SIBSIB

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É claro que todos nós abominamos a violência fundamentalista na França. Assim como repudiamos as granadas de retaliação, efeito colarteral, na mesquita parisiense. Tanto quanto o sórdido atentado aos quatro judeus na mesma cidade luz, por vezes um tanto gris. Assim como são odiáveis as dezenas, centenas ou milhares de mortos na Nigéria. Tanto quanto é hedionda a violência que vitimiza 83 negros por dia no Brasil. Assim como é detestável comparar e relativizar massacres e tragédias como essas. Importante, e complicado, é compreender as circunstâncias em que tudo isso ocorre. Caberia uma finta na presunção de nossa cultura ocidental, laica, racionalista, liberal e cientificista. Em 1554, aos ameríndios dizia assim a pedagogia missionária, burguesamente atual: "Esqueça quem você é, quem são os seus pais e de onde veio. Isso tudo não vale nada. Livre-se da sua alma. Olhe para mim. Espelhe-se em mim. Fale como eu. Queira e seja igual a mim."

Importante, e difícil pacas, é fazer arte, humor e religião sem pesar a mão. Quando um artista se sai realmente bem, dizemos que foi sublime. Pela capacidade de transcender a dor, a injustiça, a fome, a violência, a invisibilidade. Nesses momentos provoca até a epifania, tal qual a experiência religiosa. Pois se fé e liberdade são sagrados, talvez jamais devessem profanar um ao outro. (Ah, sim. A ideia de sagrado, que para mim é importante, soa quase como uma afronta intelectual para muitos. Vide, por exemplo, a opinião de Contardo Galligaris no artigo Porque eu sou Charlie, publicado em 15/01/2015, na Folha de São Paulo).

Os melhores humoristas e sacerdotes, cá para nós, conhecem os segredos da cozinha. Muitos humoristas contemporâneos são, porém, useiros e vezeiros da mão pesada. Não rezam, mas exigem que a gente se ajoelhe acriticamente. E certos adeptos do politicamente incorretos também dão blitz. Talvez porque se sentem desobrigados, na época do vale-tudo liberal geral. Charb, o diretor do Charlie Hebdo, chegou a dizer que um lápis não degola ninguém. (Maomé)nos, certo? E quanto a nova capa da revista pós-atentado? Era mesmo preciso continuar a provocação? Como assim, está tudo perdoado? Em nome de quem? Em nome do quê? Livre pensar, livre pesar. Graça e desgraça, de repente, vizinhas. Quando o humor é ilimitadamente libertário, vira incendário. Convém riscar o fósforo? E aí, quem apaga o fogo? Deus ex machina? Até que ponto vale perder amigos, ou mesmo "inimigos", para não perder a piada?

E tem mais. Até o slogan de uma campanha contra o fumo dá conta da essência: "A liberdade termina quando começa a liberdade do outro."

Já para o filósofo, linguista e ensaísta búlgaro Tzvetan Todorov, radicado em Paris, "a liberdade de expressão e o seu corolário, a liberdade de imprensa não podem ser ilimitadas, e seria errôneo reduzir os recente acontecimentos (a movimentação popular na França, motivada pelo atentado ao Charlie Hebdo) nesta semana a esse combate." Sugiro a leitura da sua entrevista à Céline Rouden, publicada no jornal La Croix, 14-01-2015. 

''Uma liberdade sem limites não seria legítima.''

Tzvetan Todorov

Lembrei também do Samba da Benção, do Vinicius de Moraes. O poetinha dá conta do assunto numa única estrofe:

"Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração"

 JE SUIS LASSANA BATHILY, até segunda ordem, mais do que qualquer outro argumento. No freezer, para futuras consultas, que fique conservado.

ele

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Mauricio Negro é ilustrador, escritor, designer, consultor editorial, palestrante e autor de vários livros, muitos dos quais relacionados às raízes ancestrais brasileiras, às temáticas ameríndias, africanas, afro-brasileiras, mestiças e populares, ambientais e mitológicas, tais como A palavra do grande chefe (em parceria com Daniel Munduruku), Jóty, o tamanduá (em parceria com Vãngri Kaingáng), Zum Zum Zum, Por fora bela viola, entre outras publicações.

[post_title] => Há risco no rabisco [post_excerpt] => [post_status] => publish [comment_status] => closed [ping_status] => open [post_password] => [post_name] => ha-risco-no-rabisco [to_ping] => [pinged] => [post_modified] => 2016-01-14 21:40:27 [post_modified_gmt] => 2016-01-14 23:40:27 [post_content_filtered] => [post_parent] => 0 [guid] => http://sib.org.br/?p=6712 [menu_order] => 0 [post_type] => post [post_mime_type] => [comment_count] => 0 [filter] => raw ) [1] => WP_Post Object ( [ID] => 6634 [post_author] => 4 [post_date] => 2014-12-23 19:31:54 [post_date_gmt] => 2014-12-23 21:31:54 [post_content] =>

Eu não sei criar sem música.

