11 14:06:33 [post_date_gmt] => 2013-10-11 17:06:33 [post_content] =>

O que eu mais gosto de observar nos livros ilustrados, além, é claro, da ilustração e do texto ­— sendo ilustrador, sou obrigado a admitir que quando pego um livro é nessa ordem mesmo que eu olho —, é a maneira como ambas as linguagens, textual e visual, podem se articular para, juntas, contar a história.

No que diz respeito à ilustração, às vezes, essa articulação com o texto que constrói a narrativa não acontece apenas na escolha de ângulos para retratar uma cena, a decisão do que ilustrar ou a mera representação de elementos concretos como personagens, objetos, ambientes, etc. Essa articulação também pode envolver o estilo de desenho do ilustrador.

Um dos meus xodós aqui da estante do meu estúdio é o livro Vizinho, vizinha (Companhia das letrinhas, 2002) que tem não um, mas três ilustradores! São eles: Graça Lima, Mariana Massarani e Roger Mello, sendo que o último também escreveu o texto.

Como o próprio nome sugere, o livro narra a história de um vizinho e uma vizinha, que moram em apartamentos de frente um para o outro, separados por um corredor. A história não possui um enredo mirabolante; na verdade, é bastante simples, basicamente uma descrição do que cada um faz durante um dia qualquer. A genialidade está na maneira como o texto e a imagem se juntam para mostrar esse cotidiano e o universo particular de cada um deles.

fsgroi-001-a

Não vou me propor aqui a listar todas as maneiras pelas quais texto e imagem podem se articular, principalmente porque não as conheço em sua totalidade e, também, porque correria o risco de cair em um academicismo desnecessário para este espaço.

Apenas para exemplificar a que estou me referindo, recorro a Maria Alice Faria, professora de pós-graduação na Unesp, que em seu livro Como usar a literatura infantil na sala de aula (Editora Contexto, 2004) sugere uma interessante divisão de articulações entre o texto e a imagem, baseada no volume e complexidade do texto.

Segundo a professora Maria Alice, quando o livro não possui claramente uma função pedagógica (o que justificaria, por exemplo, a imagem repetir o que o texto está dizendo, com a finalidade de auxiliar na alfabetização e que ela denomina  "relação de repetição"), a articulação da imagem com o texto se dá por meio de diferentes relações de complementariedade, isto é, uma linguagem complementa o que a outra não diz ou não quer dizer, de modo a construir a mensagem.

Esta relação de complementariedade varia conforme a extensão do texto.

Por esse princípio, surgem três divisões distintas, pautadas por textos de extensão curta, média e longa, onde a relação de complementariedade é mais intensa no primeiro caso e menos intensa no segundo e no terceiro, admitindo neste último, inclusive, que a imagem possa se restringir a exemplificar, resumir momentos-chaves da história ou mesmo assumir um viés decorativo, por meio de vinhetas e cercaduras.

Para a professora, no texto de extensão curta, voltado para crianças bem pequenas, a imagem tem grande importância na estruturação da narrativa, representando os personagens e suas expressões, assim como ações e detalhes do tempo e espaço em que se desenvolve o enredo, construindo com riqueza a história.

Como esse tipo de texto raramente ultrapassa o número de duas ou três linhas por página dupla, e não pode contar com um volume grande de informações, a imagem é muito importante para contar o que o texto não diz. Por exemplo: o texto pode dizer que o Joãozinho atravessou uma rua; omitindo se o Joãozinho é branco, negro, japonês, qual a roupa que ele está vestindo, se é um dia de frio ou de calor ou se a rua está numa grande capital ou em uma cidade do interior. Nesse caso, a imagem assume a narrativa e se encarrega de passar essas informações.

Mas a ilustração, é claro, não está ali somente para complementar o texto de modo obediente. Quando isso ocorre, o resultado é simplesmente uma imagem utilitária, que cumpre uma função e não acrescenta nada, desperdiçando seu potencial enquanto arte.

Não por acaso, o ilustrador Rui de Oliveira em seu livro Pelos jardins Boboli (Editora Nova Fronteira, 2008), informa que a ilustração não se origina diretamente do texto, mas de sua aura, e que a leitura de uma obra de arte se dá por camadas, níveis, filtros esclarecedores.

Assim, a ilustração permite ir além do texto, acrescentando camadas de leituras que antes poderiam nem existir.

É exatamente dessas camadas de leituras, em especial daquelas que se originam do estilo particular de cada ilustrador, que Vizinho, vizinha se vale para traduzir em imagens um conceito tão complexo como a individualidade.

Dizer graficamente que todas as pessoas são iguais e ao mesmo tempo únicas, por possuírem infinitas particularidades não só físicas mas, principalmente, psicológicas e culturais, não é tarefa fácil.

A solução para tal desafio apresentada no livro é a de cada vizinho ser representado por um ilustrador. No caso, Mariana Massarani se encarregou de dar vida ao vizinho e Graça Lima, à vizinha. Assim, cada personagem, com seu respectivo apartamento, ganhou uma representação única dentro da narrativa, refletindo personalidades diversas. Inclusive, sinal de muita coerência para com o conceito proposto, o corredor é ilustrado por Roger Mello, já que, no entendimento da história, trata-se de um terceiro universo. O estilo característico e plenamente identificável de cada ilustrador emprestou a cada personagem uma personalidade própria.

fsgroi-002-a

Assim, a marca pessoal de cada um dos três ilustradores foi incorporada como parte essencial da narrativa, propondo ao leitor uma via lúdica e subjetiva de apreensão do conceito de individualidade.

O estilo, mais do que simplesmente tornar identificável o desenho de um ilustrador, como visto em Vizinho, vizinha, também pode  contar a história.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Fábio Sgroi é ilustrador, escritor e designer gráfico. Formado em Desenho Industrial, atua na área de livros infantis e juvenis, tendo mais de 100 obras ilustradas publicadas. Contato: fsgroi@terra.com.br. http://www.fabiosgroi.blogspot.com [post_title] => Estilos de desenho também contam história [post_excerpt] => O que eu mais gosto de observar nos livros ilustrados, além, é claro, da ilustração e do texto — sendo ilustrador, sou obrigado a admitir que quando pego um livro é nessa ordem mesmo que eu olho —, é a maneira como ambas as linguagens, textual e visual, podem se articular para, juntas, contar a história. [post_status] => publish [comment_status] => closed [ping_status] => open [post_password] => [post_name] => estilos-de-desenho-tambem-contam-historia [to_ping] => [pinged] => [post_modified] => 2013-11-14 00:01:09 [post_modified_gmt] => 2013-11-14 02:01:09 [post_content_filtered] => [post_parent] => 0 [guid] => http://sib.org.br/?p=1198 [menu_order] => 0 [post_type] => post [post_mime_type] => [comment_count] => 0 [filter] => raw ) )

Estilos de desenho também contam história

O que eu mais gosto de observar nos livros ilustrados, além, é claro, da ilustração e do texto — sendo ilustrador, sou obrigado a admitir que quando pego um livro é nessa ordem mesmo que eu olho —, é a maneira como ambas as linguagens, textual e visual, podem se articular para, juntas, contar a história.