SIBSIB

WP_Query Object ( [query_vars] => Array ( [tag] => fabio-sgroi [error] => [m] => [p] => 0 [post_parent] => [subpost] => [subpost_id] => [attachment] => [attachment_id] => 0 [name] => [static] => [pagename] => [page_id] => 0 [second] => [minute] => [hour] => [day] => 0 [monthnum] => 0 [year] => 0 [w] => 0 [category_name] => [cat] => [tag_id] => 64 [author] => [author_name] => [feed] => [tb] => [paged] => 0 [comments_popup] => [meta_key] => [meta_value] => [preview] => [s] => [sentence] => [fields] => [menu_order] => [category__in] => Array ( ) [category__not_in] => Array ( ) [category__and] => Array ( ) [post__in] => Array ( ) [post__not_in] => Array ( ) [tag__in] => Array ( ) [tag__not_in] => Array ( ) [tag__and] => Array ( ) [tag_slug__in] => Array ( [0] => fabio-sgroi ) [tag_slug__and] => Array ( ) [post_parent__in] => Array ( ) [post_parent__not_in] => Array ( ) [author__in] => Array ( ) [author__not_in] => Array ( ) [ignore_sticky_posts] => [suppress_filters] => [cache_results] => 1 [update_post_term_cache] => 1 [update_post_meta_cache] => 1 [post_type] => [posts_per_page] => 6 [nopaging] => [comments_per_page] => 50 [no_found_rows] => [order] => DESC ) [tax_query] => WP_Tax_Query Object ( [queries] => Array ( [0] => Array ( [taxonomy] => post_tag [terms] => Array ( [0] => fabio-sgroi ) [include_children] => 1 [field] => slug [operator] => IN ) ) [relation] => AND ) [meta_query] => WP_Meta_Query Object ( [queries] => Array ( ) [relation] => ) [date_query] => [post_count] => 6 [current_post] => -1 [in_the_loop] => [comment_count] => 0 [current_comment] => -1 [found_posts] => 7 [max_num_pages] => 2 [max_num_comment_pages] => 0 [is_single] => [is_preview] => [is_page] => [is_archive] => 1 [is_date] => [is_year] => [is_month] => [is_day] => [is_time] => [is_author] => [is_category] => [is_tag] => 1 [is_tax] => [is_search] => [is_feed] => [is_comment_feed] => [is_trackback] => [is_home] => [is_404] => [is_comments_popup] => [is_paged] => [is_admin] => [is_attachment] => [is_singular] => [is_robots] => [is_posts_page] => [is_post_type_archive] => [query_vars_hash] => 5984a59c1305efd4fb5157c20e231f41 [query_vars_changed] => [thumbnails_cached] => [stopwords:private] => [query] => Array ( [tag] => fabio-sgroi ) [queried_object] => stdClass Object ( [term_id] => 64 [name] => Fabio Sgroi [slug] => fabio-sgroi [term_group] => 0 [term_taxonomy_id] => 66 [taxonomy] => post_tag [description] => [parent] => 0 [count] => 7 [filter] => raw ) [queried_object_id] => 64 [request] => SELECT SQL_CALC_FOUND_ROWS sib_posts.ID FROM sib_posts INNER JOIN sib_term_relationships ON (sib_posts.ID = sib_term_relationships.object_id) WHERE 1=1 AND ( sib_term_relationships.term_taxonomy_id IN (66) ) AND sib_posts.post_type = 'post' AND (sib_posts.post_status = 'publish') GROUP BY sib_posts.ID ORDER BY sib_posts.post_date DESC LIMIT 0, 6 [posts] => Array ( [0] => WP_Post Object ( [ID] => 6634 [post_author] => 4 [post_date] => 2014-12-23 19:31:54 [post_date_gmt] => 2014-12-23 21:31:54 [post_content] =>

Eu não sei criar sem música.

Quando estou desenhando ou escrevendo, preciso de uma trilha sonora. Às vezes chego a ter uma ideia mas, antes de executá-la, procuro músicas que me auxiliem a traduzir aquelas imagens que imaginei. Além de ajudar a perceber melhor o clima daquilo que pretendo comunicar, me ajudam a mergulhar no trabalho. Provavelmente isso é consequência da minha paixão pelo cinema. Não é à toa que eu vivo assobiando ou cantarolando várias trilhas de filmes.

Ultimamente, ando assobiando esta música aqui, do Howard Shore:

Howard_Shore

Se você a ouvir de olhos fechados, é possível que enxergue direitinho um lugar ao qual ela remete – e não estou me referindo à Terra Média ou ao Condado – porque embora tenha sido composta para um filme específico, tal música pode sugerir um lugar qualquer imaginário talhado pelas emoções, lembranças ou idealizações por ela evocadas.

Em certos filmes, a trilha sonora acaba até assumindo o protagonismo da cena. Cheguei a essa conclusão depois de assistir Interestellar no cinema. A música do Hans Zimmer é marcante em toda a película, mas em uma cena em particular, esta música  foi responsável por 90% da emoção.

hans_zimmer

Na cena em questão, o protagonista precisa desesperadamente acoplar sua nave à estação espacial, mas, devido a uma série de problemas, a tarefa acaba sendo muito difícil. Quanto mais a nave se aproxima do ponto de acoplagem, mais a música segue num crescente, até dominar completamente a cena. Em termos de imagem e direção, a sequência nem é lá grande coisa. Sem dúvida alguma, porém, a música faz tudo virar uma experiência de tirar o fôlego.

Repare que, além de tensão, a música consegue transmitir uma certa solidão e evocar uma espécie de transcendência e amplitude.

