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Zumbi, a guerra do povo negro e programação paralela

Zumbi 1

 A exposição Zumbi – a guerra do povo negro segue até 31/01, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. A entrada é livre e gratuita.

Com curadoria de Audálio Dantas, jornalista e escritor, a exposição apresenta a história de Zumbi dos Palmares contada em seis momentos: A Revolta, A Resistência – criação do quilombo, O Nascimento de Zumbi e Infância, O Rei Gangazumba, Zumbi – O Herói e A Destruição do Palmares.

Para construir essa narrativa, o curador convidou dois importantes artistas para compor o projeto: o ilustrador Fernando Vilela e o fotógrafo Tiago Santana.

> Para agendamentos de grupos, entrar em contato pelo email agendamento@vilamariana.sescsp.org.br

Durante o último mês de visitação da exposição, uma extensa programação paralela levanta questões sociológicas, culturais e éticas da vivência da população negra no Brasil. Bate-papos sobre temas como a representação do negro na arte e os aspectos culturais e societários do negrocursos sobre a arte de matriz africana, a performance “O Mito da Diversidade Étnica” e uma discussão sobre a obra “Cumbe”, do quadrinista e ilustrador brasileiro Marcelo D´Salete ajudam a complementar o debate suscitado pela exposição.

O Quilombo de Palmares, localizado na região sul da antiga Capitania de Pernambuco e atual Estado de Alagoas, surgiu no século XVI no período do Brasil Colônia, na região conhecida como “Serra da Barriga”, nas proximidades da vila de Porto Calvo.

Em um dos engenhos ao Sul de Pernambuco, no ano de 1597, um grupo de cerca de quarenta homens escravizados planejaram a fuga coletiva em direção à Serra, no alto do que hoje é denominado como Planalto Meridional de Borborema. Ali fundaram o maior quilombo do período colonial, tendo resistido à escravidão e ameaçando o poder hegemônico da Coroa portuguesa por quase 100 anos.

A história do Quilombo de Palmares atravessa o tempo e se torna a primeira experiência coletiva de contestação no país. Seu último líder, Zumbi, é a figura principal da narrativa contada na exposição “Zumbi A Guerra do Povo Negro”. A montagem também marca a efeméride de 360 anos de nascimento de Zumbi e os 320 anos desde sua morte.

Audálio Dantas é jornalista atuante há mais de 60 anos com trabalhos na Folha de S.Paulo, e nas revistasRealidadeO CruzeiroManchete e Nova e tem extensa trajetória na defesa dos direitos humanos no país. Foi o responsável pela denúncia da morte do também jornalista Vladimir Herzog nos cárceres da ditadura e recebeu premiação da Organização das Nações Unidas pela defesa dos direitos humanos.

Para construir a história de Zumbi, Audálio contou com o apoio de dois artistas: Fernando Vilela, ilustrador, artista plástico, escritor e professor, que recriou as cenas das narrativas da história e da vida de Zumbi na cenografia da exposição. Para registrar o cenário da Serra da Barriga em sua configuração atual e o cotidiano da população que ali vive, possíveis herdeiros dessa história, Tiago Santana foi convidado para apresentar 16 fotografias panorâmicas da região.

Vários aspectos da cultura e vivência do povo afro-brasileiro serão objeto de discussão e estudo, durante o mês de janeiro. O curso “Arte Africana como Cultura Espiritual, Visual e Musical”, com orientação de Renato Araújo, pesquisador do Museu Afro Brasil, irá introduzir o público na história da arte africana tradicional, apresentando suas características e definições. No curso, serão destacadas as diferenças entre a abordagem histórico-cultural e os contextos de produção e a abordagem puramente estética das obras. As aulas acontecerão de 15 a 29/1, sempre às sextas-feiras, às 18h30.

O criador das ilustrações da exposição, Fernando Vilela, ministra o curso “Arte e Ilustração: Experimentações Gráficas sobre Narrativas Afro-Brasileiras”. Na atividade, Fernando compartilhará com o público seu processo de pesquisa para a criação das ilustrações da exposição e também analisará obras de outros artistas, além de propor um exercício de criação de ilustrações a partir de uma linguagem gráfica, operando com fragmentos. O curso vai de 19 a 28/1, às 18h30, às terças e quintas-feiras.

Três bate-papos gratuitos estarão abertos ao público interessado em conhecer com maior profundidade aspectos da cultura negra em uma abordagem mais ampla: no dia 13 de janeiro, Renato Araújo junta-se ao pesquisador Danilo Marques para conversar sobre “Quilombos, História e Resistência”; no dia 20, a artista plástica Rosana Paulino e o músico Salloma Salomão discutem a “Representação do Negro nas Artes”. Esses dois primeiros encontros terão mediação do arte-educador Allan da Rosa. No dia 27, os convidados Dennis de Oliveira (professor da ECA/USP e membro do Núcleo de Estudos Interdisciplinares do Negro Brasileiro) e Eunice Aparecida de Jesus Prudente (professora de Direiro na USP) contam com a mediação de Eugênio Lima para abordar o tema “População Negra: Cultura e Sociedade”. Todos os encontros acontecem na Praça de Eventos da Unidade, a partir das 19h.

Entre às 17h e 18h do dia 30 de janeiro, sábado, a artista Olyvia Bynum apresenta a performance “O Mito da Diversidade Étnica”, em que, ao circular pelo Espaço de Tecnologia e Artes do Sesc Vila Mariana com trajes originários de antigos povos africanos, problematiza o modelo estético vigente e contesta o padrão imposto à mulher negra no seio da sociedade atual.