Quando estou desenhando ou escrevendo, preciso de uma trilha sonora. Às vezes chego a ter uma ideia mas, antes de executá-la, procuro músicas que me auxiliem a traduzir aquelas imagens que imaginei. Além de ajudar a perceber melhor o clima daquilo que pretendo comunicar, me ajudam a mergulhar no trabalho. Provavelmente isso é consequência da minha paixão pelo cinema. Não é à toa que eu vivo assobiando ou cantarolando várias trilhas de filmes.

Ultimamente, ando assobiando esta música aqui, do Howard Shore:

Howard_Shore

Se você a ouvir de olhos fechados, é possível que enxergue direitinho um lugar ao qual ela remete – e não estou me referindo à Terra Média ou ao Condado – porque embora tenha sido composta para um filme específico, tal música pode sugerir um lugar qualquer imaginário talhado pelas emoções, lembranças ou idealizações por ela evocadas.

Em certos filmes, a trilha sonora acaba até assumindo o protagonismo da cena. Cheguei a essa conclusão depois de assistir Interestellar no cinema. A música do Hans Zimmer é marcante em toda a película, mas em uma cena em particular, esta música  foi responsável por 90% da emoção.

hans_zimmer

Na cena em questão, o protagonista precisa desesperadamente acoplar sua nave à estação espacial, mas, devido a uma série de problemas, a tarefa acaba sendo muito difícil. Quanto mais a nave se aproxima do ponto de acoplagem, mais a música segue num crescente, até dominar completamente a cena. Em termos de imagem e direção, a sequência nem é lá grande coisa. Sem dúvida alguma, porém, a música faz tudo virar uma experiência de tirar o fôlego.

Repare que, além de tensão, a música consegue transmitir uma certa solidão e evocar uma espécie de transcendência e amplitude.

Não se preocupe se você não viu o filme. Aposto que, ao ouvir esta música, você sentiu, em maior ou menor grau, algo parecido com o que eu descrevi.

Sendo a música de um filme ou não, ao ouvi-la, você imediatamente imagina a sua própria cena.

Agora ouça AQUI mais outra música da mesma trilha de Interestellar (procure não se deixar influenciar pela imagem do filme, concentre-se apenas tão somente na sua música).

Que imagens, sensações e sentimentos ela estimula? Que história você é capaz de criar a partir dessa audição?

Já criei uma porção de histórias assim.

É por isso que eu uso a música como o meu principal recurso para estimular ideias. Uma imagem vale mais do que mil palavras, mas, às vezes, uma música vale mais do que mil imagens.

Quem desejar conhecer mais sobre essa relação mágica entre imagens e música, segue uma dica enviada pelo meu amigo Mauricio Negro: conferir o livro A Música do Filme, tudo o que você gostaria de saber sobre a música de cinema, de Tony Berchmans (Escritura). Vale a pena também acompanhar a trajetória desse autor, um apaixonado pelo tema, e assistir ao seu espetáculo CINEPIANO, que presta homenagem ao cinema de época, cuja trilha é tocada ao vivo – ragtime, polka, jazz tradicional, entre outros estilos –, sempre sincronizada à ação e emoções da película.

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Fábio Sgroi é ilustrador, escritor e designer gráfico. Formado em Desenho Industrial, atua no segmento de livros infantis e juvenis, tendo mais de 100 obras ilustradas publicadas.

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A história da menininha que, em pleno território selvagem dos Estados Unidos do final do século 19, que precisa ficar dentro de casa o inverno todo porque o frio lá fora era impiedoso, parecia não ter absolutamente nada para agradar a minha filhota de 9 anos. Passando os olhos pelos capítulos antes de iniciar a leitura, notei que a narrativa se ocupava mais em relatar os afazeres domésticos daquela família pobre e corajosa, aos olhos da filha do meio, do que propriamente construir um enredo. Em suma, o livro me pareceu estar mais para um relato documental sobre os hábitos e costumes de um povo numa época e região distantes, do que a costumeira leitura literária em voz alta para os meus filhos antes de dormir.

Pois bem, bastou a leitura do primeiro parágrafo para que Uma casa na floresta nos encantasse de tal maneira que, não raro, nos víamos obrigados a ler mais de um capítulo por noite.