Não se preocupe se você não viu o filme. Aposto que, ao ouvir esta música, você sentiu, em maior ou menor grau, algo parecido com o que eu descrevi.

Sendo a música de um filme ou não, ao ouvi-la, você imediatamente imagina a sua própria cena.

Agora ouça AQUI mais outra música da mesma trilha de Interestellar (procure não se deixar influenciar pela imagem do filme, concentre-se apenas tão somente na sua música).

Que imagens, sensações e sentimentos ela estimula? Que história você é capaz de criar a partir dessa audição?

Já criei uma porção de histórias assim.

É por isso que eu uso a música como o meu principal recurso para estimular ideias. Uma imagem vale mais do que mil palavras, mas, às vezes, uma música vale mais do que mil imagens.

Quem desejar conhecer mais sobre essa relação mágica entre imagens e música, segue uma dica enviada pelo meu amigo Mauricio Negro: conferir o livro A Música do Filme, tudo o que você gostaria de saber sobre a música de cinema, de Tony Berchmans (Escritura). Vale a pena também acompanhar a trajetória desse autor, um apaixonado pelo tema, e assistir ao seu espetáculo CINEPIANO, que presta homenagem ao cinema de época, cuja trilha é tocada ao vivo – ragtime, polka, jazz tradicional, entre outros estilos –, sempre sincronizada à ação e emoções da película.

_________________________________________________________________________________________________________________________________________

Fábio Sgroi é ilustrador, escritor e designer gráfico. Formado em Desenho Industrial, atua no segmento de livros infantis e juvenis, tendo mais de 100 obras ilustradas publicadas.

[post_title] => A trilha sonora do texto – Parte 2 [post_excerpt] => [post_status] => publish [comment_status] => closed [ping_status] => open [post_password] => [post_name] => a-trilha-sonora-do-texto-parte-2 [to_ping] => [pinged] => [post_modified] => 2014-12-26 17:03:51 [post_modified_gmt] => 2014-12-26 19:03:51 [post_content_filtered] => [post_parent] => 0 [guid] => http://sib.org.br/?p=6634 [menu_order] => 0 [post_type] => post [post_mime_type] => [comment_count] => 0 [filter] => raw ) [1] => WP_Post Object ( [ID] => 5789 [post_author] => 4 [post_date] => 2014-10-09 14:47:39 [post_date_gmt] => 2014-10-09 17:47:39 [post_content] =>

A história da menininha que, em pleno território selvagem dos Estados Unidos do final do século 19, que precisa ficar dentro de casa o inverno todo porque o frio lá fora era impiedoso, parecia não ter absolutamente nada para agradar a minha filhota de 9 anos. Passando os olhos pelos capítulos antes de iniciar a leitura, notei que a narrativa se ocupava mais em relatar os afazeres domésticos daquela família pobre e corajosa, aos olhos da filha do meio, do que propriamente construir um enredo. Em suma, o livro me pareceu estar mais para um relato documental sobre os hábitos e costumes de um povo numa época e região distantes, do que a costumeira leitura literária em voz alta para os meus filhos antes de dormir.

Pois bem, bastou a leitura do primeiro parágrafo para que Uma casa na floresta nos encantasse de tal maneira que, não raro, nos víamos obrigados a ler mais de um capítulo por noite.

Um dos capítulos, por exemplo, se ocupava em descrever minuciosamente a maneira como a protagonista Laura, e sua irmã mais velha Mary, ajudavam a mãe a preparar uma torta de maçã. Já em outro, descrevia como o pai e o tio retiravam a seiva de uma árvore para que a mãe a fervesse e transformasse no açúcar de bordo, uma iguaria indispensável para atravessar o inverno rigoroso.

Ao mergulhar com minha filha na rotina da família de Laura Ingalls Wilder, autora do livro e protagonista da história, encontrei muitas semelhanças entre a rotina deles e os costumes brasileiros de antigamente que, vira-e-mexe, leio em algum livro do Câmara Cascudo.

O que mais me aguçou a curiosidade, porém, foi a transcrição das letras das músicas que o pai de Laura, Charles – ou "Pa", como as crianças o chamavam –, tocava ao violino.

Ao ler aquelas rimas singelas e inocentes e, alegres na maioria das vezes, ficava imaginando como seria o ritmo. Durante a leitura, num esforço para tentar resgatar a magia daquilo, eu acabava cantarolando os versos, encaixando-os em melodias que conheço, como aquela do O sapo não lava o pé ou Atirei o pau no gato. Ok, admito: o máximo que consegui foi avacalhar com tudo.

Uma pesquisa no Google, contudo, revelou – tal como imaginei – que as músicas relatadas no livro são folclóricas e tradicionais dos EUA. Achei até um CD no itunes, no qual compilaram algumas das músicas dos livros da série (Dá pra ouvir um trechinho de cada uma, clicando no ícone play ao lado de cada faixa).

Encontrei outras coisas interessantes no Youtube, como esta versão de Polly put the kettle on – extraída de um especial da PBS, projeto que visou resgatar as músicas dos livros.

Achei também uma faixa do CD Pa's Fiddlena íntegra: Golden Years are passing by.

Ah, sim! Caso você tenha mais de 35 anos e esteja se perguntando onde foi mesmo que já ouviu o nome da família Ingalls, é provável que tenha sido na série de TV baseada em dois livros da série Little House. Aqui no Brasil foi rebatizada como Os pioneiros.