No Clube de Leitura de janeiro, a obra escolhida é “Cumbe”, do ilustrador Marcelo D´Salete, que tem como protagonistas negros escravos e sua luta contra a opressão escravagista. O encontro acontecerá no dia 21 de janeiro, entre 19h30 e 21h30 e terá mediação de Allan da Rosa.

foto: Tiago Santana

foto: Tiago Santana

 


Serviço:
Exposição: Zumbi A Guerra do Povo Negro
Curadoria de Audálio Dantas; fotos de Tiago Santana e ilustrações de Fernando Vilela.
Visitação: Até 31 de janeiro de 2016, terça a sexta, das 10h às 21h30; sábados, das 10h às 20h30; domingos e feriados, das 10h às 18h30.
Local:Atrium (1º andar Torre A) e Hall dos Elevadores (Térreo – Torre A)
Livre
Grátis

Programação Paralela


Arte Africana como Cultura Espiritual, Visual e Musical
Curso com Renato Araújo
De 15 a 29 de janeiro, sextas-feiras, das 18h30 às 21h30
Local:Espaço de Tecnologias e Artes
Vagas Limitadas
Classificação indicativa: 14 anos
R$ 20,00
R$ 10,00 (meia)
R$ 6,00 (Credencial Plena)
Inscrições na Central de Atendimento, a partir de 29 de dezembro

Arte e Ilustração: Experimentações Gráficas sobre Narrativas Afro-Brasileiras
Curso com Fernando Vilela
De 19 a 28 de janeiro, terças e quintas-feiras, das 18h30 às 21h30
Local:Espaço de Tecnologias e Artes
Vagas Limitadas
Classificação indicativa: 16 anos
R$ 30,00
R$ 15,00 (meia)
R$ 9,00 (Credencial Plena)
Inscrições na Central de Atendimento, a partir de 29 de dezembro

Quilombos, História e Resistência
Bate-papo com Renato Araújo e Danilo Marques
Mediação de Allan da Rosa
Dia 13 de janeiro, quarta-feira, às 19h
Local:Praça de Eventos (capacidade: 250 pessoas)
Duração: 150 minutos
Livre
Grátis

A Representação do Negro nas Artes
Bate-papo com Rosana Paulino e Salloma Salomão
Mediação de Allan da Rosa
Dia 20 de janeiro, quarta-feira, às 19h
Local:Praça de Eventos (capacidade: 250 pessoas)
Duração: 150 minutos
Livre
Grátis

População Negra: Cultura e Sociedade
Bate-papo com Dennis de Oliveira e Eunice Aparecida de Jesus Prudente
Mediação de Eugênio Lima
Dia 27 de janeiro, quarta-feira, às 19h
Local:Praça de Eventos (capacidade: 250 pessoas)
Duração: 150 minutos
Livre
Grátis

O Mito da Diversidade Étnica
Performance com Olyvia Bynum
Dia 30 de janeiro, sábado, às 17h
Local:Espaço de Tecnologias e Artes
Duração: 60 minutos
Grátis
Classificação indicativa: 18 anos

Clube de Leitura
Debate sobre a obra “Cumbe”, de Marcelo D´Salete
Mediação de Allan da Rosa
Dia 21 de janeiro, quinta-feira, às 19h30
Local:Sala 2, 5º andar Torre A
Duração: 120 minutos
Livre

Central de Atendimento: Terça a sexta-feira, das 9h às 21h30;sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h30.

Horário de funcionamento da unidade: Terça a sexta, das 7h às 21h30; sábado, das 9h às 21h; e domingo eferiado, das 9h às 18h30.

Estacionamento: R$ 4,50 a primeira hora +R$ 1,50 a hora adicional (Credencial Plena: trabalhador no comércio de bens,serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes). R$ 10 a primeirahora +R$ 2,50 a hora adicional (outros). 200 vagas.

Sesc Vila Mariana
Rua Pelotas,141, São Paulo – SP
Informações:5080-3000
sescsp.org.br
Facebook,Twitter e Instagram:/sescvilamariana

Nesta quarta-feira, dia 13/01, às 19h, tem bate-papo em alto nível na Praça de Eventos do Sesc Vila Mariana: Quilombos, História e Resistência
COM RENATO ARAÚJO, DANILO MARQUES E MEDIAÇÃO DE ALLAN DA ROSA

Renato Araújo é pesquisador do Museu Afro Brasil desde 2009. Graduou-se em filosofia pela USP e hoje pesquisa arte e joalheria africana. É co-autor do livro África em Artes(Museu Afro Brasil, 2015).

Danilo Marques possui graduação em História pela Universidade Federal de Alagoas – UFAL (2008), mestrado em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP (2013) e, atualmente, é doutorando em História Social pela mesma universidade. É professor efetivo da rede pública estadual de São Paulo. Tem experiência na área de Arquivologia e História, e tem se dedicado às pesquisas sobre História do Brasil no século XIX, resistência escrava, gênero e escravidão, história e historiografia alagoana. Em sua pesquisa de doutorado, vem estudando as memórias sobre o Quilombo dos Palmares e Zumbi, existentes na sociedade brasileira desde os tempos coloniais até a contemporaneidade.

Allan da Rosa, que será o mediador da conversa, é historiador, arte-educador e mestre em Cultura e Educação pela Universidade de São Paulo. Produtor e apresentador do programa de rádio “À Beira da Palavra”, na Rádio Usp FM, é também colunista da Revista Fórum. Entre 2009 e 2012 foi colaborador do programa “Entrelinhas”, da TV Cultura, apresentando quadros sobre literatura africana e afro-diaspórica. É, ainda, fundador do selo Edições Toró, pelo qual publicou vários autores do movimento de literatura periférica paulistana. 

Ilustração: Fernando Vilela

Ilustração: Fernando Vilela

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