Um dos capítulos, por exemplo, se ocupava em descrever minuciosamente a maneira como a protagonista Laura, e sua irmã mais velha Mary, ajudavam a mãe a preparar uma torta de maçã. Já em outro, descrevia como o pai e o tio retiravam a seiva de uma árvore para que a mãe a fervesse e transformasse no açúcar de bordo, uma iguaria indispensável para atravessar o inverno rigoroso.

Ao mergulhar com minha filha na rotina da família de Laura Ingalls Wilder, autora do livro e protagonista da história, encontrei muitas semelhanças entre a rotina deles e os costumes brasileiros de antigamente que, vira-e-mexe, leio em algum livro do Câmara Cascudo.

O que mais me aguçou a curiosidade, porém, foi a transcrição das letras das músicas que o pai de Laura, Charles – ou "Pa", como as crianças o chamavam –, tocava ao violino.

Ao ler aquelas rimas singelas e inocentes e, alegres na maioria das vezes, ficava imaginando como seria o ritmo. Durante a leitura, num esforço para tentar resgatar a magia daquilo, eu acabava cantarolando os versos, encaixando-os em melodias que conheço, como aquela do O sapo não lava o pé ou Atirei o pau no gato. Ok, admito: o máximo que consegui foi avacalhar com tudo.

Uma pesquisa no Google, contudo, revelou – tal como imaginei – que as músicas relatadas no livro são folclóricas e tradicionais dos EUA. Achei até um CD no itunes, no qual compilaram algumas das músicas dos livros da série (Dá pra ouvir um trechinho de cada uma, clicando no ícone play ao lado de cada faixa).

Encontrei outras coisas interessantes no Youtube, como esta versão de Polly put the kettle on – extraída de um especial da PBS, projeto que visou resgatar as músicas dos livros.

Achei também uma faixa do CD Pa's Fiddlena íntegra: Golden Years are passing by.

Ah, sim! Caso você tenha mais de 35 anos e esteja se perguntando onde foi mesmo que já ouviu o nome da família Ingalls, é provável que tenha sido na série de TV baseada em dois livros da série Little House. Aqui no Brasil foi rebatizada como Os pioneiros.

Para finalizar, e só para não ficar estranho uma Coluna SIB focada em música e literatura, devo acrescentar que são ótimas as ilustrações do Maurício Veneza para os dois livros de Laura Ingalls, aqui lançados pela Best Bolso. :)

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Fábio Sgroi é ilustrador, escritor e designer gráfico. Formado em Desenho Industrial, atua no segmento de livros infantis e juvenis, tendo mais de 100 obras ilustradas publicadas.

Contato: fsgroi@terra.com.br

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Ajoelhado, o monge ergue mãos e contempla o céu: uma figura celeste com três pares de asas paira sobre a paisagem montanhosa.  Das mãos, pés e flanco do personagem voador, partem raios que atingem as mãos, pés e flanco do monge, que não parece assustado: antes, parece colocar-se em posição receptiva, disposto a sofrer o impacto dos raios.

Raios? Foi a primeira coisa em que pensei, mas agora me dou conta de que não podem ser raios. Não são relâmpagos como os disparados por Zeus, e não havia raio laser na baixa Idade Média... Talvez sejam fios de ouro, ou simples linhas de correspondência entre as feridas do monge e as chagas de Cristo.

A pintura é do florentino  Giotto di Bondone (1267-1337), foi pintada por volta de 1295 com óleo e ouro sobre madeira, está no Louvre e pretende retratar um acontecimento real da vida de S. Francisco de Assis – um fenômeno místico, na interface do plano temporal com a eternidade, conhecido como "estigmatização".

Em 14 de setembro de 1224, Francisco meditava no monte Alverno e teve a visão de um serafim de seis asas, e no centro a figura de Cristo; ao final da meditação, as marcas da crucificação haviam ficado impressas em seu corpo, o que lhe causava muita vergonha e sofrimento físico. Segundo a “Legenda Dourada” de Jacopo de Varazze, o santo procurou ocultar de todos esses estigmas, cuja existência real, vista por poucos durante sua vida, foi testemunhada por muitos após sua morte (este mesmo fenômeno ocorreu com outros santos, sendo o mais recente o santo Padre Pio de Pietrelcina, em 1918, cujas chagas se mantiveram frescas e sem corrupção por 50 anos).