Para finalizar, e só para não ficar estranho uma Coluna SIB focada em música e literatura, devo acrescentar que são ótimas as ilustrações do Maurício Veneza para os dois livros de Laura Ingalls, aqui lançados pela Best Bolso. :)

_________________________________________________________________________________________________________________________________________

Fábio Sgroi é ilustrador, escritor e designer gráfico. Formado em Desenho Industrial, atua no segmento de livros infantis e juvenis, tendo mais de 100 obras ilustradas publicadas.

Contato: fsgroi@terra.com.br

[post_title] => A trilha sonora do texto - Parte 1 [post_excerpt] => [post_status] => publish [comment_status] => closed [ping_status] => open [post_password] => [post_name] => a-trilha-sonora-do-texto-parte-1 [to_ping] => [pinged] => [post_modified] => 2014-10-09 15:40:27 [post_modified_gmt] => 2014-10-09 18:40:27 [post_content_filtered] => [post_parent] => 0 [guid] => http://sib.org.br/?p=5789 [menu_order] => 0 [post_type] => post [post_mime_type] => [comment_count] => 0 [filter] => raw ) [2] => WP_Post Object ( [ID] => 4238 [post_author] => 4 [post_date] => 2014-06-23 17:16:45 [post_date_gmt] => 2014-06-23 20:16:45 [post_content] =>

Quando eu era pequeno assistia muita novela. Era hábito da família jantar e depois ir todo mundo pra frente da TV acompanhar a "novela das oito", que era como a gente chamava na época a novela que começava depois do Jornal Nacional. Não que eu fosse assíduo espectador. Me lembro de ficar na sala, mas em vez de assistir, rabiscava meus desenhos na mesinha de centro.

Hoje assistir novelas parece coisa de outro mundo pra mim. Não consigo nem me imaginar sentado em frente à TV toda noite para acompanhar aquelas tramas excessivamente arrastadas, com dezenas de cenas repetitivas e intermináveis, e diálogos que na maioria das vezes me parecem pura enrolação. É um compromisso árduo demais para quem já está de saco cheio de compromissos e deseja apenas relaxar. Nesse sentido, prefiro as séries enlatadas norte-americanas, ainda que sejam semanais e exijam menos comprometimento. Apelação por apelação, Revange, com seus capítulos semanais divididos em 22 episódios por temporada, me parece mais palatável do que os 200 capítulos diários de Em família, só para ficar num exemplo.

Que um dia eu já fui noveleiro, isso não dá pra esconder. Também não posso negar que as novelas são um verdadeiro patrimônio da dramaturgia brasileira e que, mesmo de maneira destrambelhada, oferecem algumas reflexões sobre os valores, costumes e tabus da nossa sociedade.

Uma novela que me marcou pra caramba foi Pecado Capital (a versão de 1976, não a refilmeagem de 1998, que já não é da minha época de noveleiro). Porém, o que ficou mesmo em minha memória foi a abertura. A música do Paulinho da Viola, as imagens das notas de dinheiro voando e o logotipo com o nome da novela me causavam grande impressão. Depois que eu vi a cena final da novela, com o Carlão caindo no meio daquela construção abraçado à mala de dinheiro, as cenas das notas voando ficaram ainda mais fortes. Tanto que as imagens passaram a se confundir na minha cabeça. Até rever a cena no Youtube, eu podia jurar que após a sua queda as notas saíam voando pelo céu. Nada a ver. Aliás, do jeito que a cena se remontou na minha memória, seria necessário uma baita equipe de efeitos especiais e tecnologia de ponta para executá-la. Mas foi engraçado perceber como as imagens da abertura complementaram certinho a mensagem do enredo, tudo costurado como uma única cena. A mensagem estava clara e afinada tanto na história quanto na sua tradução na abertura, de modo que uma acabou complementando a outra na memória.

Foi pensando nisso que percebi a baita responsa que é uma abertura de novela: representar em um minuto o mote central de uma história de 200 capítulos, fornecer uma contextualização ao espectador, colocá-lo no clima. E não só: o logotipo vai representar o folhetim em várias outras mídias, de modo que ele precisa ser direto e certeiro. Assim como qualquer outro logotipo que não comunica o conceito correto, e erra o alvo, as pessoas acabam não captando a mensagem e não comprando o produto. Ou, no mínimo, se sentindo enganadas. Nem todas as aberturas de novela acertam, portanto. Uma ou outra chega até a ser sofrível (na boa, embora bem produzida, a abertura de Negocio da China parece um mero recorte de filmes do Jackie Chan, não diz nada e o logotipo é genérico demais, parece coisa de aprendiz de Corel Draw). Outras, no entanto, são muito boas. Tão boas que as guardo na memória, mesmo quando não me fazem lembrar de absolutamente nada sobre as novelas propriamente ditas.

Quase sempre me parece que a abertura consiste na constução da mensagem que irá culminar na conceitualização do logotipo, como sugere a abertura de Plumas & Paetês (1980) e Dancin' Days (1978). Mesmo que você não tenha assistido nenhuma das duas, aposto que é fácil perceber que a trama da primeira se passa no mundo da alta costura e a da segunda, em meio ao fervor das dicotecas. Convenhamos que ambas, aberturas e logotipos, comunicam suas respectivas mensagens com perfeição.

Há, porém, outras aberturas que me parecem apresentar uma mensagem diversa daquela proposta pelo logotipo. Sempre tive tal impressão sobre a abertura de Roque Santeiro (1985). O logotipo remete à questão do personagem Roque Santeiro ser ou não um santo, conforme o espectador saberá no desenrolar da novela. Mas as imagens apresentadas na abertura me parecem tecer um comentário diferente, a respeito da situação dos trabalhadores rurais e o grau de importância que têm aos olhos da sociedade frente à riqueza que produzem. É uma leitura pessoal, é claro, feita a partir do meu repertório cultural. Sinta-se à vontade para divergir, mas acho que esse é o grande barato da imagem: ser direta e ao mesmo tempo ambígua na comunicação, por fornecer uma determinada leitura e sugerir outras mais. Uma imagem, tenho dito, permite essa multiplicidade. E depende de cada leitura, conforme a bagagem, a época e o repertório cultural.

De volta à abertura de Roque Santeiro, a inversão de tamanhos percebida pelo afastamento da câmera, sugere que as pessoas estão presentes, mas que a riqueza gerada pelo seu trabalho é tida como algo mais importante do que elas próprias, que o avanço tecnológico motivado pelo trabalho se presta sobretudo para produzir mais riquezas e não necessariamente para o bem-estar dos trabalhadores. Em outras palavras, as pessoas são relegadas à insignificância! Tanto é que a abertura termina justamente com um congestionamento dentro de uma vitória-régia que, para pelo menos para mim, parece uma piada sobre o desenvolvimento gerado a partir da riqueza, não obrigatoriamente reversível às pessoas, e mesmo insignificante diante da natureza. O fino da ironia é que a logomarca que aparece na moto é justamente a de uma fabricante de tratores, que na época também fabricava motos. Teria sido essa empresa uma das patrocinadoras da novela? Embora eu não disponha de tal informação, aposto que sim. Será então que esse patrocinador não interpretou que o maquinário mostrado na historinha de abertura não serve para gerar bem-estar, que o desenvolvimentismo pode estrangular pessoas feito um congestionamento? É provável que não. Como diria a Perpétua, de Tieta do agreste, personagem de outra novela de sucesso: "Mistééééério…"


Fábio Sgroi é ilustrador, escritor e designer gráfico. Formado em Desenho Industrial, atua no segmento de livros infantis e juvenis, tendo mais de 100 obras ilustradas publicadas.

Contato: fsgroi@terra.com.br

[post_title] => Ilustrador também assiste novela! [post_excerpt] => [post_status] => publish [comment_status] => closed [ping_status] => open [post_password] => [post_name] => ilustrador-tambem-assiste-novela [to_ping] => [pinged] => [post_modified] => 2014-06-26 16:22:36 [post_modified_gmt] => 2014-06-26 19:22:36 [post_content_filtered] => [post_parent] => 0 [guid] => http://sib.org.br/?p=4238 [menu_order] => 0 [post_type] => post [post_mime_type] => [comment_count] => 0 [filter] => raw ) [3] => WP_Post Object ( [ID] => 2725 [post_author] => 4 [post_date] => 2014-01-21 19:13:20 [post_date_gmt] => 2014-01-21 21:13:20 [post_content] =>

Hoje em dia muito se fala a respeito da interatividade nos livros eletrônicos, mas a gente quase nunca lembra que essa qualidade não é exclusiva do mundo digital. Aliás, os livros impressos – em especial, os infantis – podem ser muito interativos! Basta olharmos para o suporte (isto é,  tudo o que compõe um livro impresso: tipo de papel, formato, encadernação, cores etc) e observarmos suas características para logo enxergarmos várias possibilidades.

Eu mesmo tive uma experiência muito interessante com um livro, cujas ilustrações e projeto gráfico são meus, chamado O caso enrolado do menino calado, escrito pelo Jonas Ribeiro e publicado pela editora Suinara. A história fala de uma pulga chamada Amélia que resolve ir morar na orelha esquerda do Beto, um garoto bastante tímido. Embora não seja o foco da história, a questão da pulga morar na orelha do garoto permeia todo o enredo e no fim das contas eu senti que precisava valorizar esse ponto de alguma maneira. Pensando nisso, imaginei duas orelhas diferentes para o livro… No formato de orelhas!

calado01 calado02

Adoro dizer que o livro tem orelhas. Mas o que me surpreendeu mesmo foi que um dia cheguei em casa e encontrei minha filha de nove anos com o livro aberto atrás da nuca, preso na gola da camiseta, de modo que aquelas orelhas enormes pareciam ser as suas! Pensei, então: "Taí um tipo de interatividade que eu não previ".

Evidentemente o uso das especificidades técnicas do livro não se limita a brincar com a narrativa, pode também ajudar no desenvolvimento e  provocar experiências a partir das associações. Por exemplo, o papel do miolo dos livros costumam ter uma certa transparência. Lendo o livro Funções da linguagem (Samira Chalhub, Editora Ática, 2001) me deparei com a releitura que o artista Omar Khouri fez de um poema de Oswald de Andrade, valendo-se justamente da transparência.

ah01 ah02 Fiquei tão entusiasmado com essa sacada que até fiz uma brincadeira parecida que batizei de Abra a janela: tal como no poema relido por Omar Khouri, só vemos o que está na janela quando apontamos o papel contra a luz.

foto

As páginas do livro e a encadernação também oferecem grandes possibilidades como, por exemplo, a deliciosa brincadeira que Leo Lionni faz em Tico y las alas doradas (Editorial Kapelusz, 1975): ao abrir e fechar o livro, compartilha-se com o pássaro o bater de suas asas douradas.

tico01 tico02 tico03

No livro Um garoto chamado Rorbeto (Gabriel o pensador,CosacNaify, 2005), ilustrado pelo meu colega de ColunaSIB Daniel Bueno, há, em especial, uma passagem que faz uso do ato de virar a página para provocar no leitor a mesma surpresa que arrebata o protagonista da história ao constatar que possui seis dedos em uma mão em vez de cinco.

rorberto03rorberto01 rorberto02

Bruno Munari criou várias obras explorando a materialidade dos livros. Um bom exemplo é Nella nebbia di Milano no qual, a partir de um papel semelhante ao nosso papel-manteiga, o artista cria a sensação de se estar andando em meio à neblina.

munari02munari01 Para finalizar, não posso deixar de citar a famosa obra de Peter Newell, O livro inclinado, na qual o autor faz uso de um formato que remete à inclinação da ladeira que provoca toda a confusão da história e dá nome ao livro. Simples, mas muito engraçado.