[caption id="attachment_5634" align="alignnone" width="600"]Padre Pio recebe a Transverberação Padre Pio recebe a Transverberação[/caption]

Padre Pio, assim como Santa Teresa d’Ávila (1515-1582), relataram que um anjo lhes atirou algo parecido com um finíssimo dardo de ouro com fogo na ponta. A ferida não fechava, não infeccionava e exalava cheiro de flores. Assim, talvez com S. Francisco também fosse algo que se arremessasse.

[caption id="attachment_5635" align="alignnone" width="480"]Êxtase de Santa Teresa, escultura de Bernini Êxtase de Santa Teresa, escultura de Bernini[/caption]

Giotto posicionou de forma didática seus personagens, de forma que todos os pontos de emissão e recepção dos raios ficassem visíveis. Porém, nenhum “efeito especial” indica que o serafim está sendo visto apenas pelos “olhos da inteligência” ou que é uma realidade espiritual; o anjo parece tão corpóreo quanto uma águia; o único elemento que evoca transcendência é a aura dourada, presente tanto no anjo como no monge.

Contudo, na parte de baixo do painel vemos uma série de três quadros. O primeiro representa um sonho: o papa Inocêncio III sonha com Francisco escorando a igreja de Latrão que ameaça desmoronar. Os outros são o papa autorizando a criação da ordem, e Francisco pregando aos pássaros.

[caption id="attachment_5630" align="alignnone" width="788"]painel de São Francisco, Giotto (detalhe) Painel de São Francisco, Giotto (detalhe)[/caption]

Tanto a visão mística como o sonho são desenhados com o mesmo naturalismo; não temos “nuvens de pensamento” ou qualquer recurso gráfico que indique sua natureza onírica ou transcendente. Enquanto o papa dorme, o que ele sonha aparece do lado de fora do quarto, como num teatrinho; e a experiência mística, por definição apenas perceptível nos derradeiros graus da contemplação religiosa, parece flutuar na paisagem como um OVNI.

Figuras celestes emitindo raios se tornaram figuras populares nos comics do século XX. Remetem, porém, a utopias científicas: são raios de energia, às vezes acionados por aparelhos nos punhos.

[caption id="attachment_5632" align="alignnone" width="395"]Space Ghost Space Ghost[/caption] [caption id="attachment_5629" align="alignnone" width="908"]HQ heróis HQ heróis[/caption]

É curioso ver as reminiscências religiosas que acompanham os super-heróis e seus poderes. Seria interminável listar as inspirações ou coincidências desses mitos modernos com os ícones religiosos de todos os tempos. Vejamos apenas um caso: o Homem de Ferro, talvez uma atualização do Homem de Lata do Mágico de Oz, com seu coração ameaçado por estilhaços de bomba e mantido vivo por um reator, e o Sagrado Coração de Jesus, envolto por espinhos e soltando labaredas. Desde os egípcios, que representavam o coração como um vaso contendo energia vital, este órgão é visto como o "sol do corpo", sede da vitalidade, da energia criadora e do amor, significado não inteiramente apagado da imaginação coletiva e da linguagem, por mais que se implantem pontes de safena para prolongar sua existência.

É a persistência do sagrado nos mitos modernos? Ou a aspiração da ciência a se tornar a próxima religião?

[caption id="attachment_5636" align="alignnone" width="600"]o simbolismo solar do coração, no Homem de Ferro e no Sagrado Coração de Jesus: centro de energia irradiante, centro do ser O simbolismo solar do coração, no Homem de Ferro e no Sagrado Coração de Jesus: centro de energia irradiante, centro do ser[/caption]   ________________________________________________________________________________________________________________________________ SPACCA é cartunista e ilustrador, autor dos livros em HQ Santô e os Pais da Aviação, Debret, As Barbas do Imperador e D.João Carioca (ambos em parceria com Lília Schwarcz) e Jubiabá, adaptação da obra de Jorge. Também faz ilustrações publicitárias, editoriais e personagens. http://jubiaba.blogspot.com [post_title] => Raios do Céu: dos santos medievais aos heróis do gibi [post_excerpt] => [post_status] => publish [comment_status] => closed [ping_status] => open [post_password] => [post_name] => raios-do-ceu-dos-santos-medievais-aos-herois-do-gibi [to_ping] => [pinged] => [post_modified] => 2014-09-30 19:34:29 [post_modified_gmt] => 2014-09-30 22:34:29 [post_content_filtered] => [post_parent] => 0 [guid] => http://sib.org.br/?p=5628 [menu_order] => 0 [post_type] => post [post_mime_type] => [comment_count] => 0 [filter] => raw ) [4] => WP_Post Object ( [ID] => 4238 [post_author] => 4 [post_date] => 2014-06-23 17:16:45 [post_date_gmt] => 2014-06-23 20:16:45 [post_content] =>

Quando eu era pequeno assistia muita novela. Era hábito da família jantar e depois ir todo mundo pra frente da TV acompanhar a "novela das oito", que era como a gente chamava na época a novela que começava depois do Jornal Nacional. Não que eu fosse assíduo espectador. Me lembro de ficar na sala, mas em vez de assistir, rabiscava meus desenhos na mesinha de centro.