Newell

Esses são apenas alguns exemplos de interatividade, que tiram proveito do suporte impresso do livro. As possibilidades, é claro, assim como no mundo digital, são ilimitadas…

_________________________________________________________________________________________________________________________________________
Fábio Sgroi é ilustrador, escritor e designer gráfico. Formado em Desenho Industrial, atua na área de livros infantis e juvenis, tendo mais de 100 obras ilustradas publicadas. Contato: fsgroi@terra.com.br. http://www.fabiosgroi.blogspot.com.br

[post_title] => Livro impresso é interativo? [post_excerpt] => [post_status] => publish [comment_status] => closed [ping_status] => open [post_password] => [post_name] => livro-impresso-e-interativo-2 [to_ping] => [pinged] => [post_modified] => 2014-01-21 20:02:52 [post_modified_gmt] => 2014-01-21 22:02:52 [post_content_filtered] => [post_parent] => 0 [guid] => http://sib.org.br/?p=2725 [menu_order] => 0 [post_type] => post [post_mime_type] => [comment_count] => 0 [filter] => raw ) [4] => WP_Post Object ( [ID] => 2010 [post_author] => 4 [post_date] => 2013-12-04 16:59:28 [post_date_gmt] => 2013-12-04 18:59:28 [post_content] =>

É curioso como nos livros infantis a ilustração consegue acrescentar nuanças ao texto.

Na minha coluna anterior chamei a atenção para o caso do livro Leo the late bloomer, no qual a mensagem contida na imagem contradiz a mensagem contida no texto, nascendo desse confronto uma terceira leitura. Conforme afirmei, não tenho conhecimento se o escritor e o ilustrador daquela obra combinaram previamente que uma linguagem estaria em oposição à outra e se o resultado disso foi intencional ou apenas acidental.

Não deixa de ser interessante, porém, observar como uma linguagem consegue contribuir com a outra, podendo inclusive resultar numa mensagem diversa daquela que seria apreendida lendo-se somente uma delas.

Outro bom exemplo, que consigo colher da minha prateleira aqui do estúdio a respeito dessa construção de mensagem a partir de duas linguagens distintas, são as duas edições do livro Chapeuzinho Amarelo, escritas por Chico Buarque.

A versão mais recente foi lançada em 1997 pela José Olympio Editora e ilustrada por Ziraldo.

A primeira é um pouco mais complicada de identificar, porque não traz a data da publicação nem o crédito das ilustrações; credita apenas o escritor (Chico Buarque) e o responsável pelo projeto gráfico do livro, a designer gráfica e jornalista Donatella Berlendis, falecida em 2002. Uma pesquisa rápida pela internet me conduziu ao site da Berlendis & Vertecchia Editores, onde consta a informação de que o livro foi publicado pela primeira vez em 1979 por essa mesma editora (o exemplar que tenho consta como uma publicação do Círculo do livro, e imagino que se trate de uma edição específica para a venda por meio do sistema de clube de compras, pelo qual a empresa ficou conhecida nos anos 1970-80). Quanto às ilustrações, tenho bons motivos para supor que foram feitas pela própria Donatella Berlendis (alguns sites de busca de livros a creditam ao lado de Chico Buarque na referida edição, o que dá mais consistência a essa hipótese). É, entretanto, apenas um palpite; caso alguém tenha uma outra informação, por favor, compartilhe comigo.

chapamarel001

O livro conta a história da Chapeuzinho Amarelo, uma menina que tinha medo de tudo e por isso vivia parada no lugar. Existia, porém, algo que ela temia mais do que tudo: o LOBO! De tanto temer o bicho e pensar nele, certo dia a Chapeuzinho Amarelo acaba mesmo topando com um. Contudo, a menina descobre que aquele LOBO não dava tanto medo assim porque a palavra LO-BO bem que podia se transformar na palavra BO-LO e se tornar uma outra coisa.

A ideia proposta pelo texto é brincar com as palavras, tal como ocorre com a transformação da palavra LOBO, que dá nome à criatura tão temida pela menina, em outra palavra que define algo bem menos terrível de se enfrentar e que a ajuda a superar seus medos.

Por meio da transformação das palavras, dos significados que carregam e das ideias e conceitos que transmitem, Chapeuzinho Amarelo muda seu jeito de pensar e passa a viver de uma outra maneira, brincando com as demais crianças, correndo, subindo em árvores e fazendo uma porção de coisas que antes evitava.

O curioso ao observarmos as duas edições é a contribuição que cada ilustrador dá ao texto (observação extensiva ao projeto gráfico e à diagramação).

Minha impressão é que a edição ilustrada por Ziraldo procura a concretização da palavra por meio da imagem, exemplificando com formas e cores as construções e brincadeiras que o texto propõe com as palavras.

Já a edição da Berlendis & Vertecchia Editores prioriza a palavra escrita e valoriza o branco das páginas, sugerindo o silêncio como um mergulho numa certa introspecção presente também no texto (visto que a história permite a interpretação, entre outras possíveis, ao acompanhamos um momento de reflexão e amadurecimento da menina). As imagens, mais esparsas se comparadas à edição de 1997, buscam mais sugerir do que explicitar as ideias contidas no texto.

chapamarel004

Um bom exemplo está na aparição do lobo.

Ziraldo preocupa-se em materializá-lo, em perfeita sintonia com o fato de ele ser um personagem concreto, ainda que possivelmente imaginário, interagindo com a protagonista. O lobo é personalizado de maneira divertida, e confere uma atmosfera de humor à história.

A edição de 1979 parece ir mais de encontro à ideia de que o lobo possa ser apenas fruto da imaginação da Chapeuzinho Amarelo, uma representação e uma personificação de todos os seus medos. Ele nunca é mostrado em sua totalidade. O que se vê são apenas partes e a construção do desenho, apoiado em linhas sinuosas e sugestivas e sem cores, que reforçam essa sugestão de imaterialidade.

chapamarel008

Enquanto as ilustrações da versão de 1997 marcam a presença do lobo pela sua concretização em todas as páginas onde é citado, as da versão de 1979 reconhecem, no contexto da história, que a palavra LOBO deve ser a portadora principal da representação da criatura, parecendo sugerir ao próprio leitor que se encarregue de ilustrá-lo conforme sua própria imaginação.

Tais opções distintas (e igualmente válidas) me parecem ainda mais evidentes na passagem a seguir.

chapamarel002

Ziraldo na edição de 1997 traduz a transformação da palavra LO BO em BO LO por meio de uma divertida brincadeira com a representação de seus respectivos desenhos em positivo e negativo, parodiando os conceitos da Gestalt.

A edição de 1979 assume a repetição da própria palavra LO-BO (separada silabicamente com hífen) como uma "ilustração"; repete a palavra seguidas vezes até que numa das separações, na quebra de uma linha, a mágica se opera: LO-BO vira BO-LO. A princípio não há ilustração, mas na mente do leitor inevitavelmente se formam as imagens correspondentes às palavras. É como se o livro dissesse: "Ra-rá! Te peguei!"

Para terminar devo frisar que, ao reler a edição de 1979, a imagem que ilustra o que acontece depois que a Chapeuzinho Amarelo supera o seu medo do LOBO chamou muito a minha atenção por dois motivos: primeiro porque é a única imagem do livro que possui outras cores que não amarelo e o preto (ela está impressa em verde e vermelho); segundo porque me fez remeter diretamente à passagem bíblica em que Adão e Eva comem o fruto da árvore proibida.

chapamarel003

Será que essa associação foi intencional ou a ilustração pretendeu somente sublinhar a passagem onde se diz que a Chapeuzinho Amarelo passou a trepar em árvores e roubar frutas? Assim como aconteceu com Leo the late bloomer desconfio que nunca terei certeza da intenção da ilustradora (Donatella Berlendis?) na concepção dessa imagem. Ainda assim, pelo menos para mim, a leitura sugere o amadurecimento da personagem.

Enfim, são leituras...

_________________________________________________________________________________________________________________________________________
Fábio Sgroi é ilustrador, escritor e designer gráfico. Formado em Desenho Industrial, atua na área de livros infantis e juvenis, tendo mais de 100 obras ilustradas publicadas. Contato: fsgroi@terra.com.br. http://www.fabiosgroi.blogspot.com.br
[post_title] => Um texto e duas ilustrações [post_excerpt] => Fábio Sgroi revela outros contornos narrativos oferecidos pelas ilustrações em duas versões diferentes de "Chapeuzinho Vermelho". [post_status] => publish [comment_status] => closed [ping_status] => open [post_password] => [post_name] => um-texto-e-duas-ilustracoes [to_ping] => [pinged] => [post_modified] => 2013-12-04 19:57:08 [post_modified_gmt] => 2013-12-04 21:57:08 [post_content_filtered] => [post_parent] => 0 [guid] => http://sib.org.br/?p=2010 [menu_order] => 0 [post_type] => post [post_mime_type] => [comment_count] => 0 [filter] => raw ) [5] => WP_Post Object ( [ID] => 1474 [post_author] => 4 [post_date] => 2013-11-13 15:29:54 [post_date_gmt] => 2013-11-13 17:29:54 [post_content] =>

Na minha última coluna falei um pouco sobre a relação que o texto e a imagem constroem nos livros infantis para narrar uma história, e de que maneira a imagem pode complementar o que o texto está dizendo. Vou retomar essa ideia para falar de um outro tipo de relacionamento que o texto e a imagem podem estabelecer para contar histórias: uma relação de contradição.

À primeira vista pode parecer estranho e incoerente que a imagem contradiga o que diz o texto, mas quando bem conduzida essa contradição pode acrescentar nuanças interessantes ao sentido das palavras.

Lendo o livro de Sophie Van der Linden Para ler o livro ilustrado (Cosac Naify, 2011), encontrei uma referência a um livro cuja narrativa fazia uso justamente desse tipo de relação e, movido pela curiosidade, fui atrás. Trata-se de um livro infantil escrito por Robert Kraus e ilustrado por  José Aruego chamado  Leo the Late Bloomer (Inglaterra, Windmiee Books, 1971).

leothelatebloomer3

O livro conta a história de Leo, um tigre que demora mais que seus amiguinhos para aprender coisas como ler, escrever, desenhar e falar. O pai, ansioso para ver o filho se desenvolver tal como as outras crianças, permanece o tempo todo observando Leo e fica muito preocupado com essa demora. Mas a mãe nem se importa, pois acredita que Leo conseguirá fazer todas essas coisas quando estiver preparado. Segundo o entendimento dela, ficar ansiosamente observando se o filho apresenta algum sinal de progresso só vai fazer com que aquilo pareça demorar mais para acontecer.

leothelatebloomer4

Em certa passagem, o texto diz que o pai finalmente resolve escutar o conselho da mãe e decide assistir televisão em vez de ficar o tempo todo observando Leo.