Hoje assistir novelas parece coisa de outro mundo pra mim. Não consigo nem me imaginar sentado em frente à TV toda noite para acompanhar aquelas tramas excessivamente arrastadas, com dezenas de cenas repetitivas e intermináveis, e diálogos que na maioria das vezes me parecem pura enrolação. É um compromisso árduo demais para quem já está de saco cheio de compromissos e deseja apenas relaxar. Nesse sentido, prefiro as séries enlatadas norte-americanas, ainda que sejam semanais e exijam menos comprometimento. Apelação por apelação, Revange, com seus capítulos semanais divididos em 22 episódios por temporada, me parece mais palatável do que os 200 capítulos diários de Em família, só para ficar num exemplo.

Que um dia eu já fui noveleiro, isso não dá pra esconder. Também não posso negar que as novelas são um verdadeiro patrimônio da dramaturgia brasileira e que, mesmo de maneira destrambelhada, oferecem algumas reflexões sobre os valores, costumes e tabus da nossa sociedade.

Uma novela que me marcou pra caramba foi Pecado Capital (a versão de 1976, não a refilmeagem de 1998, que já não é da minha época de noveleiro). Porém, o que ficou mesmo em minha memória foi a abertura. A música do Paulinho da Viola, as imagens das notas de dinheiro voando e o logotipo com o nome da novela me causavam grande impressão. Depois que eu vi a cena final da novela, com o Carlão caindo no meio daquela construção abraçado à mala de dinheiro, as cenas das notas voando ficaram ainda mais fortes. Tanto que as imagens passaram a se confundir na minha cabeça. Até rever a cena no Youtube, eu podia jurar que após a sua queda as notas saíam voando pelo céu. Nada a ver. Aliás, do jeito que a cena se remontou na minha memória, seria necessário uma baita equipe de efeitos especiais e tecnologia de ponta para executá-la. Mas foi engraçado perceber como as imagens da abertura complementaram certinho a mensagem do enredo, tudo costurado como uma única cena. A mensagem estava clara e afinada tanto na história quanto na sua tradução na abertura, de modo que uma acabou complementando a outra na memória.

Foi pensando nisso que percebi a baita responsa que é uma abertura de novela: representar em um minuto o mote central de uma história de 200 capítulos, fornecer uma contextualização ao espectador, colocá-lo no clima. E não só: o logotipo vai representar o folhetim em várias outras mídias, de modo que ele precisa ser direto e certeiro. Assim como qualquer outro logotipo que não comunica o conceito correto, e erra o alvo, as pessoas acabam não captando a mensagem e não comprando o produto. Ou, no mínimo, se sentindo enganadas. Nem todas as aberturas de novela acertam, portanto. Uma ou outra chega até a ser sofrível (na boa, embora bem produzida, a abertura de Negocio da China parece um mero recorte de filmes do Jackie Chan, não diz nada e o logotipo é genérico demais, parece coisa de aprendiz de Corel Draw). Outras, no entanto, são muito boas. Tão boas que as guardo na memória, mesmo quando não me fazem lembrar de absolutamente nada sobre as novelas propriamente ditas.

Quase sempre me parece que a abertura consiste na constução da mensagem que irá culminar na conceitualização do logotipo, como sugere a abertura de Plumas & Paetês (1980) e Dancin' Days (1978). Mesmo que você não tenha assistido nenhuma das duas, aposto que é fácil perceber que a trama da primeira se passa no mundo da alta costura e a da segunda, em meio ao fervor das dicotecas. Convenhamos que ambas, aberturas e logotipos, comunicam suas respectivas mensagens com perfeição.

Há, porém, outras aberturas que me parecem apresentar uma mensagem diversa daquela proposta pelo logotipo. Sempre tive tal impressão sobre a abertura de Roque Santeiro (1985). O logotipo remete à questão do personagem Roque Santeiro ser ou não um santo, conforme o espectador saberá no desenrolar da novela. Mas as imagens apresentadas na abertura me parecem tecer um comentário diferente, a respeito da situação dos trabalhadores rurais e o grau de importância que têm aos olhos da sociedade frente à riqueza que produzem. É uma leitura pessoal, é claro, feita a partir do meu repertório cultural. Sinta-se à vontade para divergir, mas acho que esse é o grande barato da imagem: ser direta e ao mesmo tempo ambígua na comunicação, por fornecer uma determinada leitura e sugerir outras mais. Uma imagem, tenho dito, permite essa multiplicidade. E depende de cada leitura, conforme a bagagem, a época e o repertório cultural.