A imagem (abaixo), no entanto, mostra que ele continua preocupado e observando o filho.

leothelatebloomer

A partir daí, o texto segue dizendo que o tempo passou e que ninguém mais ficou olhando o que Leo estava fazendo. Mas a ilustração insiste em mostrar o pai, ainda que empenhado em outros afazeres, acompanhando as ações do filho, mesmo que de longe.

A dissonância entre texto e imagem, vista a partir da passagem do sofá, é interessante porque, isoladas, as linguagens apontam caminhos opostos. Se lermos a história exclusivamente pelo texto, diremos que o pai de fato deixou de observar Leo e não se preocupou mais; lendo a história exclusivamente pela imagem, diremos que o pai de Leo não foi capaz de seguir o conselho da mãe e continuou a observar o filho. A leitura que resulta da imagem e do texto juntos, porém, é a de que o pai segue o conselho da mãe (afinal, o texto afirma isso), mas que essa não foi uma decisão fácil, e que ele continuou preocupado e buscando, sempre que possível, observar o filho. A imagem, ainda que sutilmente contradizendo o texto, acrescenta o sentido de que o pai está deixando o filho desenvolver-se por conta própria, mas sem deixar de zelar por ele. Na imagem anterior à da cena do sofá o pai se dedica exclusivamente a olhar o filho e, depois, como é visto na imagem abaixo, apesar de continuar tentando observar, ele aparece fazendo outras coisas.

leothelatebloomer2

A pergunta que me fiz quando folheei este livro foi se houve uma combinação prévia entre o escritor e o ilustrador para que a mensagem fosse construída dessa maneira. Será que eles combinaram previamente que o texto afirmaria uma coisa e a imagem sugeriria outra, resultando em uma terceira mensagem? Ou será que a atitude do pai a partir da imagem do sofá foi uma contribuição do ilustrador, que sugeriu acrescentar essa nuança à leitura?

Tal pergunta surgiu porque a maioria dos livros que ilustro são intermediados pela editora e é muito raro o contato com o escritor antes de o livro estar pronto.

Evidentemente, sempre que pertinente, posso discutir e sugerir ao editor nuanças à história por meio das imagens, mas, conforme disse, é muito rara a troca de ideias com o escritor antes de produzir.

Todavia, isso não impede que um escritor conte com a parceria do ilustrador de uma maneira mais efetiva, como num jogo de futebol onde um passa a bola para o outro marcar o gol.  Isso aconteceu comigo no livro escrito por Ruth Rocha que tive a honra de ilustrar, Borba, o gato (Editora Salamandra, 2009).

Recebi o texto e, como é de costume no segmento de literatura, a editora me deixou muito à vontade para ilustrar (nos livros didáticos, por exemplo, é frequente que o ilustrador seja pautado, isto é, recebe da editora instruções bastante detalhadas sobre o que deve ser desenhado).

Lendo a história tive uma grata surpresa: em determinada passagem o texto dizia que o gato Borba havia aprontado uma bela trapalhada, mas não descrevia qual. Dizia apenas que ele havia feito a trapalhada, e pronto: a ilustração que mostrasse do que se tratava. Fiquei muito feliz em perceber que nenhuma recomendação havia sido dada, de modo que eu estava absolutamente livre para criar a trapalhada que eu quisesse (desde que fosse, é evidente, coerente com o restante do texto). Não sei dizer se foi exatamente por isso, pois nunca conversei com ela a respeito, mas imagino que Ruth Rocha escreveu o texto daquela maneira justamente contando com a participação da imagem, prevendo que, naquela passagem, a piada poderia funcionar de maneira mais eficiente se mostrada por meio visual do que descrita com palavras.

borba01

Voltando a Leo the late bloomer, como citei anteriormente, não tenho conhecimento se o escritor e o ilustrador combinaram previamente o modo como o texto e a imagem colaborariam na narrativa, mas é evidente que o resultado dessa parceria bem articulada tornou a leitura muito mais rica.

________________________________________________________________________________________________________________________________
Fábio Sgroi é ilustrador, escritor e designer gráfico. Formado em Desenho Industrial, atua na área de livros infantis e juvenis, tendo mais de 100 obras ilustradas publicadas. Contato: fsgroi@terra.com.br. http://www.fabiosgroi.blogspot.com [post_title] => Texto e ilustração: dois caminhos e uma mensagem [post_excerpt] => Existem infinitas possibilidades de explorar a relação que as ilustrações estabelecem com as palavras nos livros infantis. Pode enriquecer a obra tirar partido de uma eventual relação de contradição entre as duas narrativas. [post_status] => publish [comment_status] => closed [ping_status] => open [post_password] => [post_name] => texto-e-ilustracao-dois-caminhos-e-uma-mensagem [to_ping] => [pinged] => [post_modified] => 2013-11-18 19:24:30 [post_modified_gmt] => 2013-11-18 21:24:30 [post_content_filtered] => [post_parent] => 0 [guid] => http://sib.org.br/?p=1474 [menu_order] => 0 [post_type] => post [post_mime_type] => [comment_count] => 0 [filter] => raw ) ) [post] => WP_Post Object ( [ID] => 6634 [post_author] => 4 [post_date] => 2014-12-23 19:31:54 [post_date_gmt] => 2014-12-23 21:31:54 [post_content] =>

Eu não sei criar sem música.