De volta à abertura de Roque Santeiro, a inversão de tamanhos percebida pelo afastamento da câmera, sugere que as pessoas estão presentes, mas que a riqueza gerada pelo seu trabalho é tida como algo mais importante do que elas próprias, que o avanço tecnológico motivado pelo trabalho se presta sobretudo para produzir mais riquezas e não necessariamente para o bem-estar dos trabalhadores. Em outras palavras, as pessoas são relegadas à insignificância! Tanto é que a abertura termina justamente com um congestionamento dentro de uma vitória-régia que, para pelo menos para mim, parece uma piada sobre o desenvolvimento gerado a partir da riqueza, não obrigatoriamente reversível às pessoas, e mesmo insignificante diante da natureza. O fino da ironia é que a logomarca que aparece na moto é justamente a de uma fabricante de tratores, que na época também fabricava motos. Teria sido essa empresa uma das patrocinadoras da novela? Embora eu não disponha de tal informação, aposto que sim. Será então que esse patrocinador não interpretou que o maquinário mostrado na historinha de abertura não serve para gerar bem-estar, que o desenvolvimentismo pode estrangular pessoas feito um congestionamento? É provável que não. Como diria a Perpétua, de Tieta do agreste, personagem de outra novela de sucesso: "Mistééééério…"


Fábio Sgroi é ilustrador, escritor e designer gráfico. Formado em Desenho Industrial, atua no segmento de livros infantis e juvenis, tendo mais de 100 obras ilustradas publicadas.

Contato: fsgroi@terra.com.br

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Além de notório perna-de-pau, sou profundo desconhecedor de futebol, o que é quase um pecado cívico no País do Futebol. Não tenho time, não torço, não discuto, porém, não obstante, basta lembrar do hino "Noventa Milhões em Ação" para que entrem na tela Cinemascope da minha imaginação jogadores gigantes driblando em câmera lenta, com a inconfundível narração do speaker do Canal Cem (documentário famoso dos cinemas de outrora).

Talvez por isso, e intuindo que, por mais que eu me esforçasse, não consegui crescer no País do Futebol sem que a cultura futebolística me impregnasse a alma, vez por outra fui escalado para compor o time de chargistas e ilustradores que, a cada quatro anos, ilustram na grande imprensa a festa desportiva e cosmopolita da Copa do Mundo.

Cresci sob a égide do Tri, a conquista definitiva da taça Jules Rimet, a consagração do Brasil como País do Futebol e a confirmação da herética doutrina acerca da brasilidade de Deus. Nesse assunto, o mundo inteiro se derrete pelo Brasil - como a Jules Rimet, depois de ter sido roubada da sede da CBF em 1983. Brasil, il, il...

Mas cresci, tentando passar ao largo do futebol em todas as suas formas: a pelada na rua em que morava, os jogos obrigatórios nas aulas de educação física.

Um dia, porém, o futebol me pegou, aproveitando uma das fraquezas do meu caráter: o humor.

Um amigo da escola, o Cláudio, apelidado "Vitasay" por causa de uma propaganda de fortificante na TV, me divertia com suas imitações de um programa chamado "Show de Rádio", que era transmitido pela Jovem Pan em São Paulo. Stevan Sangirardi, Odayr Baptista, Nelson Tatá Alexandre, Carlos Roberto Escova, Serginho Leite e outros humoristas satirizavam jogadores, cartolas, locutores esportivos e astros da MPB. Todos os domingos, passei a escutar pelo menos metade do jogo para assistir às duas seções do programa, no intervalo e no final dos jogos. Ouvia, gravava e depois na escola ficava imitando as imitações, no ginásio com o Cláudio, e depois no segundo grau com outro amigo, o Celso. Com este, a mania foi mais longe: fizemos dezenas de sátiras de música popular satirizando professores, e até arrastei meu amigo a uma visita à Jovem Pan para mostrar nossas músicas ao nosso ídolo Sangirardi - bem mal sucedida, por sinal.

Mas alimentei por muito tempo o sonho de fazer um desenho animado com os personagens do Show de Rádio. Havia um núcleo de personagens para cada time: o corintiano macumbeiro, a italianada do Parmera, o aristocrático torcedor do São Paulo e outros. Eis aqui como eu imaginava esses tipos.

[caption id="attachment_4163" align="alignnone" width="1200"]estudos para os personagens do "Show de Rádio", aproximadamente 1979. estudos para os personagens do "Show de Rádio", aproximadamente 1979.[/caption]

Anos depois, já chargista na Folha de S. Paulo, fui designado para criar charges para a página Gol, ao lado das feras Fernando Gonzales, Glauco e Emílio, para cobrir a Copa de 1986. Nitidamente um peixe fora d'água, fiz o que pude. Além disso, como o Brasil parava para ver a Seleção, no espaço da charge o assunto também era Copa, e meu desenho sobre a derrota brasileira mostrou os empresários Nabi Abi Chedid e Marin, cujos planos também se desvaneceram naquelas fatídicas quartas-de-final.

[caption id="attachment_4162" align="alignnone" width="1200"]página GOL da Folha de S. Paulo, 1986. página GOL da Folha de S. Paulo, 1986.[/caption]   [caption id="attachment_4161" align="alignnone" width="1107"]charge na Folha de S.Paulo, 22 de junho de 1986. charge na Folha de S.Paulo, 22 de junho de 1986.[/caption]

A ilustração que abre este artigo deve ter sido feita em 1994; não é a seleção que efetivamente entrou em campo, mas a que os meus clientes da Cultura Inglesa Magazine queriam que tivesse sido. Por isso vemos o goleiro Zetti, em vez de Taffarel. Como a edição demorava para ficar pronta, esse exercício de premonição era necessário. Contudo, aí estão Romário e Bebeto, naquele característico gesto de embalar um bebê (deixo aos experts a tarefa de precisar o ano, achei mais provável 1994 que 1998).

E assim segui minha carreira, às vezes torcendo a cada quatro anos, mas sempre torcendo para não se lembrarem de mim para desenhar o que não sei.

Mesmo assim, amigos queridos me escalaram para alguns projetos enaltecendo o esporte brasílico-bretão, na certa para compensar o trauma das escalações na escola, em que sempre ficava por último.... No famigerado álbum "Dez na Área" lá estou eu, tentando justificar minha presença misturando futebol com uma esotérica geometria astrológica. E no enciclopédico painel de Jal e Gualberto, "A História do Futebol no Brasil através do Cartum", colaborei com dois desenhos retratando jogadores de 1920.

Não foi difícil que minha inaptidão e desinteresse pelo futebol adotasse, em alguns momentos, a desculpa ideológica de que o futebol era um mal, um fator de alienação, mais um "ópio do povo" (melhor que isso, no chiste do humorista Jorge Nagao no Folhetim dos anos 80, é dizer que o futebol é o Pio do Povo - trocadilho genial que pode evocar muitas coisas: o Canarinho, o pio como manifestação discreta do povo reprimido, etc; era comum ouvir do pai ou mãe bravos: "não quero ouvir nem um pio!").

Hoje, 2014, ano de Copa e segunda Copa no Mundo no Brasil, há um forte movimento nas ruas com o caráter de "anti-Copa", aparentemente reivindicando um melhor destino das verbas públicas. Lembremos, porém, que também é ano de eleições; e não podemos ser ingênuos ao supor que, atendendo ao clamor de uma população que de uma hora para outra "acordou", a presidenta chame a Fifa e diga "não vai ter mais Copa". É portanto, um movimento não reivindicatório (não espera ser de fato atendido), mas sobretudo político, um jogo de pressão para marcar território, criar o caos, manifestar-se ante um público mundial ou sei lá o quê.

Ora, a utilização do esporte pela política é velha como ambos - desde pelo menos o Panis et Circenses dos gladiadores romanos. Sim, o poder costuma pegar carona na glória da Copa - assim fizeram Juscelino, Médici, Lula e Dilma. Mas tanto a Copa (como projeto governamental) como o seu antípoda (como movimento organizado disfarçado de popular), não passam, ambos, de tentativas parasitárias de manipular a opinião pública para propósitos muito distantes de saúde, educação etc. Quem ganhará este jogo de poder, saberemos pelos eventos futuros.

A poucos dias da Copa, diante desse panorama sombrio em que mais uma tradição popular está sendo maculada pela grotesca lógica binária da luta ideológica, eu, o notório perna-de-pau, torço para que a ideia básica de todo esporte - uma guerra apenas virtual - prevaleça.