Quando estou desenhando ou escrevendo, preciso de uma trilha sonora. Às vezes chego a ter uma ideia mas, antes de executá-la, procuro músicas que me auxiliem a traduzir aquelas imagens que imaginei. Além de ajudar a perceber melhor o clima daquilo que pretendo comunicar, me ajudam a mergulhar no trabalho. Provavelmente isso é consequência da minha paixão pelo cinema. Não é à toa que eu vivo assobiando ou cantarolando várias trilhas de filmes.

Ultimamente, ando assobiando esta música aqui, do Howard Shore:

Howard_Shore

Se você a ouvir de olhos fechados, é possível que enxergue direitinho um lugar ao qual ela remete – e não estou me referindo à Terra Média ou ao Condado – porque embora tenha sido composta para um filme específico, tal música pode sugerir um lugar qualquer imaginário talhado pelas emoções, lembranças ou idealizações por ela evocadas.

Em certos filmes, a trilha sonora acaba até assumindo o protagonismo da cena. Cheguei a essa conclusão depois de assistir Interestellar no cinema. A música do Hans Zimmer é marcante em toda a película, mas em uma cena em particular, esta música  foi responsável por 90% da emoção.

hans_zimmer

Na cena em questão, o protagonista precisa desesperadamente acoplar sua nave à estação espacial, mas, devido a uma série de problemas, a tarefa acaba sendo muito difícil. Quanto mais a nave se aproxima do ponto de acoplagem, mais a música segue num crescente, até dominar completamente a cena. Em termos de imagem e direção, a sequência nem é lá grande coisa. Sem dúvida alguma, porém, a música faz tudo virar uma experiência de tirar o fôlego.

Repare que, além de tensão, a música consegue transmitir uma certa solidão e evocar uma espécie de transcendência e amplitude.

Não se preocupe se você não viu o filme. Aposto que, ao ouvir esta música, você sentiu, em maior ou menor grau, algo parecido com o que eu descrevi.

Sendo a música de um filme ou não, ao ouvi-la, você imediatamente imagina a sua própria cena.

Agora ouça AQUI mais outra música da mesma trilha de Interestellar (procure não se deixar influenciar pela imagem do filme, concentre-se apenas tão somente na sua música).

Que imagens, sensações e sentimentos ela estimula? Que história você é capaz de criar a partir dessa audição?

Já criei uma porção de histórias assim.

É por isso que eu uso a música como o meu principal recurso para estimular ideias. Uma imagem vale mais do que mil palavras, mas, às vezes, uma música vale mais do que mil imagens.

Quem desejar conhecer mais sobre essa relação mágica entre imagens e música, segue uma dica enviada pelo meu amigo Mauricio Negro: conferir o livro A Música do Filme, tudo o que você gostaria de saber sobre a música de cinema, de Tony Berchmans (Escritura). Vale a pena também acompanhar a trajetória desse autor, um apaixonado pelo tema, e assistir ao seu espetáculo CINEPIANO, que presta homenagem ao cinema de época, cuja trilha é tocada ao vivo – ragtime, polka, jazz tradicional, entre outros estilos –, sempre sincronizada à ação e emoções da película.

_________________________________________________________________________________________________________________________________________

Fábio Sgroi é ilustrador, escritor e designer gráfico. Formado em Desenho Industrial, atua no segmento de livros infantis e juvenis, tendo mais de 100 obras ilustradas publicadas.

[post_title] => A trilha sonora do texto – Parte 2 [post_excerpt] => [post_status] => publish [comment_status] => closed [ping_status] => open [post_password] => [post_name] => a-trilha-sonora-do-texto-parte-2 [to_ping] => [pinged] => [post_modified] => 2014-12-26 17:03:51 [post_modified_gmt] => 2014-12-26 19:03:51 [post_content_filtered] => [post_parent] => 0 [guid] => http://sib.org.br/?p=6634 [menu_order] => 0 [post_type] => post [post_mime_type] => [comment_count] => 0 [filter] => raw ) )

A trilha sonora do texto – Parte 2

Eu não sei criar sem música. Quando estou desenhando ou escrevendo, preciso de uma trilha sonora. Às vezes chego a ter uma ideia mas, antes de executá-la, procuro músicas…

A trilha sonora do texto – Parte 1

A história da menininha que, em pleno território selvagem dos Estados Unidos do final do século 19, que precisa ficar dentro de casa o inverno todo porque o…

Ilustrador também assiste novela!

Quando eu era pequeno assistia muita novela. Era hábito da família jantar e depois ir todo mundo pra frente da TV acompanhar a “novela das oito”, que era…

Livro impresso é interativo?

Hoje em dia muito se fala a respeito da interatividade nos livros eletrônicos, mas a gente quase nunca lembra que essa qualidade não é exclusiva do mundo digital….

Um texto e duas ilustrações

Fábio Sgroi revela outros contornos narrativos oferecidos pelas ilustrações em duas versões diferentes de “Chapeuzinho Vermelho”.

Texto e ilustração: dois caminhos e uma mensagem

Existem infinitas possibilidades de explorar a relação que as ilustrações estabelecem com as palavras nos livros infantis. Pode enriquecer a obra tirar partido de uma eventual relação de contradição entre as duas narrativas.