E adoto, perante os partidos da Copa e da Anticopa, a prudente atitude da Zebrinha da Globo, que desenhei nos idos de 1971:

[caption id="attachment_4164" align="alignnone" width="700"]Zebrinha da Loteria Esportiva, 1971. Zebrinha da Loteria Esportiva, 1971.[/caption]  

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SPACCA é cartunista e ilustrador, autor dos livros em HQ Santô e os Pais da Aviação, Debret, As Barbas do Imperador e D.João Carioca (ambos em parceria com Lília Schwarcz) e Jubiabá, adaptação da obra de Jorge. Também faz ilustrações publicitárias, editoriais e personagens. http://jubiaba.blogspot.com

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É claro que todos nós abominamos a violência fundamentalista na França. Assim como repudiamos as granadas de retaliação, efeito colarteral, na mesquita parisiense. Tanto quanto o sórdido atentado aos quatro judeus na mesma cidade luz, por vezes um tanto gris. Assim como são odiáveis as dezenas, centenas ou milhares de mortos na Nigéria. Tanto quanto é hedionda a violência que vitimiza 83 negros por dia no Brasil. Assim como é detestável comparar e relativizar massacres e tragédias como essas. Importante, e complicado, é compreender as circunstâncias em que tudo isso ocorre. Caberia uma finta na presunção de nossa cultura ocidental, laica, racionalista, liberal e cientificista. Em 1554, aos ameríndios dizia assim a pedagogia missionária, burguesamente atual: "Esqueça quem você é, quem são os seus pais e de onde veio. Isso tudo não vale nada. Livre-se da sua alma. Olhe para mim. Espelhe-se em mim. Fale como eu. Queira e seja igual a mim."

Importante, e difícil pacas, é fazer arte, humor e religião sem pesar a mão. Quando um artista se sai realmente bem, dizemos que foi sublime. Pela capacidade de transcender a dor, a injustiça, a fome, a violência, a invisibilidade. Nesses momentos provoca até a epifania, tal qual a experiência religiosa. Pois se fé e liberdade são sagrados, talvez jamais devessem profanar um ao outro. (Ah, sim. A ideia de sagrado, que para mim é importante, soa quase como uma afronta intelectual para muitos. Vide, por exemplo, a opinião de Contardo Galligaris no artigo Porque eu sou Charlie, publicado em 15/01/2015, na Folha de São Paulo).

Os melhores humoristas e sacerdotes, cá para nós, conhecem os segredos da cozinha. Muitos humoristas contemporâneos são, porém, useiros e vezeiros da mão pesada. Não rezam, mas exigem que a gente se ajoelhe acriticamente. E certos adeptos do politicamente incorretos também dão blitz. Talvez porque se sentem desobrigados, na época do vale-tudo liberal geral. Charb, o diretor do Charlie Hebdo, chegou a dizer que um lápis não degola ninguém. (Maomé)nos, certo? E quanto a nova capa da revista pós-atentado? Era mesmo preciso continuar a provocação? Como assim, está tudo perdoado? Em nome de quem? Em nome do quê? Livre pensar, livre pesar. Graça e desgraça, de repente, vizinhas. Quando o humor é ilimitadamente libertário, vira incendário. Convém riscar o fósforo? E aí, quem apaga o fogo? Deus ex machina? Até que ponto vale perder amigos, ou mesmo "inimigos", para não perder a piada?

E tem mais. Até o slogan de uma campanha contra o fumo dá conta da essência: "A liberdade termina quando começa a liberdade do outro."

Já para o filósofo, linguista e ensaísta búlgaro Tzvetan Todorov, radicado em Paris, "a liberdade de expressão e o seu corolário, a liberdade de imprensa não podem ser ilimitadas, e seria errôneo reduzir os recente acontecimentos (a movimentação popular na França, motivada pelo atentado ao Charlie Hebdo) nesta semana a esse combate." Sugiro a leitura da sua entrevista à Céline Rouden, publicada no jornal La Croix, 14-01-2015. 

''Uma liberdade sem limites não seria legítima.''

Tzvetan Todorov

Lembrei também do Samba da Benção, do Vinicius de Moraes. O poetinha dá conta do assunto numa única estrofe:

"Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração"

 JE SUIS LASSANA BATHILY, até segunda ordem, mais do que qualquer outro argumento. No freezer, para futuras consultas, que fique conservado.

ele

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Mauricio Negro é ilustrador, escritor, designer, consultor editorial, palestrante e autor de vários livros, muitos dos quais relacionados às raízes ancestrais brasileiras, às temáticas ameríndias, africanas, afro-brasileiras, mestiças e populares, ambientais e mitológicas, tais como A palavra do grande chefe (em parceria com Daniel Munduruku), Jóty, o tamanduá (em parceria com Vãngri Kaingáng), Zum Zum Zum, Por fora bela viola, entre outras publicações.

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Há risco no rabisco

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